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Ansiedade, Depressão e Pernas Inquietas: Entenda a Conexão

Dr Diego de Castro
21/01/2026
Dr Diego de Castro Neurologia
Autor: 
Dr. Diego de Castro dos Santos

CRM-SP 160074 / CRM-ES 11.111
Neurofisiologia clínica - RQE 74154
Neurologia - RQE 74153.
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A saúde emocional e o bem-estar físico caminham lado a lado e, em muitas pessoas, quadros de ansiedade e depressão caminham junto com a agonia nas pernas. Compreender que a sua mente e os seus nervos compartilham os mesmos mensageiros químicos ajuda a entender por que ansiedade, depressão e pernas inquietas se influenciam mutuamente e é um passo importante para um tratamento integrado.

Neste artigo, Dr Diego de Castro Neurologista e Neurofisiologista pela USP explica sobre a complexa relação entre ansiedade, depressão e a agonia nas pernas, além de como tratar essas condições de forma integrada.

Assista ao vídeo completo e compreenda como a ansiedade e os medicamentos influenciam as pernas inquietas:

A Relação Biológica entre Ansiedade, Depressão e Pernas Inquietas

Segundo a Johns Hopkins University, a conexão entre essas condições não é apenas uma coincidência de sintomas; existe uma base biológica compartilhada no seu sistema nervoso. A dopamina, o mesmo neurotransmissor responsável pela sensação de prazer e motivação (frequentemente alterado na depressão), é um dos principais reguladores dos movimentos das pernas.

Quando há uma desregulação nesse sistema, o cérebro envia sinais de inquietude motora, criando aquele ciclo vicioso onde a agonia nas pernas aumenta a ansiedade, e a ansiedade, por sua vez, intensifica a agonia.

Além disso, o estresse crônico mantém o corpo em um estado de alerta constante, elevando os níveis de cortisol. Esse hormônio do estresse altera a regulação dos sistemas de estresse e dopamina, o que pode facilitar crises mais frequentes.

Na prática clínica, observamos que o tratamento isolado de apenas uma dessas frentes raramente traz o alívio completo, sendo necessário um olhar que abranja tanto a química cerebral quanto o estado emocional do paciente.

O Papel dos Medicamentos Antidepressivos na Agonia nas Pernas

Artigo publicado no Psychiatry and Clinical Psychopharmacology destaca que um dos pontos mais sensíveis nesta relação é o efeito colateral de certos tratamentos para a saúde mental. Muitos pacientes iniciam o tratamento para depressão ou ansiedade e percebem um surgimento ou piora da agonia nas pernas.

Medicamentos conhecidos como Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (como Fluoxetina e Escitalopram) podem, paradoxalmente, interferir na regulação dopaminérgica e agravar sintomas de SPI em algumas pessoas.

Para que você tenha o melhor resultado no seu tratamento, é fundamental considerar:

  • A Escolha do Antidepressivo: Existem opções que são "neutras" ou até ajudam na SPI, como a Bupropiona, que pode ser discutida com seu especialista.
  • O Equilíbrio Terapêutico: Muitas vezes, o ajuste da dose ou a troca da medicação para ansiedade é o que faltava para silenciar a agonia noturna.
  • O Uso de Moduladores: Medicamentos como a Gabapentina são frequentemente úteis por tratarem simultaneamente a dor neuropática, a ansiedade e as pernas inquietas, sem os riscos de piora a longo prazo.
Antidepressivos na Agonia nas Pernas

O que Mudou desde que Gravei esse Vídeo?

Desde a gravação original, as pesquisas em Neurociência sugerem que a neuroinflamação pode ser um elo comum entre a depressão e a síndrome das pernas inquietas. Conforme informações da American Academy of Sleep Medicine hoje, o tratamento foca muito mais no uso de substâncias que acalmam essa inflamação, como a suplementação de Magnésio, se houver deficiência documentada, e o controle rigoroso da Ferritina, que é essencial para a síntese de dopamina.

Outra mudança importante foi a validação de técnicas de "Higiene Mental Noturna" integradas ao tratamento medicamentoso. Atualmente, sabemos que a meditação mindfulness e o controle da exposição à luz azul são fundamentais para que o paciente com ansiedade consiga "desligar" o comando motor das pernas antes de dormir.

Perguntas Frequentes que Recebo depois desse Vídeo

  • A ansiedade causa pernas inquietas ou as pernas inquietas causam ansiedade?
    • Pode ocorrer de ambas as formas. Elas formam um ciclo vicioso: a falta de sono pela SPI gera ansiedade diurna, e o estresse da ansiedade piora as crises motoras à noite.
  • Posso parar meu antidepressivo se ele estiver piorando minhas pernas?
    • Nunca interrompa o tratamento por conta própria. Isso pode gerar um efeito rebote grave. O ideal é que o neurologista e o psiquiatra ajustem a medicação para uma que seja segura para a SPI.
  • O magnésio ajuda na depressão e nas pernas inquietas?
    • O magnésio pode ser útil como adjuvante em alguns casos, especialmente se houver deficiência documentada, mas não substitui os tratamentos de primeira linha.
  • Por que me sinto mais triste nos dias em que a agonia nas pernas está pior?
    • A privação de sono causada pela SPI reduz a sua resiliência emocional e afeta diretamente as áreas do cérebro que regulam o humor.
  • A psicoterapia ajuda no tratamento das pernas inquietas?
    • Ajuda indiretamente ao reduzir os níveis de estresse e ensinar estratégias para lidar com o desconforto crônico, o que diminui a intensidade das crises percebidas.
  • Existe algum remédio que trate a ansiedade e as pernas inquietas ao mesmo tempo?
    • Sim, ligantes alfa-2-delta como a Pregabalina e a Gabapentina são frequentemente usados para ambas as condições com sucesso.
  • O café piora mais a ansiedade ou as pernas inquietas?
    • Ambas. Ele é um estimulante que aumenta o estado de alerta (piorando a ansiedade) e bloqueia receptores que ajudariam no relaxamento das pernas.

Em Resumo

A relação entre ansiedade, depressão e a Síndrome das Pernas Inquietas revela que o nosso corpo funciona de forma integrada e que a saúde mental é inseparável da saúde neurológica. Reconhecer que os seus sintomas emocionais podem estar influenciando, ou sendo influenciados, pela agonia nas pernas é o ponto de partida para um tratamento que realmente funciona.

Ao ajustar a química cerebral com o auxílio de um especialista, você permite que tanto a sua mente quanto o seu corpo encontrem o repouso necessário. É fundamental buscar o acompanhamento médico especializado para realizar esse ajuste fino, especialmente se você já faz uso de medicações psiquiátricas.

Com o diagnóstico correto e uma abordagem que cuide de todas as esferas da sua saúde, a possibilidade de viver sem o peso da ansiedade e sem a agonia das pernas é uma realidade acessível. Priorize o seu equilíbrio e não permita que o desconforto dite o ritmo da sua vida; a Neurologia moderna tem os recursos necessários para que você recupere o seu bem-estar integral.

Referências

Dr Diego de Castro Neurologista e Neurofisiologista

Dr Diego de Castro é Neurologista pela USP e cuida de pacientes com problemas do sono e outras condições neurológicas.

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Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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