

Viver com a Síndrome das Pernas Inquietas (SPI) é enfrentar um desafio que afeta as bases do bem-estar: o sono e o descanso. Quando as noites são dominadas pela agonia e pela necessidade de movimentação constante, a escolha do medicamento correto torna-se o divisor de águas entre a exaustão e a recuperação da sua vitalidade.
Neste artigo, Dr Diego de Castro Neurologista e Neurofisiologista pela USP explica sobre as diferenças entre Pramipexol, Gabapentina e Pregabalina, e como a medicina moderna define qual é a melhor opção para cada paciente.
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Segundo a American Academy of Sleep Medicine, durante muitos anos, o Pramipexol foi considerado a escolha para quase todos os casos de pernas inquietas. No entanto, observamos que, embora esse medicamento trouxesse um alívio imediato e muito potente, ele escondia um risco a longo prazo que acabava piorando a condição do paciente após alguns meses de uso.
Esse fenômeno, que chamamos de Augmentation, fez com que as sociedades internacionais de medicina do sono revisassem suas recomendações. Atualmente, a tendência é priorizar medicamentos que ofereçam estabilidade ao sistema nervoso sem causar essa piora paradoxal.
Para compreender o processo de escolha, é importante observar que, antigamente, o foco do tratamento era quase exclusivamente aumentar os níveis de dopamina, o neurotransmissor em falta nas pessoas com SPI. Hoje, a Neurologia moderna prefere atuar na regulação da atividade elétrica dos nervos.
Em vez de apenas compensar a falta de uma substância, buscamos estabilizar a forma como as células nervosas transmitem os sinais de agitação. Essa mudança de perspectiva é o que define a preferência atual pelos ligantes alfa-2-delta, como a Gabapentina e a Pregabalina, que oferecem um controle mais equilibrado e duradouro sobre os sintomas.
Informações do American College of Chest Physicians apontam que estes medicamentos não atuam diretamente na dopamina, mas sim na modulação dos canais de cálcio dos nervos. Eles "acalmam" a hiperexcitabilidade que causa a sensação de inquietação.
Afirmar que o Pramipexol caiu em desuso seria um erro. Ele continua sendo uma ferramenta valiosa no arsenal do neurologista, mas o seu uso tornou-se muito mais criterioso.
Este medicamento pertence à classe dos agonistas dopaminérgicos, ou seja, ele "imita" a dopamina no cérebro. O alívio que ele proporciona costuma ser muito rápido, muitas vezes sendo percebido logo na primeira dose, o que traz um conforto imediato para quem está em crise severa.
No entanto, pensando na segurança futura do paciente, reservamos o Pramipexol para casos específicos ou para uso em doses mínimas. O grande desafio dessa medicação é que o cérebro pode se tornar "resistente", exigindo doses cada vez maiores, e fazendo com que os sintomas comecem a aparecer mais cedo no dia, como à tarde ou até pela manhã.

Conforme artigo publicado no NeurologyLive, a resposta para "qual é o mais eficaz" depende inteiramente do seu perfil clínico. A Medicina personalizada é a base para o sucesso aqui. Veja alguns fatores que levamos em conta na hora de decidir entre as três opções:
É fundamental reiterar que a automedicação em casos de distúrbios do movimento é extremamente perigosa. O ajuste de dose da Pregabalina, por exemplo, deve ser feito de forma gradual para evitar tonturas ou sonolência excessiva durante o dia.
Da mesma forma, a retirada ou a troca do Pramipexol por outra substância exige uma estratégia técnica para evitar que o paciente sofra com uma piora abrupta dos sintomas durante a transição.
O objetivo do tratamento não é apenas "parar de mexer as pernas". O objetivo real é que você volte a ter uma vida normal, sem o medo de viajar de avião, ir ao cinema ou simplesmente deitar-se para dormir. Para isso, o diagnóstico correto da causa, que pode incluir a investigação da ferritina e de outras condições metabólicas, deve preceder a escolha do medicamento.
Não existe um "melhor" entre Gabapentina, Pregabalina e Pramipexol, mas sim o medicamento mais adequado para suas condições de saúde. Enquanto a Pregabalina e a Gabapentina ganham espaço como tratamentos de primeira linha por serem mais seguros a longo prazo, o Pramipexol permanece como uma opção para casos selecionados, desde que monitorado com rigor.
A busca por ajuda especializada é o passo mais importante para que você pare de testar medicamentos e comece um plano de tratamento estruturado. A Neurologia moderna oferece recursos suficientes para que a agonia nas pernas deixe de ser o centro da sua rotina.
Priorize o seu sono e a sua saúde neurológica. Com o ajuste terapêutico correto, a retomada da sua qualidade de vida é um objetivo perfeitamente alcançável.
Dr Diego de Castro é Neurologista pela USP e cuida de pacientes com problemas do sono e outras condições neurológicas.
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