Apneia Obstrutiva do Sono e o Ronco | Dr Diego de Castro Neurologista

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Apneia Obstrutiva do Sono e o Ronco | Dr Diego de Castro Neurologista

By | 2020-06-01T15:08:12+00:00 quarta-feira 27 de maio 2020|Distúrbios do Sono|
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A Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) é um dos distúrbios do sono mais comuns. Popularmente, ela é conhecida pelo fenômeno de “roncar” durante o sono. Aproximadamente 25% dos adultos correm risco de apresentar essa condição.

Embora motivo de piadas em roda de amigos e casais, “roncar” não é algo tão inocente.  A Apneia Obstrutiva do Sono é uma condição que pode afetar a capacidade de uma pessoa realizar com segurança as atividades diárias e também a sua saúde a longo prazo.

Neste artigo, Dr Diego de Castro Neurologista da USP explica o que é a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS), causas, diagnóstico e tratamento dessa condição.

O que é o “Ronco”?

Segundo o NHS, o “ronco” é um fenômeno sonoro decorrente da respiração anormal. O ronco ocorre por um estreitamento ou fechamento anormal da garganta durante o sono.

Os homens são mais comumente afetados que as mulheres. Outros fatores de risco incluem:

  • Idade média e avançada
  • Excesso de peso
  • Obesidade
  • Estruturas anatômicas estreitas (boca e garganta pequenas)
  • Uso de álcool
  • Benzodiazepínicos.

Embora existam outros tipos de apneia, este artigo enfoca o tipo mais comum de apneia do sono em adultos: a apneia obstrutiva do sono (AOS).

A Apneia Obstrutiva do Sono

De acordo com a Mayo Clinic, a Apneia obstrutiva do sono ocorre quando, além do ronco, o indivíduo apresenta uma interrupção da respiração normal ou uma diminuição da oxigenação.

Normalmente durante o sono, o ar se move pela faringe (“garganta”) entrando e saindo dos pulmões em um ritmo regular. Em uma pessoa com apneia do sono, o movimento do ar é periodicamente diminuído ou interrompido.

A faringe, o palato e a língua são músculos importantes das vias aéreas superiores e estão associados ao ato de engolir e respirar. Durante o sono, esses músculos são menos ativos, permanecendo relaxados. O relaxamento muscular acarreta a diminuição do calibre da faringe, estreitando-a.

Na maioria das pessoas, esse estreitamento não afeta a respiração. Em outras, pode causar ronco, às vezes com fluxo de ar reduzido ou completamente bloqueado.

Quando a via aérea fica completamente bloqueada para o fluxo de ar, ocorre a apneia obstrutiva. Obstrução parcial com fluxo de ar diminuído é chamada de hipopneia. Uma pessoa pode apresentar tanto apneia quanto hipopneia durante o sono.

Apneia Obstrutiva do Sono

Mecanismo

  • De maneira simplificada, o bloqueio da respiração diminui os níveis de oxigênio e aumenta o gás carbônico no sangue.
  • Devido a alteração da oxigenação, o sono é interrompido por um pequeno despertar.
  • Esse mecanismo gera contração dos músculos das vias aéreas superiores corrigindo a obstrução do fluxo de ar.
  • Uma vez que a via aérea esteja aberta, a pessoa respira fundo várias vezes para recuperar o ritmo da respiração.
  • Devido a esse pequeno despertar, a pessoa pode se mover, bufar, roncar e respirar profundamente.
  • Ocasionalmente, uma pessoa pode despertar com uma sensação ofegante ou sufocante. Se a pessoa voltar a dormir rapidamente, ela não se lembrará do evento.
  • Despertar do sono faz com que o sono não seja restaurador, causando fadiga e sonolência diurna e uma série de problemas de memória e metabolismo.

Muitas pessoas com apneia do sono desconhecem a respiração anormal durante o sono e todos os pacientes subestimam a frequência com que o sono é interrompido.

Apneia Obstrutiva do Sono – Causas e Fatores de Risco

De acordo com Cleveland Clinic, a maioria dos pacientes tem AOS por causa de uma via aérea superior estreita.

À medida que os ossos do rosto e do crânio se desenvolvem, algumas pessoas desenvolvem uma mandíbula pequena e uma língua que parece grande demais para a boca. Essas características são geneticamente determinadas, o que explica por que a apneia tende a se agrupar em famílias.

Segundo Harvard University, certos fatores aumentam o risco de apneia do sono:

  • Idade avançada – a AOS ocorre em todas as idades, mas é mais comum em adultos de meia idade e idosos;
  • Sexo masculino – AOS é duas vezes mais comum em homens, especialmente na meia idade;
  • Obesidade – Quanto mais obesa for uma pessoa, maior a probabilidade de ter AOS;
  • Sedação por medicação ou álcool – Isso interfere na capacidade de despertar do sono e pode prolongar períodos de apneia (sem respiração), com consequências potencialmente perigosas;
  • Outras anormalidades da via aérea.

Além disso, o aumento das tonsilas (amígdalas) também pode ser uma causa importante, especialmente em crianças.

Apneia Obstrutiva do Sono

Apneia Obstrutiva do Sono – Sintomas

Segundo a American Lung Association, os principais sintomas da Apneia Obstrutiva do Sono são:

  1. Ronco alto
  2. Fadiga
  3. Sonolência diurna.

No entanto, algumas pessoas que moram só podem não perceber os sintomas.

Fadiga e sonolência têm muitas causas e são frequentemente atribuídas ao excesso de trabalho e ao aumento da idade. Como resultado, uma pessoa pode demorar a reconhecer que tem o problema.

Além disso, a Mayo Clinic considera outros sintomas da Apneia Obstrutiva do Sono:

  • Sono agitado;
  • Despertar com sufocamento, respiração ofegante ou sufocante;
  • Dor de cabeça matinal, boca seca ou dor de garganta;
  • Acordar frequentemente para urinar;
  • Despertar com sensação de atordoamento;
  • Baixa energia e dificuldade de concentração;
  • Perda de memória;
  • Hipertensão de difícil controle;
  • Alterações metabólicas nos níveis de glicose, colesterol, triglicerídeos e da função da glândula tireoide.

Diagnóstico

O diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono é realizado por um médico neurologista ou por otorrinos e psiquiatras que tenham experiência em medicina do sono.

De acordo com a American Family Physician, o diagnóstico é baseado no histórico médico, exame físico e exames complementares, principalmente na avaliação neurofisiológica do sono. Esse estudo neurofisiológico do sono é chamado de polissonografia e geralmente é realizado em um laboratório do sono.

A polissonografia mede:

  • Esforço respiratório
  • Fluxo de ar
  • Nível de oxigênio no sangue
  • Frequência e ritmo cardíaco
  • Duração dos vários estágios do sono,
  • Posição do corpo e o movimento dos braços / pernas

A polissonografia é um exame muito importante para ajudar no diagnóstico e avaliação da gravidade da apneia. O exame também pode ser utilizado para seguimento a longo prazo em vigência de tratamento.

Apneia Obstrutiva do Sono

Tratamento da Apneia Obstrutiva do Sono

O princípio básico do tratamento da apneia obstrutiva é manter a via aérea aberta durante o sono. A maioria dos tratamentos requer uso durante o sono.

Segundo a Sleep Foundation, o tratamento inclui:

  • Aparelhos que oferecem pressão positiva sobre as vias aérea (CPAP)
  • Aparelhos intraoarais
  • Medidas Comportamentais
  • Cirurgia

Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas (CPAP)

De acordo com a American Sleep Apnea Association, o tratamento mais eficaz para a apneia obstrutiva do sono usa a pressão do ar de um dispositivo mecânico (CPAP) para manter as vias aéreas superiores abertas durante o sono. Entenda:

  • O CPAP é um dispositivo que oferece ar sob pressão.
  • Ele usa um acessório hermético ao nariz, tipicamente uma máscara, conectado a um tubo e um soprador que gera a pressão.
  • O CPAP deve ser usado sempre que a pessoa dorme (dia ou noite).
  • Embora o tratamento pareça desconfortável no início, a maioria das pessoas tem importante melhora do sono.
  • O acompanhamento contínuo com um profissional de saúde ajuda a garantir que o tratamento seja eficaz e confortável.

Aparelhos Intraorais

De acordo com Cleveland Clinic, um dispositivo dentário, chamado dispositivo de avanço mandibular pode ser considerado. Entenda:

  • O dispositivo pode reposicionar a mandíbula, trazendo a língua e o palato mole à frente.
  • A mudança da posição da língua pode aliviar a obstrução em algumas pessoas.
  • O tratamento reduz o ronco, embora o efeito real sobre o estreitamento da faringe possa ser limitado.
  • Tais dispositivos dentários são melhor utilizados para casos leves de AOS.
  • Embora os dispositivos dentários não sejam tão eficazes quanto o CPAP, alguns pacientes podem preferi-los.

Medidas Comportamentais

Segundo a American Academy Sleep of Medicine, as medidas comportamentais para tratamento do Apneia Obstrutiva do Sono são obrigatórias e incluem:

  • Perda de peso – Deve ser realizada com mudanças na dieta, exercícios físicos e/ou tratamento cirúrgico. Ao emagrecer, alguns pacientes podem se beneficiar tanto a ponto de não necessitarem de nenhuma terapia adicional.
  • Interrupção de álcool e sedativos –  Essas substâncias devem ser interrompidas, pois influenciam no tônus da musculatura da garganta, favorecendo o fenômeno do ronco.
  • Ajustar a posição ao dormir – ajustar a posição durante o sono pode melhorar a qualidade do sono em pessoas que têm apneia apenas ao dormir de costas. No entanto, isso é difícil de manter durante a noite e isoladamente não é uma solução adequada.

Cirurgia

Segundo pesquisa publicada na Revista Neurotherapeutics, a cirurgia para Apneia Obstrutiva do Sono é utilizada:

  • Como terapia alternativa para pacientes que não podem tolerar ou não melhoram com o CPAP.
  • A cirurgia também pode ser usada em combinação com outros tratamentos não cirúrgicos.
  • Procedimentos cirúrgicos remodelam estruturas nas vias aéreas superiores ou reposicionam cirurgicamente ossos ou tecidos moles.
  • Os tipos de cirurgia mais comuns são: Cirurgia Nasal, Uvulopalatofaringoplastia e Avanço Maxilomandibular.
  • Todos os tratamentos cirúrgicos exigem discussões sobre os objetivos do tratamento, os resultados esperados e as possíveis complicações.

Dr Diego de Castro Neurologista & Neurofisiologista

Dr Diego de Castro é Neurologista pela USP e cuida de pacientes com distúrbios do sono e outras condições neurológicas.

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Publicado em: 27 de março de 2019  atualizado em 28 de maio de 2020


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Dr. Diego de Castro dos Santos

Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.

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