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Diplopia (Visão Dupla) - Tipos, Causas e Sintomas

Dr Diego de Castro
21/08/2026
Dr Diego de Castro Neurologia
Autor: 
Dr. Diego de Castro dos Santos

CRM-SP 160074 / CRM-ES 11.111
Neurofisiologia clínica - RQE 74154
Neurologia - RQE 74153.
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Segundo o NHS, Diplopia é uma alteração de visão que consiste na percepção simultânea de duas imagens de um único objeto. As imagens podem ser deslocadas horizontalmente, verticalmente, diagonalmente ou rotacionalmente em relação umas às outras.

A visão dupla pode ser causada por um problema muscular, nervoso ou um problema ocular. E, geralmente, quando a causa é encontrada, pode ser corrigida.

Neste artigo, Dr Diego de Castro, Neurologista e Neurofisiologista pela USP, explica sobre a Diplopia ou Visão Dupla, seus tipos, causas e sintomas associados.

Caracterizando a Diplopia

Segundo informações da Mayo Clinic, geralmente, a visão dupla ocorre quando os olhos estão desalinhados, ou seja, não estão direcionados para o mesmo objeto. Assim, as imagens capturadas pelos olhos e enviadas para a região cerebral responsável pelo processamento visual são percebidas de forma não sincronizada.

Em condições normais, nossos olhos estão apontados para o mesmo objeto, pois temos um complexo conjunto de músculos oculares e nervos que se comunicam uns com os outros para manter os dois olhos se movendo juntos. Qualquer problema que ocorra em alguma destas estruturas pode ser a causa para a diplopia.

Tipos de Diplopia

A diplopia pode ser do tipo monocular ou binocular:

  • Monocular - está presente em cada olho separadamente. A visão pode parecer como um fantasma ou sombra que se sobrepõe à imagem primária. Pode afetar o olho direito, o olho esquerdo, ou ambos os olhos ao mesmo tempo.
  • Binocular - só está presente quando os dois olhos estão abertos. Com esse tipo de visão dupla, as imagens são vistas de forma completamente distinta, com espaço entre elas.

Essa distinção é muito importante porque a visão dupla monocular nunca é perigosa, enquanto a visão dupla binocular pode ser causada por algumas condições neurológicas.

Outra maneira de avaliar qual o tipo de visão dupla é fechar cada olho separadamente. Se a visão dupla acontecer apenas em um olho, você tem diplopia monocular. A visão dupla é do tipo binocular, quando acontece com os dois olhos abertos e desaparace quando você fecha tanto o olho direito quanto o olho esquerdo.

Causas de Diplopia

A Cleveland Clinic explica que as causas da diplopia podem ser classificadas de acordo com o tipo de visão dupla.

Visão Dupla Monocular

Geralmente é causada por problemas estruturais oculares, e em muito poucos casos está relacionada a alterações neurológicas. Algumas de suas causas podem ser:

  • Alterações oculares, como erros refrativos, o que significa que o paciente precisa de óculos, mas não usa nenhum tipo de meio de correção
  • Problemas na lente cristalina, como cataratas, que podem levar à experiência de visão dupla nesse olho
  • Doenças da córnea, como cicatrizes ou opacidade na córnea
  • Alterações na retina, como membranas epirretinianas, que são membranas que crescem na retina.

Em todos esses casos de alteração da estrutura ocular, uma vez corrigida a alteração, a visão dupla desaparece.

Visão Dupla Binocular

Uma alteração neurológica ou problemas musculares oculares pode estar na raiz do problema. Algumas de suas causas podem ser:

  • Estrabismo descompensado, ou seja, um desvio ocular presente desde a infância que pode estar descompensado na idade adulta. Vamos explicar o estrabismo em mais detalhes, logo abaixo
  • Alterações neurológicas, como paralisia de nervos que trazem informações aos músculos oculares, o que paralisa os músculos e causa um desalinhamento ocular levando à visão dupla
  • Alterações no sistema nervoso central, que causam um desalinhamento ocular e, assim, visão dupla
  • Problemas na junção neuromuscular, que é a união entre o nervo e o músculo, por exemplo na Miastenia gravis.

Outros fatores, como problemas de tireoide ou mesmo problemas mecânicos nos músculos extraoculares, também podem levar ao desalinhamento ocular.

Diabetes, hipertensão arterial e esclerose múltipla são doenças comuns que podem causar paralisia temporária dos nervos que controlam os músculos dos olhos.

A oclusão microvascular dos nervos cranianos — frequentemente associada a diabetes e hipertensão — é a causa mais comum de diplopia binocular em adultos com mais de 50 anos, afetando com maior frequência o sexto nervo craniano (abducente). Na maioria desses casos, a recuperação ocorre espontaneamente em semanas a meses, especialmente quando os fatores de risco vascular são adequadamente controlados.

Outra causa importante e frequentemente subestimada é a doença ocular tireoidiana (oftalmopatia de Graves), uma condição inflamatória autoimune que afeta os músculos ao redor dos olhos e pode causar diplopia mesmo em pacientes com função tireoidiana aparentemente normal — sendo mais comum em mulheres entre 40 e 60 anos.

Na esclerose múltipla, lesões inflamatórias do sistema nervoso que afetam várias partes do sistema visual podem resultar em visão dupla que varia ao longo do tempo. A síndrome de Guillain-Barré também pode produzir visão dupla a partir de danos nos nervos.

A enxaqueca pode causar um estrabismo repentino, mas temporário e, na Miastenia gravis, a comunicação entre os nervos e os músculos oculares é prejudicada, resultando em diplopia que varia conforme as horas do dia, tipicamente piorando juntamente com a fadiga.

É importante destacar que a Miastenia Gravis ocular é uma causa de diplopia que exige alto índice de suspeição clínica. Entre 50% e 60% dos pacientes com Miastenia Gravis apresentam como primeiros sintomas apenas ptose e diplopia, sem fraqueza muscular nos membros. O que diferencia esse quadro de outras causas é a característica flutuação dos sintomas: a visão dupla piora com a fadiga — especialmente ao final do dia ou após esforço — e melhora com o repouso. Episódios prévios de diplopia que se resolveram espontaneamente, mas que se repetem, também são um sinal de alerta importante para essa condição.

Algumas condições com risco de vida também podem causar visão dupla, incluindo:

  • Infecções
  • Tumores cerebrais
  • AVC
  • Aneurisma cerebral
  • Lesão na cabeça.

Entretanto, esses casos são menos frequentes. Além disso, sintomas como dor severa nos olhos ou dor de cabeça podem ocorrer juntamente com as alterações visuais. Qualquer dor de cabeça acompanhada de mudanças de visão é considerada de risco de vida e requer cuidados médicos imediatos.

Nos últimos anos, a infecção por COVID-19 passou a ser reconhecida como uma causa de diplopia binocular, por mecanismos neuroinflamatórios que podem afetar os nervos cranianos responsáveis pelo movimento dos olhos — especialmente o terceiro, o sexto e o sétimo nervo craniano. Uma revisão sistemática publicada em 2025 documentou casos de diplopia associados tanto à infecção ativa pelo SARS-CoV-2 quanto, em menor frequência, à vacinação contra a COVID-19, com sintomas surgindo de um dia a algumas semanas após a exposição.

Os mecanismos incluem inflamação direta dos nervos, resposta imunológica anormal e, em alguns casos, oclusões microvasculares. Na maioria dos casos documentados, a recuperação foi completa em dias a meses com tratamento adequado. Pacientes com histórico recente de COVID-19 que desenvolvam visão dupla devem informar esse antecedente ao médico durante a avaliação.

Compreendendo o Estrabismo como Causa da Diplopia

estrabismo

Estrabismo é uma condição caracterizada pelo desalinhamento dos olhos. Ou seja, cada olho aponta para uma direção diferente. Por exemplo:

  • Um olho tende a se mover para dentro e o outro para fora
  • Um olho aponta para cima e o outro para baixo.

A maioria das pessoas com estrabismo tem a condição desde o nascimento. Em muitos bebês, é difícil encontrar uma verdadeira causa. Às vezes, é causado por um grande erro refrativo (em que há necessidade de óculos prescritos) e às vezes tumores oculares.

Apesar dos olhos estarem desalinhados, a maioria das crianças não sofre de visão dupla, pois o cérebro compensa, suprimindo uma das imagens.

As crianças parecem se adaptar rapidamente ao estrabismo: seu cérebro aprende rapidamente a suprimir uma das imagens. No entanto, quando uma imagem é suprimida, a criança corre o risco de desenvolver ambliopia, muitas vezes referida como olho preguiçoso, em que os músculos que rodeiam os olhos tornam-se mais fracos, já que o cérebro está ignorando a informação captada por um dos olhos.

Quando o estrabismo se desenvolve em adultos, é mais provável que ocorra visão dupla, pois o cérebro adulto tem dificuldade para suprimir a visão de um dos olhos, já que, durante grande parte de sua vida, ambos os olhos estavam funcionando normalmente.

Sintomas Associados à Diplopia

Conforme a Stanford Health Care, algumas pessoas com visão dupla podem sentir náuseas ou vertigem por causa do campo de visão alterado. Outras podem experimentar tensão ocular e sensibilidade à luz ou sons.

Ao experimentar visão dupla, também é possível sentir:

  • Dor de cabeça
  • Enxaqueca
  • Tontura
  • Perda de equilíbrio
  • Pálpebras caídas (ptose)
  • Fraqueza ocular
  • Dor nos olhos ou ao redor.

Visão dupla e dores de cabeça têm uma relação em que se torna difícil identificar se a diplopia causou a dor de cabeça ou se a diplopia faz parte da gama de sintomas de uma crise de enxaqueca.

Se você experimentar visão dupla de início súbito, com ou sem qualquer um dos outros sintomas acima, procure atendimento médico o mais rápido possível. Em casos de diplopia binocular aguda associada a dor de cabeça intensa, queda de pálpebra, alteração do tamanho da pupila, fraqueza nos membros ou dificuldade para falar, dirija-se imediatamente a uma emergência hospitalar, pois essas combinações de sintomas podem indicar condições com risco de vida, como aneurisma cerebral ou AVC.

Uma orientação prática: feche um olho de cada vez. Se a visão dupla desaparecer ao fechar qualquer um dos olhos individualmente, ela é binocular — e esse tipo sempre requer avaliação especializada urgente.

Complicações

As causas da visão dupla podem variar de algo facilmente corrigível a algo mais complicado, como uma doença crônica. Sendo assim, cada possível causa para a diplopia tem complicações potenciais.

Episódios temporários de visão dupla podem acontecer por muitas razões, incluindo beber muito álcool ou estar excessivamente cansado. Nestes casos, a diplopia acontece por um curto prazo e geralmente não é motivo de preocupação. Mas quando o sintoma começa a acontecer com uma certa frequência, requer uma avaliação médica para determinar a causa.

Visão dupla é um sintoma de algo anormal acontecendo em seu olho, cérebro ou sistema nervoso. Em muitos casos, é o resultado de uma condição tratável. Mas qualquer mudança repentina em sua visão requer atenção médica.

Algumas condições precisam de cuidados médicos urgentes para evitar perda permanente de visão ou complicações fatais. Em nosso próximo artigo, vamos explicar como determinamos a causa da diplopia e suas formas de tratamento.

Perguntas Frequentes

  • Como saber se minha visão dupla é urgente ou pode esperar uma consulta normal?
    • A regra mais importante é observar se a diplopia é monocular ou binocular. Se a visão dupla desaparece ao fechar um dos olhos, ela é monocular — em geral causada por problemas no próprio olho, como astigmatismo não corrigido ou catarata, e não costuma ser urgente. Se a visão dupla persiste com qualquer um dos olhos fechados individualmente, mas desaparece apenas quando ambos estão fechados, ela é binocular — e nesse caso a avaliação médica deve ser feita o quanto antes, especialmente se for de início súbito. Diplopia binocular súbita, com ou sem dor de cabeça, queda de pálpebra ou outros sintomas neurológicos, requer atendimento de emergência imediato.
  • Por que a diabetes e a hipertensão podem causar visão dupla?
    • Tanto a diabetes quanto a hipertensão danificam os pequenos vasos sanguíneos que irrigam os nervos cranianos responsáveis pelo movimento dos olhos. Quando esses vasos sofrem oclusões microvasculares, o nervo fica sem irrigação adequada e perde temporariamente sua função, resultando em paralisia do músculo ocular correspondente e, consequentemente, em desalinhamento dos olhos e visão dupla. Essa é a causa mais comum de diplopia binocular em adultos com mais de 50 anos. Felizmente, na maioria dos casos, a recuperação ocorre espontaneamente em semanas a meses, especialmente quando os fatores de risco são controlados adequadamente com tratamento médico.
  • A Miastenia gravis sempre causa outros sintomas além da visão dupla?
    • Não. E esse é um dos principais motivos pelos quais a Miastenia gravis ocular é frequentemente subdiagnosticada ou confundida com outras causas de diplopia. A característica que mais diferencia a Miastenia Gravis de outras causas de diplopia é a flutuação dos sintomas ao longo do dia: a visão dupla e a ptose tendem a piorar com a fadiga — especialmente no final do dia ou após esforço físico — e a melhorar com o repouso. Esse padrão é um sinal clínico importante que deve levar o médico a investigar a doença.
  • A visão dupla pode ser causada por enxaqueca?
    • Sim, e esse é um ponto que gera muita confusão. Na enxaqueca com aura, que é uma variante específica da enxaqueca, podem ocorrer sintomas visuais antes ou durante a crise de dor — incluindo, em casos mais raros, diplopia transitória causada por espasmo ou paralisia temporária de um nervo ocular motor. No entanto, a presença de diplopia durante uma crise não deve ser simplesmente atribuída à enxaqueca sem investigação adequada, pois outras causas mais graves — como aneurisma cerebral — podem se apresentar de forma semelhante. Qualquer episódio de dor de cabeça intensa acompanhada de visão dupla merece avaliação neurológica urgente.
  • O estrabismo em adultos é diferente do estrabismo na infância? Por que causa diplopia em adultos mas não em crianças?
    • Quando o estrabismo surge na infância, o cérebro ainda está em desenvolvimento e aprende rapidamente a suprimir a imagem do olho desalinhado para evitar a confusão visual. Isso previne a diplopia, mas cria um risco diferente: a ambliopia, ou "olho preguiçoso", em que o olho suprimido perde acuidade visual por desuso. Já no adulto, o cérebro já está completamente formado e não tem mais essa capacidade adaptativa de suprimir uma das imagens — por isso, o desalinhamento ocular resulta quase invariavelmente em visão dupla. Quando um adulto desenvolve estrabismo repentinamente — seja por descompensação de um desvio da infância ou por uma causa neurológica nova —, a diplopia é um sintoma praticamente imediato e exige avaliação especializada.

Em Resumo

A diplopia - ou visão dupla - é um sintoma que pode ter origens muito distintas: desde problemas estruturais oculares simples e facilmente corrigíveis, como erros refrativos e cataratas, até condições neurológicas potencialmente graves, como paralisia de nervos cranianos, aneurisma cerebral ou AVC.

As causas mais comuns de diplopia binocular em adultos com mais de 50 anos são as paralisias microvasculares dos nervos cranianos — frequentemente associadas a diabetes e hipertensão —, seguidas por condições como Miastenia Gravis, doença ocular tireoidiana, esclerose múltipla e síndrome de Guillain-Barré. Os sintomas associados — como dor de cabeça, ptose, tontura e fraqueza ocular — ajudam o neurologista a identificar a causa e definir a urgência do atendimento.

Sempre que a diplopia aparecer de forma súbita, a conduta correta é buscar avaliação médica imediata, independentemente de outros sintomas presentes.

Nos últimos anos, a literatura científica trouxe contribuições importantes para a compreensão das causas da diplopia. Uma das mais relevantes é a documentação de casos de diplopia binocular associados à infecção por COVID-19 e, em menor frequência, à vacinação contra a doença — ambos por mecanismos neuroinflamatórios que afetam os nervos cranianos responsáveis pelo movimento dos olhos. E a Miastenia Gravis ocular — que em 50% a 60% dos casos se apresenta inicialmente apenas com ptose e diplopia — continua sendo uma causa que exige alto índice de suspeição clínica, pois seus sintomas flutuantes e a tendência a piorar com a fadiga podem ser confundidos com causas menos graves.

Em todos esses cenários, o acompanhamento neurológico especializado é indispensável para identificar a causa correta e encaminhar o tratamento mais adequado.

Dr Diego de Castro Neurologista & Neurofisiologista

Dr Diego de Castro é Neurologista pela USP especialista em distúrbios do movimento.

Conhece alguém com visão dupla? Indique esse artigo para mostrar a importância da avaliação médica para o diagnóstico definitivo.

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Neurologia - Dr Diego de Castro
Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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