

Segundo o NHS, Diplopia é uma alteração de visão que consiste na percepção simultânea de duas imagens de um único objeto. As imagens podem ser deslocadas horizontalmente, verticalmente, diagonalmente ou rotacionalmente em relação umas às outras.
A visão dupla pode ser causada por um problema muscular, nervoso ou um problema ocular. E, geralmente, quando a causa é encontrada, pode ser corrigida.
Neste artigo, Dr Diego de Castro, Neurologista e Neurofisiologista pela USP, explica sobre a Diplopia ou Visão Dupla, seus tipos, causas e sintomas associados.
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Segundo informações da Mayo Clinic, geralmente, a visão dupla ocorre quando os olhos estão desalinhados, ou seja, não estão direcionados para o mesmo objeto. Assim, as imagens capturadas pelos olhos e enviadas para a região cerebral responsável pelo processamento visual são percebidas de forma não sincronizada.
Em condições normais, nossos olhos estão apontados para o mesmo objeto, pois temos um complexo conjunto de músculos oculares e nervos que se comunicam uns com os outros para manter os dois olhos se movendo juntos. Qualquer problema que ocorra em alguma destas estruturas pode ser a causa para a diplopia.
A diplopia pode ser do tipo monocular ou binocular:
Essa distinção é muito importante porque a visão dupla monocular nunca é perigosa, enquanto a visão dupla binocular pode ser causada por algumas condições neurológicas.
Outra maneira de avaliar qual o tipo de visão dupla é fechar cada olho separadamente. Se a visão dupla acontecer apenas em um olho, você tem diplopia monocular. A visão dupla é do tipo binocular, quando acontece com os dois olhos abertos e desaparace quando você fecha tanto o olho direito quanto o olho esquerdo.
A Cleveland Clinic explica que as causas da diplopia podem ser classificadas de acordo com o tipo de visão dupla.
Geralmente é causada por problemas estruturais oculares, e em muito poucos casos está relacionada a alterações neurológicas. Algumas de suas causas podem ser:
Em todos esses casos de alteração da estrutura ocular, uma vez corrigida a alteração, a visão dupla desaparece.
Uma alteração neurológica ou problemas musculares oculares pode estar na raiz do problema. Algumas de suas causas podem ser:
Outros fatores, como problemas de tireoide ou mesmo problemas mecânicos nos músculos extraoculares, também podem levar ao desalinhamento ocular.
Diabetes, hipertensão arterial e esclerose múltipla são doenças comuns que podem causar paralisia temporária dos nervos que controlam os músculos dos olhos.
A oclusão microvascular dos nervos cranianos — frequentemente associada a diabetes e hipertensão — é a causa mais comum de diplopia binocular em adultos com mais de 50 anos, afetando com maior frequência o sexto nervo craniano (abducente). Na maioria desses casos, a recuperação ocorre espontaneamente em semanas a meses, especialmente quando os fatores de risco vascular são adequadamente controlados.
Outra causa importante e frequentemente subestimada é a doença ocular tireoidiana (oftalmopatia de Graves), uma condição inflamatória autoimune que afeta os músculos ao redor dos olhos e pode causar diplopia mesmo em pacientes com função tireoidiana aparentemente normal — sendo mais comum em mulheres entre 40 e 60 anos.
Na esclerose múltipla, lesões inflamatórias do sistema nervoso que afetam várias partes do sistema visual podem resultar em visão dupla que varia ao longo do tempo. A síndrome de Guillain-Barré também pode produzir visão dupla a partir de danos nos nervos.
A enxaqueca pode causar um estrabismo repentino, mas temporário e, na Miastenia gravis, a comunicação entre os nervos e os músculos oculares é prejudicada, resultando em diplopia que varia conforme as horas do dia, tipicamente piorando juntamente com a fadiga.
É importante destacar que a Miastenia Gravis ocular é uma causa de diplopia que exige alto índice de suspeição clínica. Entre 50% e 60% dos pacientes com Miastenia Gravis apresentam como primeiros sintomas apenas ptose e diplopia, sem fraqueza muscular nos membros. O que diferencia esse quadro de outras causas é a característica flutuação dos sintomas: a visão dupla piora com a fadiga — especialmente ao final do dia ou após esforço — e melhora com o repouso. Episódios prévios de diplopia que se resolveram espontaneamente, mas que se repetem, também são um sinal de alerta importante para essa condição.
Algumas condições com risco de vida também podem causar visão dupla, incluindo:
Entretanto, esses casos são menos frequentes. Além disso, sintomas como dor severa nos olhos ou dor de cabeça podem ocorrer juntamente com as alterações visuais. Qualquer dor de cabeça acompanhada de mudanças de visão é considerada de risco de vida e requer cuidados médicos imediatos.
Nos últimos anos, a infecção por COVID-19 passou a ser reconhecida como uma causa de diplopia binocular, por mecanismos neuroinflamatórios que podem afetar os nervos cranianos responsáveis pelo movimento dos olhos — especialmente o terceiro, o sexto e o sétimo nervo craniano. Uma revisão sistemática publicada em 2025 documentou casos de diplopia associados tanto à infecção ativa pelo SARS-CoV-2 quanto, em menor frequência, à vacinação contra a COVID-19, com sintomas surgindo de um dia a algumas semanas após a exposição.
Os mecanismos incluem inflamação direta dos nervos, resposta imunológica anormal e, em alguns casos, oclusões microvasculares. Na maioria dos casos documentados, a recuperação foi completa em dias a meses com tratamento adequado. Pacientes com histórico recente de COVID-19 que desenvolvam visão dupla devem informar esse antecedente ao médico durante a avaliação.

Estrabismo é uma condição caracterizada pelo desalinhamento dos olhos. Ou seja, cada olho aponta para uma direção diferente. Por exemplo:
A maioria das pessoas com estrabismo tem a condição desde o nascimento. Em muitos bebês, é difícil encontrar uma verdadeira causa. Às vezes, é causado por um grande erro refrativo (em que há necessidade de óculos prescritos) e às vezes tumores oculares.
Apesar dos olhos estarem desalinhados, a maioria das crianças não sofre de visão dupla, pois o cérebro compensa, suprimindo uma das imagens.
As crianças parecem se adaptar rapidamente ao estrabismo: seu cérebro aprende rapidamente a suprimir uma das imagens. No entanto, quando uma imagem é suprimida, a criança corre o risco de desenvolver ambliopia, muitas vezes referida como olho preguiçoso, em que os músculos que rodeiam os olhos tornam-se mais fracos, já que o cérebro está ignorando a informação captada por um dos olhos.
Quando o estrabismo se desenvolve em adultos, é mais provável que ocorra visão dupla, pois o cérebro adulto tem dificuldade para suprimir a visão de um dos olhos, já que, durante grande parte de sua vida, ambos os olhos estavam funcionando normalmente.
Conforme a Stanford Health Care, algumas pessoas com visão dupla podem sentir náuseas ou vertigem por causa do campo de visão alterado. Outras podem experimentar tensão ocular e sensibilidade à luz ou sons.
Ao experimentar visão dupla, também é possível sentir:
Visão dupla e dores de cabeça têm uma relação em que se torna difícil identificar se a diplopia causou a dor de cabeça ou se a diplopia faz parte da gama de sintomas de uma crise de enxaqueca.
Se você experimentar visão dupla de início súbito, com ou sem qualquer um dos outros sintomas acima, procure atendimento médico o mais rápido possível. Em casos de diplopia binocular aguda associada a dor de cabeça intensa, queda de pálpebra, alteração do tamanho da pupila, fraqueza nos membros ou dificuldade para falar, dirija-se imediatamente a uma emergência hospitalar, pois essas combinações de sintomas podem indicar condições com risco de vida, como aneurisma cerebral ou AVC.
Uma orientação prática: feche um olho de cada vez. Se a visão dupla desaparecer ao fechar qualquer um dos olhos individualmente, ela é binocular — e esse tipo sempre requer avaliação especializada urgente.
As causas da visão dupla podem variar de algo facilmente corrigível a algo mais complicado, como uma doença crônica. Sendo assim, cada possível causa para a diplopia tem complicações potenciais.
Episódios temporários de visão dupla podem acontecer por muitas razões, incluindo beber muito álcool ou estar excessivamente cansado. Nestes casos, a diplopia acontece por um curto prazo e geralmente não é motivo de preocupação. Mas quando o sintoma começa a acontecer com uma certa frequência, requer uma avaliação médica para determinar a causa.
Visão dupla é um sintoma de algo anormal acontecendo em seu olho, cérebro ou sistema nervoso. Em muitos casos, é o resultado de uma condição tratável. Mas qualquer mudança repentina em sua visão requer atenção médica.
Algumas condições precisam de cuidados médicos urgentes para evitar perda permanente de visão ou complicações fatais. Em nosso próximo artigo, vamos explicar como determinamos a causa da diplopia e suas formas de tratamento.
A diplopia - ou visão dupla - é um sintoma que pode ter origens muito distintas: desde problemas estruturais oculares simples e facilmente corrigíveis, como erros refrativos e cataratas, até condições neurológicas potencialmente graves, como paralisia de nervos cranianos, aneurisma cerebral ou AVC.
As causas mais comuns de diplopia binocular em adultos com mais de 50 anos são as paralisias microvasculares dos nervos cranianos — frequentemente associadas a diabetes e hipertensão —, seguidas por condições como Miastenia Gravis, doença ocular tireoidiana, esclerose múltipla e síndrome de Guillain-Barré. Os sintomas associados — como dor de cabeça, ptose, tontura e fraqueza ocular — ajudam o neurologista a identificar a causa e definir a urgência do atendimento.
Sempre que a diplopia aparecer de forma súbita, a conduta correta é buscar avaliação médica imediata, independentemente de outros sintomas presentes.
Nos últimos anos, a literatura científica trouxe contribuições importantes para a compreensão das causas da diplopia. Uma das mais relevantes é a documentação de casos de diplopia binocular associados à infecção por COVID-19 e, em menor frequência, à vacinação contra a doença — ambos por mecanismos neuroinflamatórios que afetam os nervos cranianos responsáveis pelo movimento dos olhos. E a Miastenia Gravis ocular — que em 50% a 60% dos casos se apresenta inicialmente apenas com ptose e diplopia — continua sendo uma causa que exige alto índice de suspeição clínica, pois seus sintomas flutuantes e a tendência a piorar com a fadiga podem ser confundidos com causas menos graves.
Em todos esses cenários, o acompanhamento neurológico especializado é indispensável para identificar a causa correta e encaminhar o tratamento mais adequado.
Dr Diego de Castro é Neurologista pela USP especialista em distúrbios do movimento.
Conhece alguém com visão dupla? Indique esse artigo para mostrar a importância da avaliação médica para o diagnóstico definitivo.
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