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Esclerose Múltipla - Causas e Sintomas

Dr Diego de Castro
17/11/2021
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Segundo a U.S. National Library of Medicine, esclerose múltipla (EM) é uma doença neurológica que danifica a baia de mielina, o material que envolve e protege suas células nervosas. Ela pode afetar o cérebro, a medula espinhal e os nervos ópticos, causando problemas com visão, equilíbrio, controle muscular e outras funções básicas do corpo.

Neste artigo, Dr Diego de Castro, Neurologista e Neurofisiologista pela USP, explica sobre a Esclerose Múltipla, suas causas e sintomas.

Como a Esclerose Múltipla se Desenvolve

Conforme a Multiple Sclerosis Australia, a Esclerose Múltipla é uma doença autoimune. Em outras palavras, o sistema imunológico, que normalmente protege seu corpo de agentes que podem causar doenças, sofre uma espécie de desregulação e começa a atacar partes saudáveis do organismo.

Na esclerose múltipla, o sistema imunológico ataca e danifica erroneamente a mielina, uma camada protetora ao redor das células nervosas, composta por um material gorduroso. A mielina é importante para que as mensagens elétricas que o cérebro envia para o resto do corpo viajem de forma rápida e eficiente.

À medida que a mielina se quebra (processo chamado de desmielinização) durante um ataque do sistema imunológico, o cérebro não consegue enviar sinais nervosos para outras partes do corpo, resultando em uma série de sintomas.

Processo de Desmielinização
Processo de Desmielinização

Causas e Fatores de Risco

Segundo o NHS, a causa da esclerose múltipla ainda é desconhecida. Não está claro por que ela se desenvolve em algumas pessoas e não em outras, mas parece que uma combinação de genética e fatores ambientais é responsável pelo início da doença.

Entre os fatores que podem aumentar o risco de desenvolver esclerose múltipla, estão:

  • Idade. Pode ocorrer em qualquer idade, mas inicia geralmente em torno de 20 e 40 anos de idade
  • Sexo. As mulheres têm de duas a três vezes mais chances que os homens de ter esclerose múltipla
  • Histórico familiar. Se um de seus pais ou irmãos teve esclerose múltipla, você corre maior risco de desenvolver a doença
  • Certas infecções. A infecção pelo vírus Epstein-Barr, que causa mononucleose infecciosa, está fortemente relacionada a EM
  • Raça. Os brancos, particularmente os de ascendência norte-europeia, têm maior risco. Por outro lado, pessoas de ascendência asiática, africana ou nativa americana têm menor risco.
  • Clima. A EM é mais comum em países com climas temperados
  • Baixos níveis de vitamina D e baixa exposição à luz solar está associado a um maior risco
  • Certas doenças autoimunes. Você tem um risco ligeiramente maior de desenvolver EM se tiver outras doenças autoimunes, como doença da tireoide, anemia perniciosa, psoríase, diabetes tipo 1 ou doença inflamatória intestinal
  • Tabagismo. Fumantes que experimentam um evento inicial de sintomas que podem sinalizar EM são mais propensos do que não fumantes a desenvolver um segundo evento que confirma o diagnóstico.

Sintomas

Segundo a Mayo Clinic, pessoas com esclerose múltipla sofrem com uma grande diversidade de sintomas. Eles podem ser experimentados em diferentes partes do corpo, dependendo de qual parte do cérebro, nervo óptico ou medula espinhal é afetada. Também podem sofrer mudanças na gravidade de ano para ano, mês a mês, e até mesmo no dia-a-dia.

A esclerose múltipla afeta os indivíduos de forma diferente. Para alguns, começa com uma sensação sutil, e seus sintomas não progridem por meses ou anos. Às vezes, os sintomas pioram rapidamente, dentro de semanas ou meses.

Os sintomas mais comuns de esclerose múltipla são:

  • Fraqueza muscular: As pessoas podem desenvolver músculos fracos, devido à falta de uso ou estimulação, por causa dos danos nos nervos.
  • Dormência e formigamento, que pode afetar o rosto, corpo ou braços e pernas.
  • Fadiga: Falta de energia ou cansaço excessivo incomum. A fadiga da EM tende a piorar à medida que o dia passa, é frequentemente agravada pelo calor e umidade, e começa mais facilmente ou mesmo repentinamente.
  • Tontura e vertigem: São problemas comuns, juntamente com questões de equilíbrio e coordenação. Geralmente acontecem devido a lesão ao redor do tronco cerebral ou no cerebelo, região cerebral que ajuda a controlar seu equilíbrio. Qualquer lesão que interrompa os sinais nervosos que ajudam a manter o equilíbrio pode causar tontura.
  • Tremor: Os tremores da EM também resultam de danos ao cerebelo. Nestes pacientes, o tremor pode afetar a cabeça, braços ou pernas e ocorre quando a pessoa tenta segurar algo ou mover sua mão ou pé para um ponto preciso (o chamado tremor de intenção). Tremores posturais (quando se senta ou se levanta, mas não ao se deitar) também podem acontecer.
  • Sinal de Lhermitte: Sensação como um choque elétrico, que percorre a coluna cervical e dorsal, com irradiação para as pernas, ao mover o pescoço.
  • Problemas na bexiga: Dificuldade para esvaziar a bexiga ou necessidade de urinar com frequência ou de repente, conhecida como incontinência de impulso. A perda do controle da bexiga é um sinal precoce de EM.
  • Problemas intestinais: O deslocamento lento dos resíduos alimentares pelo cólon dificulta a reabsorção de água, tornando as fezes. A dificuldade de evacuar também pode acontecer devido a fraqueza ou falta de coordenação dos músculos anais; fraqueza dos músculos do assoalho pélvico e problemas no ânus.
  • Disfunção sexual: Tanto homens quanto mulheres podem perder o interesse pelo sexo.
  • Espasticidade e espasmos musculares: Este é um sinal precoce de EM. Fibras nervosas danificadas na medula espinhal e cérebro podem causar espasmos musculares dolorosos, inclusive nas pernas.
  • Problemas de visão: Algumas pessoas podem experimentar visão dupla ou turva ou uma perda parcial ou total da visão, geralmente em um olho de cada vez. A inflamação do nervo óptico pode resultar em dor quando o olho se move.
  • Alterações de marcha e mobilidade: A esclerose múltipla pode mudar a forma como as pessoas caminham, devido à fraqueza muscular e problemas com equilíbrio, tontura e fadiga.
  • Distúrbios emocionais e depressão: Desmielinização e danos nas fibras nervosas no cérebro podem desencadear alterações emocionais.
  • Problemas de aprendizagem e memória: Isso pode dificultar a concentração, o plano, o aprendizado, a priorização e o multitarefa.
  • Dor: Dor é um sintoma comum na EM. A dor neuropática é diretamente relacionada à lesão nervosa. Outros tipos de dor ocorrem por causa da fraqueza ou rigidez dos músculos.

Os sintomas menos comuns incluem:

  • Dor de cabeça
  • Perda auditiva
  • Coceira na pele
  • Problemas respiratórios
  • Convulsões
  • Distúrbios da fala
  • Dificuldade para engolir.

Nos estágios posteriores, as pessoas podem experimentar mudanças na percepção e no pensamento, bem como na sensibilidade ao calor.

Tipos de Esclerose Múltipla e suas Fases

A International Advisory Committee on Clinical Trials of MS explica que embora não seja possível prever como a doença irá progredir em um paciente, podemos definir quatro cursos básicos de doença:

Síndrome Clinicamente Isolada (CIS, do inglês, Clinically Isolated Syndrome)

Definida como um primeiro episódio de sintomas neurológicos causados por inflamação e desmielinização no sistema nervoso central. O episódio é característico da esclerose múltipla, mas ainda não atende aos critérios para um diagnóstico de EM, pois também pode ser a primeira manifestação de outras condições como o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), a Doença de Behçet, dentre outras.

A CIS deve ser avaliada por um neurologista especialista em doenças desmielinizantes, para definir o risco de conversão para esclerose múltipla.

Esclerose Múltipla Remitente Recorrente (EMRR)

O curso mais comum da doença é caracterizado por ataques claramente definidos de sintomas neurológicos. Também chamados de recaídas ou exacerbações, estes ataques são seguidos por períodos de recuperação parcial ou completa (remissões).

Durante as remissões, todos os sintomas podem desaparecer, ou alguns podem continuar e se tornar permanentes. No entanto, não há progressão aparente da doença durante os períodos de remissão.

Esclerose Múltipla Progressiva Primária (EMPP)

Caracteriza-se pela piora gradual da função neurológica a partir do início dos sintomas, sem recaídas ou remissões. Mas os tratamentos existentes não são muito eficazes para este tipo de esclerose múltipla.

O diagnóstico da EMPP ocorre, geralmente, mas tarde na vida, afetando principalmente as mulheres e causando incapacidade mais precocemente do que nos outros tipos.

Esclerose Múltipla Progressiva Secundária (EMPS)

Geralmente entre 10 e 20 anos após diagnóstico de EMRR, algumas pessoas evoluem para este tipo. O curso da doença torna-se mais estável, praticamente sem recaídas ou remissões.

O processo de danos continua. Porém, há menos inflamação e mais um declínio lento no funcionamento dos nervos.

A EMPS é difícil de tratar e de controlar no dia-a-dia. Os tratamentos funcionam de forma moderada, mas a maioria das pessoas enfrentam dificuldades para realizar suas atividades diárias.

Não há cura para esclerose múltipla. No entanto, os tratamentos podem ajudar a acelerar a recuperação de ataques, modificar o curso da doença e gerenciar os sintomas.

Em nosso próximo artigo, vamos explicar sobre diagnóstico e tratamento da Esclerose Múltipla, o curso da doença e cuidados para manter o controle dos seus sintomas com qualidade de vida.

Dr Diego de Castro Neurologista

Dr Diego de Castro cuida de pacientes com diversas doenças neurológicas e realiza o exame de eletroneuromiografia SP e eletroneuromiografia em Vitória ES em casos complexos e condições genéticas raras.

Com o propósito de oferecer um atendimento de excelência e confiança, o Dr Diego de Castro realiza uma avaliação neurológica minuciosa, capaz de auxiliar na definição diagnóstica de seus sintomas e atua juntamente à equipe multidisciplinar para fornecer um tratamento eficaz a seus pacientes.

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Dr Diego de Castro dos Santos
Neurologia - Dr Diego de Castro
Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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