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Sialorreia - Saiba mais sobre Salivação Excessiva

Dr. Diego de Castro dos Santos05/06/2020,
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A palavra Sialorreia tem origem do grego "sialo" que significa "saliva" e "-reia" "fluxo". A sialorreia representa uma condição de fluxo de saliva aumentado, salivação excessiva ou babar muito.

A sialorreia é um evento normal em crianças em fase de aleitamento. À medida que os indivíduos crescem, a sialorreia pode ocorrer transitoriamente diante de medicamentos ou infecções. Quando ela se torna contínua, pode indicar doenças neurológicas.

Neste artigo, Dr Diego de Castro Neurologista da USP aborda o que é a sialorreia, suas causas e sintomas, com foco em doenças neurológicas.

O que é Sialorreia?

Popularmente, a sialorreia é conhecida como “babar muito, babação” ou “salivação excessiva”.

Segundo pesquisa disponível na National Library of Medicine, nos bebês ela é um evento normal associado ao amadurecimento das glândulas salivares. Nas crianças mais velhas ela pode surgir durante a fase de dentição ou em infecções virais.

Nos adultos, alguns medicamentos e inflamação das glândulas salivares (sialadenite) podem aumentar a produção de saliva causando a sensação de "babação". Os sintomas melhoram com a retirada do medicamento ou resolução do evento inflamatório.

No entanto, é preciso estar atento a situações em que a sialorreia é sinal de disfunção neurológica. Quando a sialorreia é contínua e por longo período, ela pode ocorrer por:

  1. Aumento da produção de saliva
  2. Dificuldade de engolir a saliva

Muitas doenças neurológicas podem causar sialorreia. A condição tem grande impacto social na vida dos indivíduos.

A Produção de Saliva e as Glândulas Salivares

Toda produção de saliva humana é feita pelas glândulas salivares. São 03 pares de glândulas situados em cada lado do corpo:

  1. Parótidas: Localizam-se em cada lado do rosto, no canto da mandíbula próximo a orelha.
  2. Submandibulares: Situam-se próximo ao queixo,
  3. Sublinguais: Situam-se debaixo da língua.

Todas as glândulas lançam a saliva para dentro da boca. Segundo pesquisa publicada no Intechopen, no total, um volume de 1,5 litros de saliva é produzido diariamente. As glândulas submandibulares e parótidas juntas produzem 80-90% desse volume total.

A saliva contém uma enzima denominada ptialina, importante para iniciar a digestão do amido. Além disso, ela lubrifica a boca, facilitando o ato de engolir (deglutição).

A produção de saliva é controlada pelo sistema nervoso. Por esse motivo, doenças neurológicas podem causar a sialorreia.

De modo semelhante, todo o volume de saliva produzido precisa ser engolido constantemente. Assim, doenças neurológicas que causam problemas de deglutição também causam sialorreia.

Causas da Sialorreia

Segundo pesquisa da American Family Physician, do ponto de vista neurológico, as causas da sialorreia são divididas em 02 grandes grupos:

  1. Aumento da produção: A saliva é produzida e liberada pelas glândulas salivares em quantidade aumentada. Exemplos:
    • Crianças com Paralisia Cerebral
    • Síndrome de Down
    • Doença de Parkinson
    • Uso de medicamentos
  2. Diminuição da depuração da saliva: Relacionada a dificuldade de engolir, por fraqueza muscular ou incoordenação. Exemplos:
    • AVC
    • Esclerose Lateral Amiotrófica e Doenças Neuromusculares
    • Doença de Alzheimer
    • Paralisia Supranuclear Progressiva
    • Entre outras.

A dificuldade de engolir compõe o grande responsável pela sialorreia nas doenças neurológicas. Para engolir, os indivíduos precisam do movimento adequado de músculos da língua, palato e faringe para finalmente a saliva alcançar o esôfago.

Esse fluxo de saliva da cavidade oral para o esôfago também depende de outros fatores como:

  • Habilidades cognitivas e mentais
  • Deglutição intacta
  • Sensibilidade oral
  • Fechamento labial e capacidade de manter a cabeça ereta.

Assim sendo, qualquer condição que também afete um desses fatores também causa sialorreia.

Sialorreia

Consequências da Sialorreia

Segundo pesquisa do Journal of Oral Pathology & Medicine, as consequências da sialorreia relacionam-se ao impacto na vida social, constrangimento, além dos riscos de desenvolvimento de outros problemas de saúde. Entenda:

  • A maioria dos pacientes se sente envergonhado pela sialorreia. Para fugir do embaraço social, esses pacientes se isolam e não frequentam lugares coletivos em que precisem comer ou falar.
  • A sialorreia pode atrapalhar a fala e dicção, dificultando a compreensão das palavras durante uma conversa.
  • A salivação excessiva pode causar constante “microaspiração”, situação em que a saliva, ao invés de ser engolida, desce pela laringe e traqueia, alcançando os pulmões.
  • Ao aspirar a saliva, os indivíduos engasgam e apresentam tosse frequente.
  • Por último, a microaspiração do excesso de saliva é uma causa comum de pneumonias repetidas, internações e óbitos em pacientes com doenças neurológicas.

Sialorreia e Doenças Neurológicas

Qualquer doença neurológica que afeta a produção ou depuração de saliva pode causar sialorreia. De modo geral, os pacientes que mais sofrem com a salivação excessiva são:

  • Crianças com Paralisia Cerebral
  • Indivíduos com Doença de Parkinson
  • Portadores de Esclerose Lateral Amiotrófica
  • Vítimas de AVC

Discutimos abaixo essas principais condições:

Paralisia Cerebral

De acordo com a American Academy of Cerebral Palsy, a sialorreia ocorre em aproximadamente 40% das crianças com paralisia cerebral. Há aumento de produção de saliva e o quadro é agravado por incoordenação muscular e dificuldades de percepção.

Neste grupo, a preocupação é relacionada principalmente a pneumonia aspirativa. Ao tratar a salivação excessiva, há diminuição do risco de pneumonia.

Doença de Parkinson

Segundo a Revista Nature, pacientes com Parkinson sofrem com o impacto social da sialorreia. Este pode ser um sintoma debilitante e constrangedor. Nas fases avançadas do Parkinson e em outras formas de Parkinsonismo, o quadro é agravado aumentando a chance de pneumonia aspirativa.

Como os pacientes com Parkinson já utilizam muitos medicamentos, o melhor tratamento para esses indivíduos é a aplicação de toxina botulínica (Botox).

Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)

Pesquisa da Revista Degenerative Neurological Neuromuscular Disease aponta que na Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), a sialorreia é um sintoma debilitante. Inclusive pode ser o primeiro sintoma da doença e se agravar com sua progressão. A salivação excessiva ocorre devido à espasticidade muscular, controle inadequado dos músculos do palato e língua além da perda de força muscular.

Medicamentos e a aplicação de toxina botulínica podem diminuir a salivação. No entanto, esses pacientes podem necessitar de constante aspiração da cavidade oral.

Acidente Vascular Cerebral (AVC)

Algumas pesquisas apontam que a sialorreia pode acometer 25-65% dos pacientes na fase aguda do AVC. Ela geralmente acompanha dificuldade de fala e de deglutição. Pode melhorar muito com o tratamento fonoaudiológico.

Alguns pacientes podem persistir com o quadro. Nesse ponto, o excesso de saliva atrapalha a dicção e aumenta o risco de pneumonia. Essa é uma das condições com melhor resposta ao tratamento.

Tratamentos

De acordo com a Revista ScienceDirect, o tratamento da sialorreia é realizado com uma equipe multidisciplinar e envolve uma série de abordagens, como:

  1. Reabilitação fonoaudiológica
  2. Medicamentos
  3. Aplicação de toxina botulínica (botox) nas glândulas salivares
  4. Cirurgia em casos mais graves.

Abordamos um artigo completo sobre o tratatamento da sialorreia, principalmente a importância da aplicação de toxina botulínica. Leia em: Tratamento da Salivação Excessiva com Aplicação de Toxina Botulínica em Glândulas Salivares.

Dr Diego de Castro Neurologista

Dr Diego de Castro é Neurologista da USP e cuida de pacientes com sialorreia.

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Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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