

Viver com a sensação de agonia nas pernas, especialmente quando mais precisa de repouso, é um desafio que consome energia e paciência de qualquer pessoa. A Síndrome das Pernas Inquietas (SPI) não afeta apenas o sono; ela interfere na disposição diária, no humor e na capacidade de aproveitar momentos simples com a família e amigos.
Segundo a RLS-UK, o diagnóstico dessa condição não é uma sentença definitiva de desconforto, desde que algumas falhas comuns sejam identificadas e corrigidas.
Neste artigo, Dr Diego de Castro Neurologista e Neurofisiologista pela USP explica sobre os principais erros que podem estar agravando os seus sintomas e como ajustar a rota para obter um alívio sustentável.
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Conforme o NINDS, um dos erros mais frequentes é a tentativa de tratar a Síndrome das Pernas Inquietas como se ela fosse apenas um sintoma de estresse ou cansaço muscular. Essa visão simplista impede que você tenha acesso às estratégias que realmente estabilizam o sistema nervoso.
Muitas vezes, o paciente inicia o uso de medicações sem antes passar por uma investigação rigorosa das causas metabólicas, o que resulta em um alívio passageiro seguido de uma piora frustrante.
A SPI funciona como um sistema de sensores altamente sensíveis. Se a calibração desses sensores estiver incorreta, seja por falta de nutrientes ou por interferências químicas, qualquer estímulo mínimo será interpretado pelo cérebro como uma necessidade urgente de movimento. Portanto, focar apenas em "silenciar" as pernas com remédios, sem entender o que está desregulando o sensor, é um equívoco que mantém o ciclo da doença ativo por anos.
Como já abordamos em artigos anteriores, a deficiência de ferro é o pilar central da maioria dos casos de pernas inquietas. No entanto, o erro persiste quando se analisa apenas a presença de anemia.
Informações publicadas no Journal of Clinical Sleep Medicine apontam que mesmo um hemograma perfeitamente normal pode não mostrar a falta de ferro dentro do sistema nervoso central. Ignorar a meta de ferritina específica para pacientes neurológicos é o erro número um que impede a melhora.
Para que o seu tratamento avance, é preciso considerar os seguintes pontos sobre a reserva de ferro:
Estamos falando daqueles hábitos ou medicamentos para outras condições que, sem que você perceba, estão alimentando a agitação noturna.
Muitos pacientes utilizam substâncias para tentar dormir que, paradoxalmente, pioram a síndrome das pernas inquietas. Esse é um ponto crítico onde o conhecimento detalhado sobre as interações químicas faz toda a diferença na sua qualidade de vida.

Existem gatilhos comuns que frequentemente passam despercebidos:
A Restless Legs Syndrome Foundation explica que corrigir os erros do tratamento não se resume a trocar de comprimido; envolve uma reestruturação da forma como você prepara o seu corpo para o descanso. É perfeitamente possível ver uma redução significativa na intensidade da agonia ao ajustar comportamentos que parecem inofensivos. Na Neurologia moderna, entendemos que o ambiente e a rotina ditam a velocidade com que o cérebro "desliga" os comandos motores excessivos.
Muitas pessoas cometem o erro de lutar contra a agonia permanecendo deitadas, o que gera uma associação negativa com a própria cama. Se o sintoma surgir, o ideal é realizar um movimento suave ou um alongamento leve para satisfazer a necessidade do sistema nervoso, voltando ao repouso apenas quando a crise diminuir. Esse tipo de ajuste de conduta ajuda a diminuir a ansiedade antecipatória que muitos pacientes sentem ao pôr do sol.
A higiene do sono para quem tem pernas inquietas precisa ser mais rigorosa. Um erro frequente é realizar atividades fisicamente exaustivas ou mentalmente estimulantes muito perto do horário de deitar. O cérebro precisa de um período de "descompressão" para que a química da dopamina e da melatonina trabalhe a seu favor.
Além disso, a dieta desempenha um papel que vai além do ferro. A hidratação adequada e o controle do açúcar são fundamentais. O excesso de glicose no sangue pode afetar a microcirculação e a sensibilidade nervosa, tornando as crises mais frequentes e dolorosas. Estabelecer um ritual noturno que inclua banhos mornos ou técnicas de relaxamento muscular pode ser o diferencial que permite ao medicamento agir com mais eficácia e em doses menores.
O sucesso no tratamento da Síndrome das Pernas Inquietas depende da sua capacidade de identificar e eliminar os fatores que estão "remando contra" a sua recuperação. Erros como a análise superficial dos níveis de ferro, o uso de medicamentos inadequados para alergia ou a falta de uma rotina de sono estruturada são os principais obstáculos para o seu bem-estar.
Compreender que a SPI exige uma abordagem que une a correção metabólica à mudança de estilo de vida é o que permitirá que você recupere o controle sobre suas noites.
É fundamental buscar o acompanhamento de um neurologista especializado para que esse ajuste fino seja realizado com segurança. Com o diagnóstico preciso e a correção das falhas comuns no manejo da síndrome, a possibilidade de dormir com tranquilidade e acordar com disposição deixa de ser um desejo distante para se tornar a sua nova realidade. Priorize sua saúde neurológica e comece hoje mesmo a transformar as suas noites.
Dr Diego de Castro é Neurologista pela USP e cuida de pacientes com problemas do sono e outras condições neurológicas.
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