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Pernas Inquietas: Conheça os Erros que Impedem o seu Tratamento

Dr Diego de Castro
07/01/2026
Dr Diego de Castro Neurologia
Autor: 
Dr. Diego de Castro dos Santos

CRM-SP 160074 / CRM-ES 11.111
Neurofisiologia clínica - RQE 74154
Neurologia - RQE 74153.
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Viver com a sensação de agonia nas pernas, especialmente quando mais precisa de repouso, é um desafio que consome energia e paciência de qualquer pessoa. A Síndrome das Pernas Inquietas (SPI) não afeta apenas o sono; ela interfere na disposição diária, no humor e na capacidade de aproveitar momentos simples com a família e amigos. 

Segundo a RLS-UK, o diagnóstico dessa condição não é uma sentença definitiva de desconforto, desde que algumas falhas comuns sejam identificadas e corrigidas.

Neste artigo, Dr Diego de Castro Neurologista e Neurofisiologista pela USP explica sobre os principais erros que podem estar agravando os seus sintomas e como ajustar a rota para obter um alívio sustentável.

Falhas no Diagnóstico e no Gerenciamento dos Sintomas

Conforme o NINDS, um dos erros mais frequentes é a tentativa de tratar a Síndrome das Pernas Inquietas como se ela fosse apenas um sintoma de estresse ou cansaço muscular. Essa visão simplista impede que você tenha acesso às estratégias que realmente estabilizam o sistema nervoso. 

Muitas vezes, o paciente inicia o uso de medicações sem antes passar por uma investigação rigorosa das causas metabólicas, o que resulta em um alívio passageiro seguido de uma piora frustrante.

A SPI funciona como um sistema de sensores altamente sensíveis. Se a calibração desses sensores estiver incorreta, seja por falta de nutrientes ou por interferências químicas, qualquer estímulo mínimo será interpretado pelo cérebro como uma necessidade urgente de movimento. Portanto, focar apenas em "silenciar" as pernas com remédios, sem entender o que está desregulando o sensor, é um equívoco que mantém o ciclo da doença ativo por anos.

A Negligência com os Níveis de Ferro Cerebral

Como já abordamos em artigos anteriores, a deficiência de ferro é o pilar central da maioria dos casos de pernas inquietas. No entanto, o erro persiste quando se analisa apenas a presença de anemia. 

Informações publicadas no Journal of Clinical Sleep Medicine apontam que mesmo um hemograma perfeitamente normal pode não mostrar a falta de ferro dentro do sistema nervoso central. Ignorar a meta de ferritina específica para pacientes neurológicos é o erro número um que impede a melhora.

Para que o seu tratamento avance, é preciso considerar os seguintes pontos sobre a reserva de ferro:

  • A Ferritina "Normal" Não Basta: Valores que os laboratórios consideram aceitáveis para a população geral costumam ser insuficientes para quem tem SPI.
  • O Transporte do Ferro: Além do estoque (ferritina), a saturação de transferrina precisa ser avaliada para garantir que o mineral esteja chegando onde é necessário.
  • A Barreira do Cérebro: Sem níveis otimizados, o ferro não consegue atravessar a barreira hematoencefálica para auxiliar na produção de dopamina.

O Uso de Substâncias que Atuam como Gatilhos

Estamos falando daqueles hábitos ou medicamentos para outras condições que, sem que você perceba, estão alimentando a agitação noturna. 

Muitos pacientes utilizam substâncias para tentar dormir que, paradoxalmente, pioram a síndrome das pernas inquietas. Esse é um ponto crítico onde o conhecimento detalhado sobre as interações químicas faz toda a diferença na sua qualidade de vida.

Gatilhos da agonia nas pernas

Existem gatilhos comuns que frequentemente passam despercebidos:

  • Antialérgicos e Remédios para Enjoo: Determinados compostos bloqueiam os receptores de dopamina, agravando a sensação de inquietude quase imediatamente após o uso.
  • Consumo Excessivo de Estimulantes: O café, alguns chás e até o chocolate em excesso no período da tarde podem deixar o sistema nervoso em um estado de alerta incompatível com o relaxamento.
  • Álcool e Tabaco: Embora o álcool possa causar uma sonolência inicial, ele fragmenta o sono e intensifica os movimentos das pernas durante a madrugada.

Mudanças de Hábito para Recuperar a Qualidade de Vida

A Restless Legs Syndrome Foundation explica que corrigir os erros do tratamento não se resume a trocar de comprimido; envolve uma reestruturação da forma como você prepara o seu corpo para o descanso. É perfeitamente possível ver uma redução significativa na intensidade da agonia ao ajustar comportamentos que parecem inofensivos. Na Neurologia moderna, entendemos que o ambiente e a rotina ditam a velocidade com que o cérebro "desliga" os comandos motores excessivos.

Muitas pessoas cometem o erro de lutar contra a agonia permanecendo deitadas, o que gera uma associação negativa com a própria cama. Se o sintoma surgir, o ideal é realizar um movimento suave ou um alongamento leve para satisfazer a necessidade do sistema nervoso, voltando ao repouso apenas quando a crise diminuir. Esse tipo de ajuste de conduta ajuda a diminuir a ansiedade antecipatória que muitos pacientes sentem ao pôr do sol.

Ajustes na Rotina Noturna e na Dieta

A higiene do sono para quem tem pernas inquietas precisa ser mais rigorosa. Um erro frequente é realizar atividades fisicamente exaustivas ou mentalmente estimulantes muito perto do horário de deitar. O cérebro precisa de um período de "descompressão" para que a química da dopamina e da melatonina trabalhe a seu favor.

Além disso, a dieta desempenha um papel que vai além do ferro. A hidratação adequada e o controle do açúcar são fundamentais. O excesso de glicose no sangue pode afetar a microcirculação e a sensibilidade nervosa, tornando as crises mais frequentes e dolorosas. Estabelecer um ritual noturno que inclua banhos mornos ou técnicas de relaxamento muscular pode ser o diferencial que permite ao medicamento agir com mais eficácia e em doses menores.

Em Resumo

O sucesso no tratamento da Síndrome das Pernas Inquietas depende da sua capacidade de identificar e eliminar os fatores que estão "remando contra" a sua recuperação. Erros como a análise superficial dos níveis de ferro, o uso de medicamentos inadequados para alergia ou a falta de uma rotina de sono estruturada são os principais obstáculos para o seu bem-estar. 

Compreender que a SPI exige uma abordagem que une a correção metabólica à mudança de estilo de vida é o que permitirá que você recupere o controle sobre suas noites.

É fundamental buscar o acompanhamento de um neurologista especializado para que esse ajuste fino seja realizado com segurança. Com o diagnóstico preciso e a correção das falhas comuns no manejo da síndrome, a possibilidade de dormir com tranquilidade e acordar com disposição deixa de ser um desejo distante para se tornar a sua nova realidade. Priorize sua saúde neurológica e comece hoje mesmo a transformar as suas noites.

Referências

Dr Diego de Castro Neurologista e Neurofisiologista

Dr Diego de Castro é Neurologista pela USP e cuida de pacientes com problemas do sono e outras condições neurológicas.

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Tratamento de Pernas Inquietas e outros Problemas do Sono em Vitória Espírito Santo ES

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Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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