

Voce finalmente deita na cama depois de um dia exaustivo, apaga a luz, fecha os olhos… e aquela sensacao comeca. Uma gastura, uma agonia, um formigamento nas pernas. Voce sacode, estica, vira de um lado para o outro e nada passa.
O sono some. A paciencia tambem. E isso vem acontecendo quase todas as noites. Se você passa por isso, saiba que não é "coisa da sua cabeça" e muito menos apenas estresse. Essa agonia tem nome e, felizmente, tem tratamento.
Muitas pessoas sofrem caladas com os sintomas da Síndrome das Pernas Inquietas (SPI), acreditando que é uma consequência do cansaço. Não é. Segundo a Restless Legs Syndrome Foundation, trata-se de uma condição neurológica que afeta diretamente a qualidade do sono e, consequentemente, a qualidade de vida.
Atualmente, com os avanços da medicina, as diretrizes de tratamento mudaram e temos opções muito mais seguras e eficazes do que tínhamos há dez anos.
Neste artigo, Dr Diego de Castro Neurologista e Neurofisiologista pela USP explica sobre os melhores tratamentos disponíveis atualmente para a Síndrome das Pernas Inquietas.
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Para entender o remédio certo, é importante entender o mecanismo da doença. Por que isso acontece justamente quando você quer relaxar? A resposta está em um neurotransmissor chamado dopamina e no seu ciclo circadiano (o relógio biológico do corpo).
Segundo a Harvard Medical School, em nosso cérebro, a dopamina, atua como um "maestro" para os movimentos, mantendo-os suaves e controlados. E os níveis de dopamina caem naturalmente no final do dia.
Em pessoas com Síndrome das Pernas Inquietas, essa queda é muito mais acentuada ou o cérebro tem dificuldade em utilizar a dopamina disponível. O sistema nervoso fica hiperativo e a única forma que ele encontra de "pedir" mais dopamina é forçando você a se mexer. O movimento gera um pico momentâneo de alívio, mas assim que você para, a agonia volta.
Além da questão da dopamina, hoje sabemos que existem outros fatores envolvidos. O principal fator que temos observado, e que as pesquisas atuais reforçam, é a deficiência de ferro no sistema nervoso central.
O ferro é um elemento facilitador da reação que produz dopamina. Assim, quando há falta de ferro, não há dopamina suficiente, e sem dopamina, as pernas não sossegam.

Antigamente, a abordagem era quase automática: receitar medicamentos que imitavam a dopamina. Funcionava? Sim, no começo. Mas com o tempo, víamos um efeito rebote perigoso. Hoje, a abordagem é personalizada e muito mais cuidadosa.
Atualmente, dividimos o tratamento em pilares fundamentais, priorizando a segurança a longo prazo e a correção das causas base. Veja as principais abordagens que utilizamos hoje:
Esta é a mudança mais importante dos últimos anos. Antes de pensar em qualquer remédio, precisamos medir o seu estoque de ferro. E não basta olhar se você tem anemia. O seu hemograma pode estar normal, mas a sua ferritina (o estoque de ferro) pode estar baixa para o cérebro.
Para um paciente com pernas inquietas, uma ferritina de 30 ou 40 ng/mL é muito baixa. O objetivo terapêutico é mantê-la acima de 75 ou até 100 ng/mL.
Nesses casos, a suplementação oral ajuda, mas pode ser lenta e causar desconforto gástrico. Por isso, a tendência atual em casos moderados a graves é a reposição de ferro endovenoso.
É um procedimento rápido, que muitas vezes resolve ou diminui drasticamente os sintomas em questão de semanas, permitindo que o paciente reduza ou até elimine outras medicações.
Se você pesquisar tratamentos antigos, vai ouvir falar muito de pramipexol. Mas atualmente, a primeira linha de escolha medicamentosa para a maioria dos pacientes são da classe dos ligantes alfa-2-delta, como a gabapentina e a pregabalina.
A Harvard Medical School complementa que, diferente dos medicamentos antigos, eles são eficazes e seguros, agindo para modular a excitação dos nervos, ajudando não só na agonia das pernas, mas também melhorando a arquitetura do sono. Além disso, não costumam causar o fenômeno de augmentation (quando o remédio começa a piorar a doença com o tempo).
Remédios como o pramipexol e o adesivo de rotigotina ainda têm seu lugar e são excelentes para casos específicos. No entanto, temos muito mais cautela com estes medicamentos hoje em dia.
Utilizamos as menores doses possíveis para evitar que o corpo se "acostume" e o remédio perca o efeito. Eles são ótimos para alívio rápido, mas exigem um acompanhamento médico muito próximo para ajustes finos. Nunca, em hipótese alguma, aumente a dose desses remédios por conta própria.
Para casos que não respondem bem a esses tratamentos, que chamamos de refratários, existem opções como o uso controlado de opioides em doses baixíssimas ou outros medicamentos da classe dos anticonvulsivantes.
Mas, na maioria das vezes, o paciente não melhora porque a base não foi feita: o ferro não foi corrigido ou ele está tomando medicações para outras condições (como alguns antidepressivos ou antialérgicos) que pioram a agonia nas pernas.
Além dos remédios, não podemos ignorar o estilo de vida. O tratamento medicamentoso é importante, mas os seus hábitos podem influenciar os resultados.
O NHS recomenda algumas medidas simples que complementam o tratamento médico:
A Síndrome das Pernas Inquietas pode ser desesperadora. Mas você não precisa viver assim para sempre. A medicina do sono e a neurologia evoluíram muito, e hoje temos protocolos muito bem estabelecidos para devolver a sua paz noturna.
O tratamento ideal é uma combinação de corrigir o ferro, escolher a medicação certa para o seu perfil e ajustar seus hábitos. Se você se identifica com esses sintomas, não aceite a "agonia" como parte da vida. Um diagnóstico correto e um tratamento personalizado são a chave para que você possa, finalmente, deitar na cama, fechar os olhos e apenas dormir.
Dr Diego de Castro é Neurologista pela USP e cuida de pacientes com problemas do sono e outras condições neurológicas.
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