

Na Neurologia moderna, entendemos que a fibromialgia não é apenas uma "dor muscular", mas sim um estado de sensibilidade aumentada do sistema nervoso central. E o que você come tem o poder de acalmar ou de "incendiar" as células de defesa do seu cérebro. Escolher a alimentação para fibromialgia correta é, portanto, uma das formas mais eficazes de retomar o controle sobre o seu corpo.
Neste artigo, Dr. Diego de Castro, Neurologista e Neurofisiologista pela USP, detalha como as suas escolhas alimentares podem atuar como um aliado poderoso no combate à dor e à fadiga.
Assista ao vídeo para compreender a relação entre nutrição e neuroinflamação:
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Segundo artigo publicado na Nutrition Guide for Clinicians, muitas vezes, a solução para a intensidade da dor não se encontra apenas na farmácia, mas sim no que colocamos no nosso prato todos os dias.
Se eu tivesse de escolher um único grupo de alimentos para priorizar, seriam as folhas verdes escuras, como a couve, a rúcula e o espinafre. Estes alimentos são ricos em magnésio e antioxidantes que ajudam a modular os neurotransmissores da dor.
Além disso, as raízes (como a batata-doce ou a mandioca) oferecem uma fonte de energia de liberação lenta, essencial para combater a fadiga crônica sem gerar os picos de insulina que podem agravar a inflamação.
A European Alliance of Associations for Rheumatology explica que existem substâncias que funcionam como combustível para a dor:
A água é, talvez, o remédio mais subestimado no tratamento para fibromialgia. Como grande parte do nosso cérebro é composto por água, a desidratação mínima já é suficiente para aumentar a percepção da dor e a névoa mental. Beber água de forma constante ajuda o organismo a "lavar" as substâncias pró-inflamatórias e a manter o sistema nervoso em equilíbrio.
Uma área intensamente estudada atualmente é o microbioma intestinal. Artigo publicado no periódico Nutrients aponta que um intestino saudável favorece a produção de componentes utilizados na síntese de serotonina e dopamina, neurotransmissores que ajudam a bloquear os sinais de dor.
Uma dieta rica em fibras e alimentos naturais não nutre apenas o seu corpo, mas "ensina" o seu cérebro a ser menos sensível à dor através deste eixo de comunicação direta.
Atualmente, a nossa compreensão sobre a neuroinflamação e a dieta atingiu um novo patamar. Hoje, não falamos apenas em "comer bem", mas os conceitos de Psicobióticos e Pós-bióticos têm ganhado destaque na pesquisa.
Já estamos identificando que certas fibras fermentáveis produzem ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), que podem modular a inflamação sistémica e, indiretamente, a neuroinflamação em modelos experimentais. Há hipóteses e dados pré-clínicos de que AGCC e outros metabólitos possam modular a microglia/células gliais (as células de defesa do cérebro).
Esses achados ainda são predominantemente animal/in vitro, mas já possibilitam destacar o potencial da modulação da microbiota como estratégia terapêutica para o manejo dos sintomas da fibromialgia.
Além disso, o uso estratégico de especiarias como a cúrcuma e o gengibre tem sido estudado, por serem consideradas potenciais adjuvantes com propriedades anti‑inflamatórias e neuroprotetoras, embora ainda não façam parte de protocolos padronizados para fibromialgia.

Mudar a alimentação não é sobre restrição, mas sobre proteção. Ao escolher alimentos que desinflamam e hidratam, você está dando ao seu cérebro as ferramentas de que ele precisa para diminuir a intensidade da dor.
O caminho para o bem-estar é construído com paciência e consciência de que você tem o poder de influenciar a sua própria biologia.
Dr Diego de Castro é Neurologista e Neurofisiologista pela USP especialista em eletroneuromiografia e doenças neuromusculares.
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