

Muitas vezes, quem convive com a fibromialgia relata que a dor física, por mais intensa que seja, não é o único desafio diário. Segundo The American College of Rheumatology, existe um sintoma que gera angústia profunda: a sensação de que o raciocínio está lento, as palavras fogem da mente e a memória parece falhar nos momentos mais simples. Esse fenômeno, conhecido como névoa mental na fibromialgia (ou fibro fog), impacta diretamente a sua autonomia e confiança.
Neste artigo, Dr. Diego de Castro, Neurologista e Neurofisiologista pela USP, explica o que acontece no seu cérebro e como é possível "limpar" essa névoa para recuperar o foco e a clareza mental.
Assista ao vídeo para entender a explicação sobre a dificuldade com a memória na fibro:
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A névoa mental não é um sinal de que você está desenvolvendo uma doença degenerativa como o Alzheimer. The Rheumatology Research Foundation explica que a fibromialgia está ligada a alterações na forma como o cérebro processa tanto a dor quanto outras informações do dia a dia.
O que parece acontecer é um gasto maior de recursos cerebrais com a dor, o sono ruim, o cansaço e o humor, deixando menos ‘fôlego’ para funções como atenção, velocidade de raciocínio e memória de curto prazo.
Os sinais mais comuns da névoa mental:
Se eu pudesse lhe dar um conselho como alguém que quer o seu bem, seria este: não se culpe. A autocobrança e o estresse de tentar ‘forçar’ a memória tendem a piorar a dor, o sono e o cansaço, e isso, sim, deixa a névoa mental ainda mais pesada.
Conforme informações do American Academy of Family Physicians, hoje entendemos melhor que a fibromialgia envolve o cérebro como um todo, com participação de fatores como dor crônica, sono não reparador, alterações de humor e, possivelmente, inflamação de baixo grau no sistema nervoso.
Por isso, o tratamento moderno é cada vez mais multimodal, combinando cuidado com o sono, manejo do estresse, atividade física, suporte emocional e, em alguns casos, tratamentos específicos:
Durante o sono profundo, o cérebro reorganiza informações, consolida memórias e ajuda a ‘resetar’ circuitos ligados à dor e ao humor. Quando a dor impede um sono reparador, é muito mais provável que, no dia seguinte, a mente pareça lenta e confusa. Cuidar do sono é um passo central para melhorar tanto a dor quanto a clareza mental.
O movimento, especialmente o aeróbico leve (como caminhar ou pedalar), melhora a circulação, ajuda a regular o sono, reduz a sensação de dor e pode favorecer o humor. Tudo isso, em conjunto, costuma refletir em uma mente mais desperta e menos tomada pela névoa.
Não confie tudo à sua mente enquanto ela estiver sobrecarregada. Use agendas, alarmes e listas. Isso retira o "peso" do seu cérebro, permitindo que ele descanse e recupere a função aos poucos.
Nos casos em que a névoa mental e a dor permanecem muito intensas apesar das medidas de base, artigo publicado na Rheumatology Live aponta que a Estimulação Magnética Transcraniana (TMS) pode ajudar a "reorganizar" as ondas cerebrais, trazendo melhora de sintomas em parte dos pacientes, quando realizada dentro de protocolos bem definidos.
Estudos recentes sugerem que, além da dor, do sono ruim e do cansaço, pode haver um grau de inflamação nas células de defesa do cérebro (microglia) contribuindo para os sintomas de fibromialgia, inclusive a névoa mental. Ainda é um campo em desenvolvimento, mas isso reforça a importância de estratégias que acalmem o sistema nervoso como um todo.
Por isso, damos cada vez mais importância ao controle do estresse, ao sono, à atividade física regular e a uma alimentação equilibrada, que favoreça a saúde geral e intestinal. Em alguns casos, o médico pode indicar suplementação específica, conforme deficiências identificadas em exames, sempre como complemento, e não substituto, das demais estratégias.

A névoa mental na fibromialgia é o reflexo de um cérebro que está sobrecarregado. Ao tratar o corpo como um todo, cuidando do sono, da alimentação e do movimento, você oferece ao seu sistema nervoso as condições necessárias para que ele volte a funcionar com clareza. Você não está sozinho nessa jornada; com paciência e as estratégias certas, a névoa vai se dissipar.
Dr Diego de Castro é Neurologista e Neurofisiologista pela USP especialista em eletroneuromiografia e doenças neuromusculares.
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