

Receber o diagnóstico de uma condição neurodegenerativa precocemente pode parecer, à primeira vista, um obstáculo intransponível para os planos de vida. No entanto, a medicina avançou significativamente na última década, permitindo que a retomada da sua rotina seja uma meta concreta e alcançável. Compreender as particularidades do Parkinson em jovens é o primeiro passo para transformar a incerteza em uma estratégia de cuidado eficiente, focada em manter a funcionalidade e a qualidade de vida por muitos anos.
Neste artigo, Dr Diego de Castro Neurologista e Neurofisiologista pela USP explica sobre as causas, sintomas e as atualizações diagnósticas e terapêuticas do Parkinson em jovens.
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Embora a Doença de Parkinson seja frequentemente associada ao envelhecimento, uma parcela significativa da população apresenta os primeiros sinais em fases mais precoces da vida. Tecnicamente, dividimos esses casos em dois grupos:
Segundo dados da Michael J. Fox Foundation, cerca de 10% dos diagnósticos mundiais ocorrem nessas faixas etárias mais jovens.
Os casos de Parkinson em jovens apresentam uma evolução clínica distinta dos pacientes idosos. Observamos que, embora os sintomas motores possam ser mais evidentes, a progressão das dificuldades cognitivas e de equilíbrio tende a ser mais lenta. Isso significa que, com o gerenciamento correto, o indivíduo pode manter sua autonomia e atividade profissional por períodos prolongados.
À semelhança dos indivíduos mais velhos, os sintomas cardinais incluem a lentidão dos movimentos (bradicinesia), a rigidez muscular e o tremor de repouso. No entanto, a apresentação inicial no jovem muitas vezes é sutil, podendo manifestar-se como uma dor no ombro que não melhora ou uma diminuição na agilidade para digitar ou tocar um instrumento.
De acordo com diretrizes recentes da Movement Disorders Society, o Parkinson em jovens apresenta características específicas:
Conforme informações da American Parkinson Disease Association, diferente do Parkinson idoso, onde a causa costuma ser multifatorial e relacionada ao envelhecimento celular, o Parkinson em jovens possui um componente hereditário muito mais forte. À medida que as pesquisas em neurogenética avançam, descobrimos que mutações específicas são responsáveis por "desligar" precocemente a proteção dos neurônios que produzem dopamina na substância negra do cérebro.
Mutações nos genes PRKN (Parkina), PINK1 e LRRK2 são mais frequentemente encontradas em casos de Parkinson precoce. Identificar essas variantes auxilia no planejamento familiar dos pacientes que desejam ter filhos.
O diagnóstico do Parkinson em jovens ainda é clínico, baseado na história contada pelo paciente e na observação detalhada do neurologista. Entretanto, já temos ferramentas que aumentam significativamente a confiança diagnóstica.
O maior avanço recente é o Syn‑SAA (Alpha‑synuclein Seed Amplification Assay), que detecta a proteína alterada (alfa‑sinucleína) no líquor ou na pele, aumentando muito a confiança diagnóstica mesmo em fases iniciais. Contudo, trata‑se de um biomarcador ainda em fase de incorporação, não amplamente disponível na prática clínica diária e mais presente em centros de referência e estudos clínicos.
Em casos mais desafiadores, podemos usar protocolos de imagem de alta resolução para auxiliar na confirmação:
The Johns Hopkins University orienta que o objetivo atual do tratamento mudou de "adiar o uso da medicação" para "otimizar a qualidade de vida imediata". Antigamente, havia o medo de iniciar a Levodopa precocemente; hoje, as pesquisas mostram que o controle adequado dos sintomas desde o início ajuda a manter a neuroplasticidade cerebral e a funcionalidade social do indivíduo.
Segundo as evidências científicas mais atuais, o tratamento deve ser um tripé composto por medicamentos, modificação do estilo de vida e suporte tecnológico. A atividade física aeróbica e de resistência não é apenas complementar; ela atua como um fator neuroprotetor que pode retardar a progressão da doença.
As opções terapêuticas modernas incluem:
Para os jovens que apresentam flutuações motoras ou movimentos involuntários (discinesias) após alguns anos de tratamento, a cirurgia de DBS (Deep Brain Stimulation) representa uma revolução. Ao contrário do que se pensava no passado, pacientes jovens costumam responder muito bem à DBS e, por terem longa expectativa de vida e maior demanda funcional, podem ter ganhos particularmente relevantes.
A cirurgia permite uma redução drástica na carga de medicamentos e estabiliza os sintomas motores, permitindo que muitos retornem a atividades físicas e profissionais que haviam abandonado.
Assista a este vídeo e saiba mais sobre o Parkinson Juvenil:
A Doença de Parkinson em jovens exige uma abordagem especializada e atualizada, que considere não apenas o controle dos tremores, mas todo o contexto de vida de um indivíduo em fase produtiva.
Apesar de existir uma variabilidade no prognóstico, geralmente o Parkinson de início precoce possui uma progressão mais lenta, e o conhecimento científico atual oferece diversas ferramentas que permitem manter boa qualidade de vida em muitos casos. Priorize sua saúde neurológica e conte com a expertise da Neurologia moderna para viver bem, apesar do diagnóstico.
O tratamento do Parkinson em jovens começa sempre com o profundo entendimento da condição. Após a demora no diagnóstico, alguns pacientes e familiares podem ter uma reação natural de "negação da doença". Outros podem se esquivar de tomar as medicações da maneira adequada.
A má adesão ao tratamento piora a qualidade de vida dos pacientes com Parkinson precoce. Portanto, caso o diagnóstico ou tratamento seja de difícil aceitação, é preciso falar a respeito.
Busque ajuda especializada para compartilhar suas dúvidas e necessidades, incluindo grupos de apoio de pacientes, psicólogos e outros profissionais.
Dr Diego de Castro é Neurologista pela USP especializado em Parkinson, DBS e Neurogenética. Cuida de pacientes com diferentes tipos de distúrbios do movimento.
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Olá Marcelo! Obrigado por seu comentário! Com certeza o tratamento do Parkinson Precoce inclui, além dos remédios, a alimentação, cuidados com sono e depressão, e principalmente o exercício físico. Movimentar-se na Doença de Parkinson é fundamental! Para pacientes com mais de 05 anos de doença com muita discinesia ou perda parcial do efeito da medicação a cirurgia para Parkinson (DBS - Estimulação Cerebral profunda) também pode ser considerada. Abraço
Dr.Diego, Boa tarde!
Tenho um primo que está com tremores do lado esquerdo, e perdendo o movimento de andar balançando o braço e com dificuldade de colocar o sapato, isso do lado esquerdo. Já fez vários exames e todos deram resultado satisfatório, ninguém consegue descobrir o que ele tem. Já fez também a RM 3T e deu que não tem Parkison. Ele já está A 2 anos nessa luta, desde que começou a surgir os tremores. Agora ele diz que não está conseguindo ficar muito em pé que sente fraqueza na perna esquerda.
Favor, consegue nos ajudar?
Olá Bianca! Como ele é um caso complexo o melhor é ele passar comigo em uma conuslta online (por telemedicina). Caso tenha interesse favor entrar em contato pelo whatsapp com a Suzana no 27 99707-3433
Boa tarde Dr Diego! Gostaria muito de uma ajuda sua! Eu tenho 40 anos e há 4 meses comecei a ter uns tremores nas mãos, e qndo me submeto a algum esforço físico. Meu exame de "Cintilografia" apresentou "Redução dos trasnportadores dopaminérgicos" do lado esquerdo. Porém, 4 neuros que passei dizem que n tenho "clinico" para ser diagnostico de parkinsonismo ou o Parkinson, e isso esta me deixando muito aflito e preocupado. Por acaso existe uma outra causa além de Parkinson desta redução? Gostaria MUITO de um auxílio do SR, SOBRE O que fazer! Muito obrigado!
Boa Tarde, DR MINHA IRMÃ ELA TINHA HIDROCEFALIA DE PRESSAO NORMAL ERA UMA MOÇA NORMAL ATIVA FAZIA SUAS ATIVIDADES AI COLOCOU UMA VALVULA DVP E AGORA PARECE QUE ESTA COM MAL DE PARKINSON TREME AS MAOS A MADIBULA MÉDICO FALA QUE A VALVULA ESTÁ TUDO BEM MAS ELA TA RUIM DEPOIS DESSA CIRURGIA QUERIA AJUDA O SENHOR ACEIRA CONVENIO?