Sintomas Não Motores da Doença de Parkinson – Depressão, Sono e outros sintomas

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Sintomas Não Motores da Doença de Parkinson – Depressão, Sono e outros sintomas

By | 2019-11-23T20:17:20+00:00 quarta-feira 5 de junho 2019|Doença de Parkinson, Doenças Neurodegenerativas, Neurologia|
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Os Sintomas Não Motores da Doença de Parkinson compreendem a um conjunto de sintomas diversos que podem atingir até 80% dos pacientes com a doença de Parkinson. Esses sintomas por muito tempo foram negligenciados, mas limitam muito a qualidade de vida dos pacientes.

Embora a doença de Parkinson (DP) cause uma importante limitação motora pela presença de tremor, rigidez e lentidão dos movimentos ela também está associada a um número expressivo de outros sintomas. Esses sintomas são muito comuns e podem incluir distúrbios do humor, apatia, ansiedade, depressão, dificuldade de raciocínio, dificuldade de sono, problemas gastrointestinais entre outros. Esse conjunto de manifestações diversas e complexas são agrupadas sob o nome de Sintomas Não Motores da Doença de Parkinson.

Este artigo fornece uma visão geral dos sintomas não motores na DP, assim como sua abordagem clínica e terapêutica. Acompanhe.

O que são os Sintomas Não Motores da Doença de Parkinson?

Os Sintomas Não Motores da Doença de Parkinson são um grupo de sintomas que não estão relacionados diretamente com a dificuldade de movimentação, mas atingem diversas esferas do funcionamento normal do organismo dos portadores de Parkinson.

Os sintomas não motores se tornam cada vez mais frequentes com o avanço da doença de Parkinson. No entanto, alguns deles podem começar antes mesmo dos primeiros sinais motores. Isso acontece principalmente com os sintomas de depressão, diminuição do olfato ou distúrbios do sono (Distúrbio Comportamental do Sono REM).

À medida que a Doença de Parkinson progride os sintomas não motores podem se tornar um grande desafio. Cerca de 50% dos pacientes que têm doença de Parkinson há mais de 10 anos referem que os sintomas não motores podem atrapalhar a qualidade de vida tanto quanto o tremor e a dificuldade de locomoção.

Por que os pacientes com Doença de Parkinson apresentam sintomas não motores?

Os sintomas não motores da doença de Parkinson são resultado de um depósito anormal de uma proteína denominada alfasinucleína em diversos órgãos e estruturasEssa proteína anormal pode ser encontrada no intestino, nervo olfatório, pele, nervos cardíacos e outras estruturas neurológicas relacionadas ao humor, sono e comportamento. Note bem que esse depósito sobre os centros neurológicos relacionados a movimentação causa a lentidão, rigidez e tremor característicos da doença. Assim, os sintomas não motores são o resultado da lesão causada pelo depósito de alfa sinucleína em diversas regiões do organismo.

Tipos de Sintomas Não Motores

A seguir vamos falar um pouco sobre as principais categorias de sintomas não motores relatados pelos pacientes com a doença de Parkinson:

Depressão, Ansiedade, Apatia e outras alterações do humor na Doença de Parkinon

Os distúrbios do humor compõe os sintomas não motores mais comuns. Depressão e ansiedade podem estar presentes em mais de 50% dos pacientes com Doença de Parkinson. Por muito tempo acreditava-se que a depressão na Doença de Parkinson era resultado de uma reação normal a doença. Hoje entendemos que pacientes com DP apresentam depressão por uma alteração das vias cerebrais relacionadas a motivação, as quais são vias dependentes de dopamina. Os distúrbios do humor ainda tem um agravante: Eles podem flutuar ao longo do dia e, principalmente, pioram muito quando o paciente não toma os remédios para Parkinson de maneira adequada. A falta da dopamina (resultado da falta do medicamento) é um fator importante para as alterações e mudanças de humor.

Esteja atento que um subgrupo de pacientes podem apresentar alterações do comportamento e do humor como compulsão sexual, compulsão por jogos de azar, compulsão por compras. Comunique imediatamente seu médico caso você note esse tipo de alteração no seu familiar.

Alterações Cognitivas e Dificuldade de Raciocínio na DP

A maioria dos pacientes com Doença de Parkinson pode apresentar algum grau de dificuldade de planejamento das atividades e de entendimento do espaço onde está inserido (disfunção visuoespacial). Essas alterações podem ser leves e imperceptíveis. Um subgrupo de pacientes, principalmente os sedentários e com graves problemas de equilíbrio podem evoluir para um importante prejuízo de raciocínio e memória com grave comprometimento funcional. Após cerca de 15 a 20 anos de doença, os pacientes podem apresentar uma situação denominada “Demência pela Doença de Parkinson“. Esses indivíduos apresentam depósito de alfasinucleina no cortex cerebral frontal. O quadro pode ser piorado também por determinados medicamentos. Esteja atento as dificuldades de raciocínio do seu familiar e comunique seu médico para uma avaliação e orientação adequada

Alucinações na Doença de Parkinson

As alucinações visuais podem ocorrer em pacientes com DP, principalmente no final do dia e início da noite. As alucinações geralmente tem conteúdo de animais (cobras, aranhas, ratos ou morcegos). As alucinações são resultado do depósito de alfasinuleina no cortex occipital. Elas podem ocorrer isoladamente ou de maneira persistente, e pode ser induzida por excesso ou por determinadas medicações. Entre os cuidados básicos para prevenir alucinações estão:

  • Mantenha o ambiente doméstico bastante iluminado durante o dia
  • Estabeleça os horários certos para os medicamentos
  • Estabeleça uma rotina com hora para acordar e hora para dormir
  • Evite cochilos após o almoço
  • Evite assistir TV ou qualquer conteúdo violento

Lembre-se de comunicar ao seu médico a ocorrência das alucinações. As alucinações persistentes podem indicar maior risco de desenvolvimento da Demência da Doença de Parkinson.

“Queda de Pressão” – Hipotensão ortostática e distúrbios autonômicos na DP

A hipotensão ortostática é uma queda repentina da pressão arterial que ocorre quando uma pessoa se levanta de uma posição sentada ou deitada. Ela provoca tonturas e, em casos extremos, perda de equilíbrio e desmaios (“apagão). Os pacientes podem relatar a hipotensão como uma sensação de mal estar, vista embaçada e ser erroneamente interpretada como “vertigem ou labirintite”. A queda de pressão na Doença de Parkinson é resultado da degeneração de estruturas cerebrais situadas na região do bulbo.  A hipotensão aumenta muito o risco de quedas.

Para evitar a hipotensão lembre-se de levantar sempre com calma e manter-se bem hidratado. A hipotensão pode ser mais comum em homens com Parkinson, principalmente os que estão fazendo tratamento concomitante com medicações para hiperplasia prostática benigna.

Dificuldade de dormir – Distúrbios do sono na Doença de Parkinson

A dificuldade de dormir e os problemas de sono ocorrem em 80% dos pacientes com Parkinson e estão entre o grupo de sintomas mas limitantes da vida de quem tem DP. A dificuldade de dormir inclui insônia, pesadelos, sonhos vivos sono agitado, sonolência excessiva diurna além de apneia obstrutiva do sono.

Atenção especial deve ser dada aos “sonhos vivos”. Os pacientes com Parkinson podem apresentar sonhos de luta, brigas muito vívidos em que o paciente grita, chuta e dá socos durante a noite. Frequentemente, os cônjuges dormem em outra cama para não se ferirem. Esse tipo de distúrbio do sono é denominado Distúrbio Comportamental do Sono REM (DCSR). Os pacientes que apresentam distúrbios comportamental do sono tem maior risco de uma evolução desfavorável da doença. Eles tendem a ser mais desmotivados e depressivos, além de apresentar mais rigidez e quedas e um risco aumentado para desenvolvimento de Demência.

Informe ao seu médico as alterações de sono para uma avaliação e tratamento adequado.

“Intestino preso” (Constipação) e problemas urinários

A constipação intestinal também está presente em quase 80% dos pacientes com DP. A lentidão do funcionamento do intestino pode preceder a Doença de Parkinson em 20 anos. Além disso, o intestino preso dificulta a absorção dos medicamentos e causa sintomas como azia, perda de apetite e sensação de mal estar gástrico. Deixamos um artigo anteriormente voltado para a alimentação na Doença de Parkinson que aborda melhor a dieta e a constipação.

Os problemas urinários também são frequentes e incluem idas constantes no banheiro durante a noite e outras dificuldades de micção.

Outros sintomas não Motores da Doença de Parkinson

  • Problemas de pele, como pele oleosa, particularmente na testa e nas laterais do nariz e, em alguns casos, no couro cabeludo. Em outros casos, a pele fica muito seca. Também há uma maior propensão ao desenvolvimento de câncer de pele;
  • Dor associada à rigidez muscular e articular;
  • Fadiga e perda de energia, que podem resultar de outros sintomas, como depressão, problemas de sono ou estresse muscular;
  • Problemas sexuais. A doença de Parkinson afeta os sinais nervosos do cérebro, o que pode causar problemas sexuais. Certos medicamentos utilizados no tratamento da doença também podem contribuir para esses problemas;
  • Cãibras musculares e distonia. As cãibras musculares estão associadas à rigidez muscular, especialmente nas pernas e dedos dos pés. A distonia resulta da variação dos níveis de dopamina que desencadeiam a contração muscular.
  • Problemas de visão;
  • Transpiração excessiva, especialmente nas mãos e pés, mesmo com pouco ou nenhum exercício;
  • Perda de olfato;
  • Perda ou ganho de peso;
  • Comportamentos impulsivos devido aos efeitos colaterais da medicação.

Sintomas Mistos Motores e não Motores

A National Parkinson’s Foundation atribui a classificação mista de sintomas motores e não motores aos músculos usados ​​na fala e na deglutição. Esses músculos também podem ser afetados por tremores, rigidez e lentidão de movimento, resultando em:

  • Salivação excessiva devido a dificuldades de deglutição;
  • Dificuldades de fala caracterizadas por uma voz suave e monótona. Algumas pessoas podem hesitar antes de falar ou algumas podem falar rápido demais.

Tratamento dos Sintomas não Motores da Doença de Parkinson

Como os sintomas não motores afetam diversas funções cotidianas, os pacientes precisam do acompanhamento não só de médicos e cuidadores. Outros profissionais de saúde, como psicólogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional ajudam o paciente a lidar com a doença, controlar sintomas, aliviar a dor, reduzir o estresse e melhorar a qualidade de vida.

O primeiro passo para lidar com as mudanças que acompanham o diagnóstico de Parkinson é aumentar a conscientização. Procure identificar os novos sintomas e também como seu corpo responde a certas atividades, tensões e terapias. Uma maneira útil de fazer isso é registrando em um diário as mudanças que você percebe em sua saúde física e emocional a cada dia. Dessa forma, você pode discutir essas questões com seu médico e receber tratamento.

As orientações descritas em outros artigos artigos de nosso site podem guiá-lo na implementação de um estilo de vida que ajuda a atenuar tanto os sintomas motores, quanto os sintomas não motores da doença de Parkinson:

O Papel do Médico Neurologista

Dr Diego de Castro dos Santos cuida de pacientes com diversas doenças neurológicas, mas tem especial interesse no atendimento de pessoas com a Doença de Parkinson, uma doença especialmente desafiadora, tanto para o paciente quanto para a equipe que o atende.

Sua trajetória conta com a experiência adquirida como neurologista da Universidade de São Paulo e como médico colaborador no ambulatório de Neurogenética e no ambulatório de Neurocirurgia Funcional do Hospital das Clínicas da USP. Esta oportunidade foi de fundamental importância para aprofundar seu conhecimento no diagnóstico de doenças de origem neurogenética e na reabilitação neurológica por meio de neuromodulação (Estimulação Cerebral Profunda) e Toxina Botulínica – abordagens com grande utilidade no controle dos sintomas da doença de Parkinson.

Com o propósito de oferecer um atendimento de excelência e confiança, o Dr Diego de Castro realiza uma avaliação neurológica minuciosa, capaz de auxiliar na definição diagnóstica de seus sintomas e atua juntamente à equipe multidisciplinar para fornecer um tratamento eficaz a seus pacientes.

Dr Diego de Castro Neurologista & Neurofisiologista Especialista em Doença de Parkinson

Rua Itapeva, 518 – sala 901
Bela Vista
São Paulo – SP, 01332-904

Telefone: (11) 3262-4745

Dr Diego de Castro – Tratamento da Doença de Parkinson em Vitória ES

No Espírito Santo em Vitória ES, também oferecemos um tratamento e atendimento especializado às pessoas com doença de Parkinson, no Serviço de Especialidades Neurológicas, em Vitória, na Enseada do Suá, próximo ao Shopping Vitória.

Avenida Américo Buaiz, 501 – Ed. Victória Office Tower Leste, Sala 109 – Enseada do Suá, Vitória – ES, 29050-911

Telefone: (27) 99707-3433


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Dr. Diego de Castro dos Santos

Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.

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