Parkinsonismo – Causas, Sintomas e Diagnóstico

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Parkinsonismo – Causas, Sintomas e Diagnóstico

By | 2020-05-24T15:42:53+00:00 quarta-feira 20 de maio 2020|Parkinsonismo|
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O termo Parkinsonismo tem origem na palavra “parkinson” combinada ao sufixo “-ismo” e quer dizer “semelhante ao Parkinson“. Portanto, chamamos de Parkinsonismo ao grupo de diversas doenças neurológicas que podem produzir sintomas idênticos à Doença de Parkinson.

Segundo a Mayo Clinic, existem diversas formas de parkinsonismo. No entanto, independente das formas, o quadro clínico sempre será uma anormalidade do movimento caracterizada por:

  • Rigidez
  • Lentidão
  • Graus variáveis de tremor

Neste artigo, Dr Diego de Castro Neurologista pela USP explica o que é o Parkinsonismo, suas diversas causas, sintomas e diagnóstico.

Parkinsonismo – O que é?

Segundo a Movement Disorders Society, o parkinsonismo é um grupo de doenças do movimento caracterizado por lentidão (bradicinesia) e rigidez. Esses sintomas são os mesmos da doença de Parkinson. No entanto, o parkinsonismo apresenta causas e evolução clínica diferentes.

Embora a Doença de Parkinson tenha sido descrita em 1817 por James Parkinson, o entendimento de que outras doenças poderiam produzir sintomas semelhantes em sua fase inicial surgiu só em meados do século XX.

Historicamente, pesquisas da Universidade de New Jersey apontam que após o estudo microscópico e o melhor entendimento do neurotransmissor dopamina foi finalmente possível distinguir que outras doenças também poderiam causar lentidão e rigidez. A partir daí, a Doença de Parkinson foi considerada a forma primária de parkinsonismo e todas as outras doenças agrupadas em formas secundárias.

Portanto, o real entendimento desse grupo de doenças tem cerca de 50 anos e por esse motivo, há necessidade de muitas pesquisas para seu melhor esclarecimento.

Parkinsonismo – Sintomas

Segundo a Parkinson’s Foundation, os principais sintomas das diferentes formas de parkinsonismo são lentidão e rigidez. Além disso, há sintomas extremamente variáveis que mudam ao longo dos anos e com a progressão da doença. Em linhas gerais, outros sintomas comuns são:

  • Graus variáveis de tremor
  • Alteração da expressão facial
  • Dificuldade de andar
  • Desequilíbrio
  • Tendência a queda
  • Anormalidades posturais
  • Movimentos involuntários associados

A depender da doença, os pacientes podem ainda apresentar dificuldade para falar e engolir, alterações do comportamento, raciocínio ou outras habilidades cognitivas.

Parkinsonismo – Causas

De acordo com pesquisa da Clinical Neurophysiology, qualquer condição ou doença que cause diminuição da dopamina no cérebro pode produzir um quadro de parkinsonismo.

Mais uma vez, a Doença de Parkinson é a causa primária do parkinsonismo. Todas as outras doenças que afetam a dopamina são causas de Parkinsonismo secundário e incluem:

  • Medicamentos
  • Acidentes Vasculares Cerebrais
  • Infecções cerebrais graves
  • Traumatismo craniano
  • Intoxicações crônicas
  • Alterações Estruturais Cerebrais
  • Doenças Degenerativas
  • Distúrbios imunomediados
  • Doenças genéticas

Parkinsonismo

Tipos e Classificação

Para fins de estudo e pesquisa, o National Center of Biotechnology Information (NCBI – StatPearls) classifica o Parkinsonismo em quatro grandes grupos:

  • Medicamentoso
  • Heredodegenerativo (processo degenerativo hereditário)
  • Parkinsonismo-plus ou Atípico
  • Outras formas

Parkinsonismo Medicamentoso

Segundo o Journal of Clinical Neurology, o parkinsonismo medicamentoso é resultado do uso crônico de medicamentos que bloqueiam o funcionamento da dopamina no sistema nervoso.

Essa é a forma mais comum de parkinsonismo secundário e ocorre principalmente em idosos. Entre as medicações mais comumente associadas a este quadro estão:

  • Haloperidol
  • Clorpromazina
  • Metoclopramida
  • Flunarizina

Os sintomas são de rigidez e lentidão lentamente progressiva. Algumas vezes a retirada do remédio causador pode aliviar os sintomas após meses ou anos.

Parkinsonismo Heredodegenerativo

De acordo com a ScienceDirect, o parkinsonismo heredogenerativo é predomina na faixa etária de adolescentes e adultos jovens. Esse grupo de doenças geralmente tem causa genética e apresenta sintomas de outras anormalidades do movimento.

Muitas condições raras causam parkinsonismos heredodegenerativo, entre elas:

  • Doença de Wilson
  • Distonias primárias
  • Neuroferritinopatias
  • Doença de Huntington (forma juvenil de Westphal)

Entre os sintomas comuns da forma heredodegenerativa, além da rigidez e lentidão, há muitas contrações musculares involuntárias como distonias, mioclonias, coreias ou espasticidade.

Parkinsonismo-Plus ou Atípico

Segundo Johns Hopkins Medicine, nesse grupo estão as formas de parkinsonismo descritas na década de 1970. Historicamente, o termo surgiu com o advento do tratamento da Doença de Parkinson com a medicação levodopa. Observou-se que um subgrupo de pacientes não respondia bem a esse remédio como os demais pacientes com a forma clássica da Doença de Parkinson.

Além de não responder a levodopa, esses pacientes também apresentavam sintomas atípicos, como:

  • Quedas precoces
  • Anormalidades da movimentação dos olhos
  • Anormalidades graves da postura
  • Movimentos involuntários
  • Dificuldades de raciocínio e outras alterações cognitivas

Com o tempo, uma série de doenças foi descrita dentro desse grupo de parkinsonismo. As principais delas são:

  1. Paralisia Supranuclear Progressiva (PSP)
  2. Degeneração Corticobasal (DCB)
  3. Atrofia de Múltiplos Sistemas (AMS)

Descrevemos cada uma dessas doenças em profundidade em artigos específicos. Deixamos os links ao final deste artigo.

Outras Formas

Outras formas de doenças que simulam o Parkinson incluem o Parkinsonismo vascular. Esta condição é causada por múltiplos AVCs na região profunda do cérebro, gerando um quadro de rigidez e lentidão que predomina nas pernas.

Quadros virais graves podem atingir o cérebro causando uma grave inflamação denominada encefalite. Vírus raros como West Nile podem causar encefalite e uma forma de parkinsonismo pós-encefalítico.

Além disso, anormalidades estruturais do cérebro podem acarretar quadro semelhante a Parkinson. Segundo US National Library of Medicine, essas doenças incluem:

  • Hidrocefalia de Pressão normal
  • Tumores
  • Má-formações
  • Traumas cranianos repetidos, inclusive em lutadores de boxe

Parkinsonismo – Diagnóstico

De acordo com a Mayo Clinic, o diagnóstico de Parkinsonismo se baseia principalmente na história e exame neurológico com a identificação de lentidão e rigidez. Além disso são utilizados para o diagnóstico:

  • Exames de Imagem:
    • Ressonância de crânio
    • PET-CT cerebral
    • SPECT TRODAT
  • Exames laboratoriais
  • Testes Genéticos

Os exames de imagem são importante para afastar causas estruturais como AVC, tumores e outras alterações. Entre eles, o SPECT TRODAT pode confirmar a falta de dopamina no sistema nervoso. Já O PET-CT é utilizado nos casos associados a alterações cognitivas, principalmente nos casos de parkinsonismo atípico.

Os exames laboratoriais específicos e o teste genético são solicitados em situações específicas, principalmente na investigação de doenças genéticas.

Dr Diego de Castro Neurologista

Dr Diego de Castro é Neurologista pela USP especialista em distúrbios do movimento e neurogenética. Cuida de pacientes com doenças raras e casos de difícil diagnóstico.

É muito comum pacientes com um suposto diagnóstico de Parkinson evoluirem com piora e ausência de resposta a tratamentos convencionais. Na verdade, este é um sinal de que o caso precisa ser melhor investigado. Nessa situação, há uma grande possibilidade de um diagnóstico de parkinsonismo, principalmente das formas atípicas.

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Dr. Diego de Castro dos Santos

Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.

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