Toxina Botulínica (Botox) no Tratamento da Paralisia Cerebral

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Toxina Botulínica (Botox) no Tratamento da Paralisia Cerebral

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A Toxina Botulínica (Botox) é um importante tratamento para crianças com Paralisia Cerebral. A Paralisia Cerebral (PC) é a principal causa de dificuldade motora da infância. Já no início do desenvolvimento motor, a doença pode se manifestar com fraqueza e deformidade de um único membro, de ambas as pernas ou acometer todo o corpo. A perda de força da Paralisia Cerebral geralmente é associada a um “enrijecimento” da musculatura, fenômeno denominado como hipertonia ou espasticidade.

A utilização de toxina botulínica (Botox) nas crianças portadoras de paralisia cerebral tornou-se um tratamento padrão para hipertonia/espasticidade. A toxina é aplicada nos músculos mais acometidos pela espasticidade e seu efeito é superior às medicações orais.

Com a leitura deste artigo, conheça a base de evidências para o tratamento de crianças com PC com aplicação de toxina botulínica e os aspectos práticos envolvidos neste procedimento.

O que é a Paralisia Cerebral e como a Toxina Botulínica Ajuda no Tratamento?

A Paralisia Cerebral (PC) é uma síndrome clínica caracterizada por uma dificuldade persistente no controle motor e da postura. Cerca de 3 a 4 recém nascidos a cada 1000 nascimentos é acometido por essa condição. A paralisia cerebral resulta de danos cerebrais não progressivos geralmente que ocorrem no útero ou no período relacionado ao parto. A paralisia cerebral é a causa mais comum de incapacidade física em crianças, com aproximadamente 90% das crianças afetadas apresentando sintomas clínicos de fraqueza associado a espasticidade.

Contraturas musculares e deformidades dos ossos e articulações desenvolvem-se lentamente ao longo do tempo e são consequências secundárias da espasticidade não tratada.

A toxina botulínica é uma medicação injetável que é aplicada no músculo que apresenta espasticidade. A toxina atua na região onde o nervo se liga ao músculo (junção neuromuscular) impedindo a liberação de uma substância denominada acetilcolina. Com menos acetilcolina a musculatura torna-se mais “relaxada”, melhorando assim a espasticidade.

Toxina Botulínica no Tratamento da Paralisia Cerebral – Aplicação

A aplicação da toxina botulínica para tratamento da Paralisia Cerebral é realizada em crianças que apresentem espasticidade. As crianças pequenas respondem melhor ao tratamento a partir dos 2 anos de idade. Isso ocorre porque a partir dos 2 anos o uso da toxina é seguro e eficaz. A toxina deve ser evitada antes dessa idade.

A aplicação de botox pode ser feita em consultório e o procedimento é feito com uma pequena quantidade de substância anestésica, aplicada localmente no ponto de injeção. Como é de se esperar, as crianças costumam ficar incomodadas com as injeções e os pais também devem ter clareza que o objetivo de cada agulhada é trazer benefício para a criança e minimizar as sequelas futuras. O número de injeções é dependente do número de músculos com hipertonia e a dose é dependente da gravidade da espasticidade.

O efeito de toxina se inicia com 1 semana da aplicação e terá seu melhor efeito no primeiro mês. A duração total da toxina é de 3-4 meses com alguns casos se estendendo até 06 meses. Após esse tempo uma nova avaliação clínica é necessária para planejar as doses e os músculos da próxima aplicação.

A toxina botulínica tem mais efeito quando associada a realização de fisioterapia. A fisioterapia alonga o músculo, o que possibilita o adequado posicionamento muscular. Além disso ela fortalece a musculatura. Os cuidadores podem ser solicitados a fazer os exercícios fisioterápicos também em casa, após adequada orientação do fisioterapeuta que acompanha a criança.

Toxina Botulínica no Tratamento da Paralisia Cerebral

Toxina Botulínica no Tratamento da Paralisia Cerebral – Efeitos

Quando a toxina botulínica é injetada nos membros de crianças com espasticidade, ela induz uma redução temporária no tônus ​​muscular. Promove também uma melhor função motora quando usado em combinação com outros tratamentos como a fisioterapia, uso de órteses, terapia ocupacional e neuroestimulação.

As crianças com paralisia cerebral se beneficiam mais da toxina botulínica quanto mais cedo iniciarem as aplicações nos músculos espásticos. Crianças que já apresentam deformidades articulares tendem a se beneficiar menos, pois as articulações já estão em posturas fixas.

Em termos práticos os grandes benefícios da toxina são:

  • Melhorar a função do membro atingido pela espasticidade;
  • Melhorar a marcha (facilitar o caminhar);
  • Melhorar a postura;
  • Auxiliar no controle da dor;
  • Facilitar no cuidado e na higienização, principalmente em crianças cadeirantes ou restritas ao leito;
  • Controlar a salivação excessiva (quando a toxina é aplicada nas glândulas salivares).

A avaliação e o planejamento para esse tratamento precisam ser compartilhados entre a equipe multidisciplinar. Antes da injeção, objetivos claros devem ser estabelecidos, que são alcançáveis ​​e de valor prático. A toxina não é uma medicação que restaura a força por si só, mas é uma ferramenta fundamental para reabilitação das crianças com paralisia cerebral.

Todas as crianças que estão realizando um tratamento com toxina botulínica necessitam de gerenciamento por uma equipe multidisciplinar. Fisioterapeutas, enfermeiros e terapeutas ocupacionais são essenciais para o manejo e tratamento da paralisia cerebral e devem estar envolvidos em uma avaliação cuidadosa antes e depois das injeções, assim como nos procedimentos de reabilitação.

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Dr Diego de Castro é Neurologista e se dedica a reabilitação de pacientes com doenças neurológicas. Durante a especialização em Neurologia na Universidade de São Paulo, decidiu prosseguir em aprimoramento no diagnóstico de doenças raras de origem neurogenética e na reabilitação neurológica por meio de neuromodulação (Estimulação Cerebral Profunda) e aplicação de Toxina Botulínica.

No Serviço de Especialidades Neurológicas, com unidades em Vitória – ES e São Paulo, oferece um serviço de qualidade de assistência para melhorar a qualidade de vida de pacientes que enfrentam o desafio de conviver com uma doença neurológica.

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Artigo Publicado em 26 de dezembro de 2018 e Atualizado em 16 de julho de 2019


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