Aplicação de Toxina Botulínica (Botox) e Fisioterapia Motora no Tratamento da Paralisia Cerebral Infantil

/, Botox em Vitória, Espasticidade, Geral/Aplicação de Toxina Botulínica (Botox) e Fisioterapia Motora no Tratamento da Paralisia Cerebral Infantil

Aplicação de Toxina Botulínica (Botox) e Fisioterapia Motora no Tratamento da Paralisia Cerebral Infantil

Compartilhe

A Paralisia Cerebral Infantil conhecida pela sigla “PC” é a principal causa de deficiência física da infância. Essas crianças apresentam deficiências que geralmente acometem o sistema motor, o equilíbrio e a postura. Embora não exista nenhum tratamento capaz de curar essa condição, todas as crianças devem realizar um programa multidisciplinar de reabilitação. Entre as estratégias de terapias, os pacientes se beneficiam muito de uma importante e fundamental parceria: a aplicação de toxina botulínica (botox) associada a um programa de fisioterapia motora é, sem dúvida, o tratamento atual mais eficaz para Paralisia Cerebral Infantil.

Neste artigo, compreenda melhor a importância da aplicação de toxina botulínica associada a fisioterapia no tratamento da paralisia cerebral, seus mecanismos e os benefícios da associação de ambas as técnicas.

Tratamento da Paralisia Cerebral

O tratamento da Paralisia Cerebral Infantil envolve muitas modalidades de terapias, individualmente ou combinadas entre si. Antes de conhecermos melhor estas abordagens, é interessante compreender os sintomas da paralisia cerebral.

Paralisia Cerebral

A paralisia cerebral define um grupo de desordens permanentes do sistema motor que causam limitação de atividade e que são resultado de uma lesão no cérebro imaturo ou em desenvolvimento. O evento que causa a lesão cerebral pode ocorrer ainda durante a gestação, no momento do parto ou no pós parto. A lesão geralmente acarreta redução da força muscular, alterações do comprimento muscular, anormalidades posturais, nos movimentos articulares e deficiências na capacidade funcional.

Distúrbios da comunicação e comportamento, sensação, problemas percepcionais, cognitivos e epilepsia podem acompanhar os distúrbios motores da PC em muitos casos. Esses distúrbios afetam negativamente os movimentos do corpo, o equilíbrio e a postura.

Espasticidade na Paralisia Cerebral

A espasticidade na Paralisia Cerebral está presente em cerca de 80-90% das crianças com PC. O termo espasticidade é uma denominação médica para um fenômeno motor caracterizado pelo “enrijecimento” da musculatura. Os familiares podem percebê-la na dificuldade que as crianças têm de “dobrar” ou de movimentar livremente alguma articulação, mantendo-a “dura” ou “esticada”. A espasticidade é uma característica comum da paralisia cerebral, podendo levar a anormalidades em todos os níveis do sistema motor, incluindo músculos, articulações, ossos e tendões.

Nos casos de Paralisia Cerebral em que a espasticidade permanece por um longo período de tempo sem tratamento existe um grande risco de deformidade articular. A imobilização dos músculos em posição curta e as mudanças no tecido conjuntivo ao redor das articulações levam ao encurtamento dos músculos e do tecido conjuntivo, situação que sempre deve ser evitada.

Por que Tratar a Espasticidade na Paralisia Cerebral?

A espasticidade na Paralisia Cerebral deve, preferencialmente, ser detectada e tratada precocemente. Os sintomas da paralisia cerebral no sistema musculoesquelético podem começar a causar problemas maiores à medida que a criança cresce. Para o crescimento muscular normal, é necessário o alongamento do músculo sob sobrecarga fisiológica. Um músculo hipertônico (incapaz de relaxar) acabará por falhar em crescer e se desenvolver e não acompanhará o alongamento ósseo da criança.

O aumento da altura e do peso da criança com espasticidade pode contribuir para problemas do sistema musculoesquelético, causando contraturas e deformidades torcionais devido ao crescimento dos ossos e músculos não estarem em proporção. Isso poderá acarretar deslocamento (luxações) das articulações.

À medida que os indivíduos com PC crescem, situações biomecânicas anormais que afetam as articulações e posturas estáticas podem causar o aparecimento de dor, que se torna crônica conforme a criança cresce. Isolamento social, limitações funcionais e a dependência associados a esta condição podem afetar negativamente o estado mental.

Tratamento da Espasticidade na Paralisia Cerebral

Muitas modalidades terapêuticas são usadas para o tratamento da espasticidade na paralisia cerebral. A combinação de modalidades tem se mostrado mais eficaz do que o uso de um método isolado no tratamento da espasticidade muscular.

Aplicação de Toxina Botulínica (Botox) para Tratamento da Paralisia Cerebral

O tratamento da espasticidade na Paralisia Cerebral com aplicação de toxina botulínica (Botox) é um tratamento efetivo e muito seguro para crianças.

A toxina botulínica (botox) é uma medicação aplicada sobre cada músculo espástico, o que evita efeitos colaterais sistêmicos como ocorre nos medicamentos orais. A toxina botulínica na Paralisia Cerebral atua reduzindo o tônus ​​muscular, aliviando a dor muscular e melhorando a função motora.

As injeções de toxina botulínica relaxam os músculos, com efeito farmacológico ocorrendo em 48-72 h, mas diminuindo 3-4 meses depois. Entretanto, este período em que a contratilidade muscular diminui dá uma oportunidade para opções terapêuticas de fisioterapia e terapia ocupacional buscarem obter melhores resultados de reabilitação.

Nosso artigo: “Toxina Botulínica no Tratamento da Paralisia Cerebral” explica com mais detalhes como funciona esta abordagem terapêutica e seus efeitos.

As crianças que estão em um programa de aplicação de toxina botulínica tem mais facilidade de utilizar órteses, que são dispositivos muito importantes para manutenção do eixo correto das articulações e também previnem deformidades articulares secundárias à espasticidade.

Toxina Botulínica em São Paulo

Toxina Botulínica no Tratamento da Paralisia Cerebral

Fisioterapia Motora no Tratamento da Paralisia Cerebral

A fisioterapia motora é uma parte fundamental no tratamento da Paralisia Cerebral, mesmo em pacientes com aplicação de toxina botulínica. É importante considerar que a redução da contratura muscular, por si só, não é suficiente para obter resultados funcionais. Atividades como alongamento e fortalecimento dos músculos, sustentação de peso nas extremidades e prática de tarefas da vida diária são essenciais. As crianças precisam continuar um programa intensivo de fisioterapia antes e depois da aplicação de toxina botulínica para obter melhorias funcionais.

Observações clínicas sugerem que a fisioterapia aumenta o efeito benéfico da toxina botulínica: as crianças com PC mais ativas fisicamente apresentam melhora mais intensa no tônus ​​do músculo injetado e maior duração de efeito após as injeções de toxina botulínica do que as menos ativas.

O Grupo de estudos em Paralisia Cerebral da Florida (Cerebral Palsy Group) destaca os objetivos da fisioterapia na Paralisia Cerebral: Melhorar a funcionalidade, apoiar o desenvolvimento de habilidades e a locomoção, sustentar a saúde em termos de interação social e independência e evitar possíveis deformidades. Os melhores resultados são alcançados pela intervenção intensa precoce.

Assim, a combinação da toxina botulínica com a fisioterapia na paralisia cerebral permite a combinação ideal de prevenção de deformidades, alongamento muscular, controle de dor associado a ganho de força e melhora da funcionalidade dessas crianças.

Cirurgia como Tratamento para a Espasticidade na Paralisia Cerebral

A cirurgia para paralisia cerebral deve ser considerada em algumas situações. Casos muito graves de espasticidade ou crianças que demoram muito a iniciar a aplicação de botox/fisioterapia podem evoluir com incapacitante espasticidade e intensa deformidade articular. A aplicação de botox iniciada muito tardiamente pode não apresentar o mesmo benefício da aplicação em fases anteriores da espasticidade. Para esses casos mais graves, os pacientes poderão necessitar de cirurgias ortopédicas como osteotomias ou transferências de tendões para corrigir as deformidades articulares já estabelecidas.

Existe ainda a possibilidade de tratamento neurocirúrgico desses pacientes por meio de procedimentos como a rizotomia dorsal ou uso da bomba de baclofeno intratecal. A bomba de baclofeno intratecal é um dispositivo implantado no abdômen da criança para fornecer continuamente relaxante muscular ao fluido que envolve a coluna. O baclofeno é capaz de inibir a espasticidade causando relaxamento muscular. A Rizotomia dorsal seletiva (DSR) é um procedimento em que 30% a 50% dos nervos sensoriais são cortados para diminuir a espasticidade.

Em todas as formas de tratamento cirúrgico, uma avaliação multidisciplinar deve ser realizada medindo-se os riscos e benefícios para as crianças.

Tratamento das Formas Não Espásticas da Paralisia Cerebral

Enquanto a espasticidade está presente em 80-90% das crianças com PC, as demais crianças apresentam uma forma não espástica caracterizada por quadro de discinesia, ataxia ou combinação dessas formas.

A discinesia refere-se a movimentos involuntários e posturas anormais que podem acometer qualquer parte do corpo, incluindo o pescoço e a cabeça (segmento crânio-cervical). Nas formas em que há contração muscular com posturas anormais (discinesia distônica) os pacientes também podem se beneficiar da aplicação de toxina botulínica.

Nas formas atáxicas ocorre um fenômeno de incoordenação motora e desequilíbrio que são de difícil tratamento. Essas crianças devem realizar um programa intensivo de terapias e podem se beneficiar, além da fisioterapia, da musicoterapia e da equoterapia.

Novos estudos, envolvendo técnicas de estimulação cerebral profunda estão em andamento visando auxiliar especificamente os pacientes com as formas discinética e atáxica da Paralisia cerebral.

Tratamento de outros sintomas da Paralisia Cerebral

Além dos déficits motores os pacientes com paralisia cerebral podem apresentar salivação excessiva. Existe um grande benefício da aplicação de botox em glândulas salivares juntamente com a reabilitação com profissional de fonoaudiologia para esses pacientes. Saiba mais em: https://drdiegodecastro.com/tratamento-da-sialorreia-toxina-botulinica-e-fonoaudiologia/

Muitas crianças com PC apresentam epilepsia ou outros transtornos cognitivos na infância e, por isso, sempre devem estar em acompanhamento com um neuropediatra.

Para um programa de tratamento realmente eficaz, é necessária uma abordagem em equipe, incluindo fisioterapia, terapia ocupacional, terapia comportamental, tratamento farmacológico e às vezes cirúrgico, equipamento adaptativo e tratamento dos demais problemas de saúde relacionados.

Dr Diego de Castro Neurologista SP se dedica a reabilitação de pacientes com doenças neurológicas. Durante a especialização em Neurologia na Universidade de São Paulo, decidiu prosseguir em aprimoramento no diagnóstico de doenças raras de origem neurogenética e na reabilitação neurológica por meio de neuromodulação (Estimulação Cerebral Profunda) e aplicação de Toxina Botulínica.

No Serviço de Especialidades Neurológicas, com unidades em Vitória – ES e São Paulo, oferece um serviço de qualidade de assistência com objetivo de minimizar distúrbios sensoriais e motores, facilitar as atividades da vida diária e reduzir a carga de familiares e cuidadores.

Para saber mais sobre a nossa abordagem ao tratamento da paralisia cerebral, veja abaixo nossas informações de contato para agendamento de consultas:

Dr Diego de Castro Neurologista e Neurofisiologista

R. Sampaio Viana, 253 – cj123 – Paraíso, São Paulo – SP, 04004-000

Telefone: (11) 2368-3067

Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia

Avenida Americo Buaiz, 501 – Victória Office Tower – Torre Leste – Enseada do Suá, Vitória – ES, 29050-911, próximo ao Shopping Vitória.

Telefone: (27) 99707-3433


Compartilhe

Dúvidas e ou Sugestões?

Informações de Contato

R. Sampaio Viana, 253 - cj123 Paraíso São Paulo - CEP: SP 04004-000

Phone: 11 2638-3067 / 98977-2982

Web: Dr Diego de Castro