

Receber o diagnóstico de fibromialgia é, para muitos, o fim de uma busca angustiante por respostas, mas também o início de uma nova jornada em busca do melhor tratamento para fibromialgia, aprendendo a conviver com uma dor que você sente, mas que nem todos conseguem compreender.
“Frequentemente me perguntam o que eu faria se estivesse no seu lugar. Como médico, conheço a biologia da dor; como ser humano, entendo que a teoria precisa encontrar a prática para trazer alívio real.”
Neste artigo, Dr. Diego de Castro, Neurologista e Neurofisiologista pela USP, compartilha as principais decisões que ele mesmo tomaria para enfrentar a fibromialgia com dignidade e eficácia.
Assista ao vídeo com essa reflexão pessoal e médica:
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Encarar a fibromialgia exige que você deixe de ser controlado pela dor para se tornar o condutor do seu tratamento. Se eu tivesse essa condição, estas seriam as minhas prioridades:
A primeira mudança seria na mesa. Apesar de ainda não termos protocolos específicos que ‘eliminem’ a dor da fibromialgia por meio apenas da alimentação, já temos estudos comprovando que uma dieta saudável pode melhorar bem‑estar, energia e, indiretamente, a percepção de dor.
Por este motivo, eu eliminaria o excesso de alimentos ultraprocessados, gorduras trans e açúcares refinados, que estão associados a piores condições de dor e baixa energia em várias doenças crônicas.
Em vez disso, priorizaria uma alimentação rica em vegetais, frutas, grãos integrais e gorduras boas (como oleaginosas e peixes), próxima de um padrão mediterrâneo.
Segundo artigo publicado no Scientific reports, beber água ao longo do dia ajuda a manter concentração, equilíbrio de fluidos e bom funcionamento de sistemas que influenciam a dor, como músculos e articulações.
Mantenha a hidratação adequada todos os dias, pois mesmo pequenos déficits aumentam a fadiga e a sensibilidade à dor em condições crônicas. A regra prática é acompanhar a cor da urina (clarinha) e ajustar o consumo de acordo com clima, atividade física e consumo de cafeína, evitando períodos longos de pouca ingestão.
A dor crônica tende a empurrar você para o isolamento, mas o riso e a alegria são ferramentas biológicas de enfrentamento. Eu me cercaria de pessoas positivas, pois os estudos mostram que suporte social positivo e emoções agradáveis podem melhorar a resiliência em condições crônicas, ajudando a reduzir a percepção de dor.
Por isso, eu me cercaria de pessoas que me apoiassem, participaria de grupos de apoio ou atividades saudáveis entre amigos, sempre procurando momentos que me trouxessem riso e bem‑estar, sem me isolar por medo de dores ou julgamentos. O isolamento apenas intensifica o sofrimento.
Eu buscaria a acupuntura como um auxílio valioso no controle da dor. Além disso, se sentisse pontos musculares endurecidos e profundos (os famosos "nós na carne"), complementaria com técnicas de agulhamento seco (Dry Needling).
Em estudos em fibromialgia, essas abordagens demonstraram ajudar a reduzir dor e fadiga em alguns pacientes no curto prazo, embora os efeitos variem muito entre indivíduos.
Artigo publicado no BMC neurology aponta que a fibromialgia é um fardo pesado para carregar sozinho. Eu procuraria a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) para transformar a expressão de sentimentos negativos em estratégia de ação.
Lembre-se de que Terapia Cognitivo‑Comportamental e acompanhamento psicológico não tratam apenas o emocional, mas também alteram a maneira como o cérebro processa a dor, ajudando a reduzir a sensação de sofrimento físico e a evitar o isolamento por medo ou desconforto social.
Além disso, ter um espaço seguro para falar sem julgamentos é fundamental para manter a esperança e criar resiliência mental.
Se tivesse acesso a tratamentos de ponta, consideraria abordagens de neuromodulação não invasiva, como Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (tDCS) ou Estimulação Magnética Transcraniana (TMS), como complemento ao tratamento convencional.
Estudos em fibromialgia mostram que essas técnicas podem reduzir moderadamente a dor em parte dos pacientes, com perfil de segurança razoavelmente bom. É importante considerar que para um efeito duradouro, é importante combinar às outras estratégias apresentadas aqui.
É interessante que, em alguns casos, esse recurso pode permitir uma redução monitorada das doses de medicamentos, reduzindo efeitos colaterais ou mesmo favorecendo ajustes no estilo de vida que auxiliem no tratamento.
Sem movimento, não há melhora duradoura. Eu começaria devagar, com algo que me desse prazer ou em ambiente aquático (hidroterapia), para passar por uma fase de adaptação de 6 a 8 semanas.
Isso ajuda a evitar que o início da atividade cause piora acentuada de dor e fadiga, comum no início do exercício na fibromialgia. Só depois desse período eu iniciaria a musculação, que é fundamental para a saúde óssea, muscular e para a autoestima.
Nos últimos anos, há um interesse crescente pela neuroinflamação na fibromialgia, com estudos de imagem mostrando possível ativação de células de suporte do cérebro chamadas glia, que podem participar da manutenção da dor.
Essa observação reforça a importância de abordagens que cuidem do corpo inteiro: sono de qualidade, rotina regular e cuidado com o intestino. Mas o cenário ainda é de pesquisa e ensaios clínicos em evolução, não de protocolos consolidados.
Algumas pesquisas com probióticos e intervenções no eixo intestino‑cérebro mostraram alguns benefícios em dor, sono e humor em pessoas com fibromialgia, mas essas estratégias ainda não são consideradas ‘pilares obrigatórios’ nas diretrizes internacionais.

Para vencer a fibromialgia, é importante ter paciência e contar com uma abordagem multidisciplinar. Se eu tivesse essa condição, não buscaria uma "cura milagrosa" em um único comprimido, mas sim uma reconstrução do meu estilo de vida.
Ao cuidar do que você come, de como você se move e de como você pensa, você retira o poder da dor e o devolve para si mesmo. O caminho é longo, mas com as estratégias certas, a jornada pode se tornar muito mais leve.
Dr Diego de Castro é Neurologista e Neurofisiologista pela USP especialista em eletroneuromiografia e doenças neuromusculares.
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