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Cefaleia Pós-raqui - É Perigoso? Tem Tratamento?

Dr Diego de Castro
13/07/2022
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Conforme a Mayo Clinic, Cefaleia Pós-raqui é uma complicação bastante comum em aqueles que se submetem a uma punção lombar ou raquianestesia. Ambos os procedimentos requerem uma punção da membrana que envolve a medula espinhal e, na coluna vertebral, as raízes do nervo lombar e sacral.

Durante uma punção lombar, uma amostra de fluido cefalorraquidiano (o fluido que envolve e amortece o cérebro e a coluna vertebral) é retirada do canal espinhal. E durante a raquianestesia, a medicação é injetada no canal espinhal para entorpecer os nervos na metade inferior do corpo. Se o fluido espinhal vazar através do pequeno local de punção, você pode ter dor de cabeça devido a hipotensão intracraniana.

Neste artigo, Dr Diego de Castro, Neurologista e Neurofisiologista pela USP, explica sobre a Cefaleia Pós-raqui, suas causas e sintomas associados, formas de diagnóstico e tratamento.

Como a Cefaleia Pós-raqui Desenvolve-se

Segundo artigo publicado na StatPearls, a cefaleia pós-raqui é causada pelo vazamento de fluido espinhal (líquido cefalorraquidiano, ou LCR) através de uma perfuração na membrana que envolve a medula espinhal. Esse vazamento reduz a quantidade de fluido ao redor do cérebro e diminui a pressão exercida pelo fluido espinhal no cérebro e na medula espinhal, o que leva a uma dor de cabeça.

A hipotensão liquórica, como também é chamada, provoca algumas alterações na estrutura cerebral, incluindo:

  • Dilatação das veias intracranianas
  • Dilatação das meninges
  • Flacidez das estruturas intracranianas
  • Estiramento dos nervos intracranianos sensoriais.

Como resultado, o paciente desenvolve a dor de cabeça, acompanhada, ou não, de outros sintomas, que citaremos mais a frente.

Embora a anestesia peridural seja injetada fora da membrana que envolve a medula espinhal, em alguns casos, a membrana pode ser perfurada involuntariamente, levando à perda de fluido espinhal.

Como o desing das agulhas utilizadas para a punção lombar e a anestesia peridural evoluiu ao longo dos anos, tornando o orifício cada vez menor, este tipo de complicação vem se tornando cada vez mais raro.

O que Pode Favorecer o Aparecimento da Cefaleia Pós-raqui

A Cleveland Clinic explica que este tipo de dor de cabeça pode desenvolver-se mais facilmente em mulheres:

  • Com idade entre 18 e 30 anos
  • Grávidas - os elevados níveis de estrogênio durante a gravidez favorecem uma pressão liquórica mais baixa que o habitual. Além disso, o trabalho de parto está associado a um aumento da pressão do LCR, o que facilita o seu extravasamento durante a punção lombar.
  • Com um histórico de dores de cabeça frequentes
  • Passando por procedimentos envolvendo o uso de agulhas maiores ou múltiplas perfurações na membrana que envolve a medula espinhal
  • Com uma baixa massa corporal
  • Com desidratação - baixos níveis de hidratação favorecem uma redução na quantidade de LCR, assim como em sua pressão.
Cefaleia Pós-raqui

Outras condições também podem causar vazamentos de LCR e levar a uma hipotensão intracraniana e, consequentemente, à dor de cabeça. Estes problemas incluem:

  • Rompimento de um cisto na medula espinhal
  • Lesão na cabeça ou no rosto, por exemplo, em uma fratura craniana.

Características da Cefaleia Pós-raqui e Sintomas Associados

De acordo com artigo publicado no Caspian Journal of Internal Medicine, os sintomas dessa condição incluem:

  • Dor de cabeça na região frontal ou occipital, nos dois lados da cabeça
  • A dor normalmente piora quando você se senta ou se levanta e diminui quando você se deita
  • A dor de cabeça piora ao tossir, espirrar ou esticar o pescoço

Outros sintomas podem estar associados ao quadro, por exemplo:

  • Tontura
  • Zumbindo no ouvido
  • Perda auditiva
  • Visão embaçada ou dupla
  • Sensibilidade à luz (fotofobia)
  • Náuseas e vômitos
  • Dor ou rigidez no pescoço
  • Convulsões.

A dor de cabeça geralmente aparece dentro de 48 a 72 horas após uma punção lombar ou anestesia peridural e normalmente duram de algumas horas a alguns dias.

Cerca de 85% dos casos melhoram sozinhos sem tratamento dentro de 2 dias a algumas semanas.

Diagnóstico

Segundo a Mayo Clinic, é possível diagnosticar uma cefaleia pós-raqui com base no seu histórico e sintomas. Se você passou por um procedimento de punção lombar dentro de 14 dias, o diagnóstico é muitas vezes óbvio. Nesse caso, não é necessário realizar exames complementares.

Em pessoas que não passaram por uma punção lombar, podemos solicitar exames de imagem, geralmenta a ressonância magnética do crânio e da coluna vertebral, para tentar identificar sinais de vazamento de fluidos espinhais.

Tratamento

De acordo com o NHS, o tratamento para a cefaleia pós-raqui começa de forma conservadora. Seu médico pode recomendar:

  • Repouso na cama
  • Ingerir muitos fluidos, para ajudar a aumentar a pressão do LCR. Em alguns casos, pode ser necessário receber fluidos intravenosos, ou seja, receber soro por meio de um acesso venoso.
  • Consumir cafeína - sua eficácia ainda não está totalmente comprovada, mas muitos pacientes relatam uma melhora ao ingerir alimentos contendo cafeína. Além disso, há uma taxa muito baixa de potenciais efeitos colaterais.
  • Tomar analgésicos orais.

Se sua dor de cabeça não melhorou em 24 horas, pode ser necessário realizar um procedimento chamado "tampão sanguíneo peridural", que consiste em injetar uma pequena quantidade do seu próprio sangue no espaço sobre o furo por onde foi realizada a punção. Suas células sanguíneas têm a capacidade de formar um coágulo para selar o buraco, restaurando a pressão normal no fluido espinhal.

O tratamento definitivo com o tampão de sangue peridural é recomendado quando os sintomas persistem após o tratamento conservador.

Se estas abordagens de tratamento já foram realizadas, mas sua dor de cabeça não está melhorando ou suas crises de dor passaram a acontecer juntamente com sinais neurológicos, é importante buscar ajuda de um médico neurologista, para uma investigação diagnóstica mais acurada.

Aprofunde seu conhecimento lendo nossos outros artigos:

Dr Diego de Castro Neurologista

Dr Diego de Castro cuida de pacientes com diversas doenças neurológicas e realiza o exame de eletroneuromiografia SP e eletroneuromiografia em Vitória ES em casos complexos e condições genéticas raras.

Com o propósito de oferecer um atendimento de excelência e confiança, o Dr Diego de Castro realiza uma avaliação neurológica minuciosa, capaz de auxiliar na definição diagnóstica de seus sintomas e atua juntamente à equipe multidisciplinar para fornecer um tratamento eficaz a seus pacientes.

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Dr Diego de Castro dos Santos
Neurologia - Dr Diego de Castro
Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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