Manifestações Neurológicas do Lúpus Eritematoso Sistêmico

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Manifestações Neurológicas do Lúpus Eritematoso Sistêmico

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As manifestações neurológicas do Lupus Eritematoso Sistêmico (LES) podem ocorrer em mais de 25% dos pacientes portadores dessa doença. O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença inflamatória, autoimune, que pode se manifestar com alterações de funcionamento em diversas estruturas do organismo, incluindo o sistema nervoso. Suas características clínicas variam de acordo com o órgão ou sistema acometido. Mais comumente a doença acomete a pele, as articulações, os rins e o sangue.

Assim como outras doenças reumatológicas, o lúpus pode se apresentar, inicialmente, com distúrbios neurológicos. Neste artigo, abordaremos especificamente os sintomas neurológicos que podem surgir nos pacientes vítimas do lúpus eritematoso sistêmico.

Lúpus Eritematoso Sistêmico: Sintomas Neurológicos e seu Desafio Diagnóstico

Em geral, o lúpus atinge mulheres entre 15 e 30 anos (acomete nove mulheres para cada homem). A doença ocorre por um distúrbio da imunidade. No lúpus, as células de defesa do sistema imunológico atacam os tecidos do próprio organismo, como pele, articulações, fígado, coração, pulmão, rins e cérebro produzindo inflamação.

Lúpus: Sintomas Neurológicos

Atualmente, segundo o American College of Rheumatology, 19 síndromes neuropsiquiátricas já foram associadas com lúpus, sendo que 12 relacionam-se ao envolvimento do sistema nervoso central e 7 do sistema nervoso periférico.

Entre elas, encontram-se manifestações neurológicas, como doença cerebrovascular, síndromes inespecíficas como cefaleia, declínio cognitivo leve e depressão, além de patologias menos comuns, como a síndrome desmielinizante e a mielopatia e lesão nos nervos periféricos.

Estes sintomas podem aparecer logo no início ou durante o curso da doença, ser consequência de doenças associadas ou resultado de efeitos colaterais dos medicamentos.

Manifestações Neuropsiquiátricas no Lúpus

As manifestações neuropsiquiátricas do Lupus já são conhecidas há muito tempo e diversos estudos já definiram como parte integral da doença. Disfunção executiva, com problemas de atenção, memória e aprendizado; dores de cabeça persistentes, enxaqueca que não respondem a analgésicos são manifestações frequentes;.

Transtornos de humor como depressão, transtorno obsessivo compulsivo, paranoia e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade também são comuns nestes pacientes.

Formas menos comuns são neuropatia craniana, convulsões e até meningites que requerem diagnóstico rápido e tratamento imediato.

Os mecanismos relacionados ao envolvimento neurológico no lúpus ainda não estão completamente esclarecidos. Entretanto, algumas evidências apontam lesões dos pequenos vasos cerebrais ou presença de anticorpos atingindo diretamente as conexões neuronais.

Risco aumentado para Acidente Vascular Cerebral

Pacientes com lúpus apresentam um risco aumentado para doenças cerebrovasculares do tipo AVC, principalmente com lesões isquêmicas, que ocorrem em idades mais jovens do que o habitual.

Estes pacientes podem apresentar inflamações em pequenos vasos cerebrais, uso de corticoides em altas doses, um perfil lipídico alterado e a presença de hipertensão arterial como graves fatores de risco para doença vascular aterosclerótica. Esse conjunto de fatores pode contribuir com mecanismos variados para lesão isquêmica do sistema nervoso central. Os pacientes também podem apresentar risco aumentado de trombose de vasos cerebrais.

Síndrome Desmielinizante

Este termo descreve uma doença que afeta diretamente a bainha de mielina, com relativa preservação dos axônios. Clinicamente, a síndrome desmielinizante apresenta-se com sintomas variados, incluindo alteração sensorial, perda de visão e disartria.

Em pacientes com lúpus, o principal desafio consiste no diagnóstico diferencial com outras doenças desmielinizantes do sistema nervoso central incluindo a Esclerose Múltipla.

As características imunológicas de ambas as doenças, o padrão remitente-recorrente, as manifestações neurológicas e a presença de lesões multifocais da substância branca podem dificultar muito sua distinção.

Polineuropatia Periférica

A polineuropatia periférica é definida como um distúrbio sensitivo ou motor dos nervos periféricos.

As manifestações clínicas predominantes desta síndrome incluem: formigamentos, sensação de queimação, dores, alterações da sensibilidade e fraqueza. Todos esses sintomas predominam nos membros inferiores.

A origem da polineuropatia periférica no lúpus envolve diversos possíveis mecanismos, entre eles a inflamação e a lesão dos nervos por autoanticorpos, depósito de complexos imunes ou lesão direta.

O exame de eletroneuromiografia ajuda na comprovação diagnóstica da polineuropatia periférica e também quantifica sua gravidade. Ele também serve para auxiliar diferenciar de outras doenças que podem acometer os nervos periféricos. Leia nosso artigo para saber mais sobre o exame de eletroneuromiografia: https://drdiegodecastro.com/exame-de-eletroneuromiografia/

Lúpus Eritematoso Sistêmico

Lúpus Eritematoso Sistêmico – Diagnóstico e Tratamento das Manifestações Neurológicas

O diagnóstico e tratamento das manifestações neurológicas do Lúpus Eritematoso Sistêmico variam amplamente a depender do tipo de manifestação. Embora o Lupus sempre deve ser acompanhado pelos médicos reumatologistas, a avaliação neurológica é fundamental para indicar tratamento associado nos casos de envolvimento do sistema nervoso.

O adequado acompanhamento neurológico permite identificar outras doença neurológicas que se assemelham ao lúpus e oferecer formas de tratamento para sintomas tão comuns como dor de cabeça, transtornos de humor, formigamentos e dormência.

O diagnóstico das manifestações neurológicas do lúpus pode demandar uma série de exames complementares como ressonância magnética, eletroneuromiografia, exame do líquido cerebroespinhal, exames laboratoriais entre outros. Esses exames são indicados individualmente para cada caso, a depender do quadro clínico do paciente. Por esse motivo a avaliação clínica é parte fundamental para a conduta e o tratamento adequado nesse grupo de pacientes.

Se você sofre com os sintomas desta doença, mantenha um acompanhamento com o médico neurologista, para evitar estes tipos de complicações. Veja abaixo nossas informações de contato para agendamento de consultas:

Dr Diego de Castro Neurologista e Neurofisiologista

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Artigo Publicado em: 26 de setembro de 2018 e Atualizado em: 14 de maio de 2019


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