Toxina Botulínica (Botox) no Tratamento das Sequelas do AVC

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Toxina Botulínica (Botox) no Tratamento das Sequelas do AVC

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Uma das sequelas do Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a perda de força associada a espasticidade. A utilização da toxina botulínica em pacientes com espasticidade após AVC é uma abordagem terapêutica eficaz. O tratamento acarreta o relaxamento da musculatura e facilita a execução de atividades funcionais assim como a prática da fisioterapia.

Com a leitura deste artigo, saiba mais sobre o mecanismo de ação da toxina botulínica e seus benefícios na reabilitação após AVC.  

A Toxina Botulínica após o AVC

Abordamos em artigos anteriores sobre as causas do AVC e seu mecanismo. Resumidamente, em um AVC ocorre morte de uma parte do cérebro pela falta do fluxo sanguíneo. Os neurônios sadios que se encontram em torno da área cerebral acometida tentam assumir a função dos neurônios que morreram. Nesse mecanismo de adaptação pode ocorrer uma integração inadequada das informações sensitivas e motoras e uma ativação involuntária intermitente ou sustentada dos músculos que estavam enfraquecidos. A ativação involuntária é denominada espasticidade e é um fenômeno frequente que se inicia nos 3-6 meses após um AVC.

Em termos simples, a espasticidade consiste na hiperatividade involuntária dos músculos e os músculos tornam-se mais “rígidos, duros” já nos primeiros meses após um AVC.

A espasticidade pode causar deformidade das articulações, posturas fixas, dor e perda da função de um membro por exemplo.

Atualmente a aplicação da toxina botulínica é o melhor tratamento medicamentoso para pacientes com espasticidade após AVC.

Toxina Botulínica na Espasticidade – Mecanismo de Ação

A hiperatividade muscular que gera a espasticidade é bloqueada por injeções locais da toxina botulínica. A toxina botulínica produz o relaxamento da musculatura. Ela atua bloqueando a liberação de diversas substâncias dos neurônios que promovem a espasticidade e também impede a liberação de substâncias que produzem dor. Por esses motivos a aplicação da toxina  é o tratamento de primeira escolha para a espasticidade, particularmente em pacientes com AVC.

Toxina Botulínica na Espasticidade – Objetivos e Efeitos da Toxina Botulínica após o AVC

Os objetivos do tratamento com toxina botulínica após AVC incluem:

  • Aumentar a mobilidade
  • Aumentar a amplitude de movimento
  • Facilitar a realização da higiene e de outras atividades funcionais
  • Melhorar o desgaste da imobilização
  • Melhorar a dor
  • Diminuir a salivação excessiva (sialorréia) em pacientes com AVC quando aplicada nas glândulas salivares.

Como exemplo prático um pacientes vítima de AVC que apresenta uma postura da mão constantemente fechada, com os dedos ou punhos “endurecidos”, ao receber a aplicação de toxina nos músculos com espasticidade apresentará o relaxamento da musculatura e a mão vai se tornar maleável e abrirá com mais facilidade.

Um exemplo semelhante pode ser usado quando existe espasticidade na perna. Alguns pacientes podem ficar com a “perna esticada” ou “ficar arrastando a ponta do pé” por dificuldade de apoiar a planta do pé no chão. A toxina nesses casos pode proporcionar o apoio do pé no chão de maneira adequada. Em ambas situações, a toxina facilita a realização da fisioterapia, possibilita o uso de órteses, previne o surgimento de deformidades das articulações.  A toxina em si não é capaz de recuperar a força que ocorre após o AVC, mas juntamente com um programa adequado de fisioterapia e outras estratégias, ela é uma importante ferramenta para a reabilitação e trazer qualidade de vida aos pacientes.

Você está lendo: Toxina Botulínica na Espasticidade.

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Toxina Botulínica na Espasticidade – Outras Informações Importantes

Os efeitos da toxina botulínica não são permanentes. Cada marca existente no mercado (Botox, Dysport, Xeomin, entre outras) tem sua peculiaridade, mas em linhas gerais os efeitos da toxina têm duração aproximada de 12 semanas. Após esse período o efeito da toxina diminui muito sendo necessário reaplicar a medicação.

As doses da toxina são geralmente ajustadas de acordo com alguns fatores, que incluem gravidade da espasticidade, número de músculos envolvidos, idade, número de aplicações e de outras terapias associadas.

É importante saber que o efeito da toxina é melhor quanto mais preciso for sua a administração. É necessário aplicar a toxina em cada músculo acometido. Em algumas vezes um mesmo músculo precisa receber a medicação em mais de um ponto. Por ser uma injeção, é importante que os pacientes saibam que não existe um número fixo de “agulhadas”. O número de injeções e a dose por músculo varia para cada paciente e é determinado quando o paciente passa na consulta clínica.

Em alguns pacientes com salivação excessiva (sialorréia) além da aplicação intramuscular, pode ser realizada a aplicação nas glândulas salivares. Esses pacientes têm o benefício de diminuir a salivação e também o risco de pneumonias aspirativas.

O tratamento com toxina botulínica na espasticidade pós-AVC reduz de forma segura e efetiva o tônus ​​muscular e aumenta a amplitude de movimento e propicia uma série de outros benefícios. Medidas como posicionamento adequado das articulações, uso de órteses, alongamento e fisioterapia são essenciais no manejo da espasticidade e devem sempre estar alinhados ao uso da toxina botulínica.

Conhece alguém vítima de AVC e espasticidade? Compartilhe este artigo e converse com o seu neurologista de confiança sobre a indicação desta abordagem terapêutica.


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2018-12-07T11:37:02+00:00 quarta-feira 12 de dezembro 2018|Acidente Vascular Cerebral, Neurologia, Toxina Botulínica|0 Comentários

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