Conheça os Benefícios da Musicoterapia para as Doenças Neurológicas

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Conheça os Benefícios da Musicoterapia para as Doenças Neurológicas

By | 2020-05-25T09:39:22+00:00 quarta-feira 13 de fevereiro 2019|Neurologia|
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São inúmeros os benefícios da musicoterapia para as doenças neurológicas. Segundo a American Music Therapy Association, a musicoterapia é uma “forma especial de terapia que utiliza a música como base de tratamento e reabilitação”.

A música possui uma capacidade única de acessar sistemas afetivos, motivacionais e de memória no cérebro. Devido sua estrutura em ritmo, compasso e melodia, que funde um sistema organizado a um componente emocional e intuitivo, ela é capaz de aprimorar os processos de:

  • Percepção
  • Cognição
  • Linguagem
  • Aprendizagem motora
  • Motivação para atividades de reabilitação.

Neste artigo, Dr Diego de Castro Neurologista pela USP explica como a música e a musicoterapia são utilizadas no tratamento de diversas condições neurológicas.

Benefícios da Música e Musicoterapia para o Cérebro

A música é uma linguagem universal, artística, que está presente em toda a história da humanidade. Também é utilizada desde tempos antigos para:

  • Meditação
  • Relaxamento
  • Prazer
  • Expressão de alegria
  • Tristeza
  • Encorajar os passos de soldados rumo à guerra.

Além disso, a música desempenha um importante papel na socialização e coletividade da espécie humana e ainda se desdobra em outras atividades artísticas criativas como a dança.

Na medicina, a música pode ser usada como uma modalidade complementar para acessar funções cerebrais indisponíveis por meio de estímulos não musicais. De acordo com o Neurologic Music Therapy Service nos Estados Unidos, a musicoterapia é a ciência que se dedica a reabilitação de doenças neurológicas e psiquiátricas por meio de estímulos musicais. Processos cerebrais ativados pela influência da música podem ser generalizados e transferidos para funções não musicais.

Portanto, na prática clínica, exercícios terapêuticos de musicoterapia podem ser realizados para:

  • Dar início, sinalizar e coordenar movimentos
  • Regular as funções fisiológicas e comportamentais
  • Melhorar a linguagem
  • Melhorar o humor
  • Aumentar a motivação.

Em neurologia, a musicoterapia é uma forma de estimulação cerebral utilizada no tratamento de:

  • Acidentes vasculares cerebrais
  • Lesões cerebrais traumáticas
  • Demência de Alzheimer
  • Doença de Parkinson
  • Outros déficits motores e cognitivos.

Estudos de resultados clínicos fornecem evidências da superioridade significativa da reabilitação com música sobre sua realização sem música.

Benefícios da Musicoterapia para a Neurologia – Estimulação Cerebral

A música pode estimular muitas áreas cerebrais simultaneamente. Do ponto de vista de localização cerebral, a música estimula inicialmente duas grandes regiões básicas:

  1. Áreas auditivas primárias e da linguagem (mesmas áreas ativadas quando escutamos uma conversa e compreendemos seu conteúdo).
  2. Diversas áreas corticais e profundas como insula, amígdala, hipotálamo, hipocampo e córtex pré-frontal que dão o aspecto das sensações e emoções que a música desencadeia.

Essas regiões também são fortemente associadas às nossas memórias afetivas e a nossa motivação e são capazes de ativar outras regiões cerebrais afetando diretamente nossos sentidos. Como resultado, a música pode ter um impacto direto no funcionamento físico, emocional e cognitivo do indivíduo.

De acordo com The Academy of Neurologic Music Therapy, a musicoterapia neurológica mostrou ser um tratamento efetivo para indivíduos com distúrbios neurológicos, pois aumenta a neuroplasticidade no cérebro: a capacidade natural do cérebro para mudar e criar novos caminhos neurais, a fim de se adaptar às mudanças.

Melhorar a neuroplasticidade através da música pode ajudar os pacientes que sofrem de déficits de linguagem, cognitivos e motores.

Musicoterapia para tratamento de Doenças Neurológicas: Distúrbios da voz e Linguagem

A musicoterapia pode ser usada para o tratamento de distúrbios da voz, fala e linguagem. O canto e a fala estão interligados, compartilhando papéis e fundamentos semelhantes em nossos cérebros.

Quando falamos, usamos naturalmente elementos musicais como ritmo, tempo e tom. No entanto, algumas condições neurológicas podem afetar diretamente a região relacionada ao ‘ato de falar’, mas podem poupar o ato de cantar.

Uma observação muito frequente disso são os pacientes vítimas de disfemia (“gagueira”) em que cantar pode permanecer inalterado, mesmo com a grande dificuldade em falar em público.

Em um outro exemplo, um indivíduo pode ser diagnosticado com Afasia (dano às estruturas cerebrais que controlam a linguagem). A afasia é uma complicação comum de casos graves de AVC e também pode ocorrer sob a forma de uma doença degenerativa como na Afasia Progressiva Primária. As técnicas de musicoterapia neurológica auxiliam o reaprendizado de “como falar” através do efeito da música.

Além do AVC, o tratamento com Musicoterapia pode ser uma ferramenta eficaz para incentivar a comunicação em indivíduos com vários diagnósticos, incluindo Doença de Parkinson, Traumatismos Cerebrais e outras doenças degenerativas.

Benefícios da Musicoterapia para tratamento de Doenças Neurológicas – Aumento na Produção de Dopamina

A dopamina, conhecida como uma “molécula de motivação”, é um neurotransmissor relacionado ao prazer que é liberado no cérebro quando nossos sentidos são estimulados.

Ouvir música, dançar e comer boa comida são exemplos de experiências positivas que estimulam nossos sentidos e desencadeiam a liberação de dopamina como recompensa e reforço para respostas apropriadas a certos estímulos.

Baixos de dopamina associam-se a falta de habilidades como atenção, memória e autocontrole. Na verdade, os níveis de dopamina são deficientes em indivíduos que sofrem de doença de Parkinson e TDAH.

A musicoterapia tem os seguintes benefícios para esses indivíduos:

  • Aumento da produção de dopamina
  • Melhora do humor
  • Melhora do aprendizado e o foco
  • Promoção de bem-estar geral

No caso específico dos pacientes com Doença de Parkinson é conhecido o impacto positivo da música e dança. Além de mais motivados, os pacientes que realizaram prática de dançar tango (pesquisa conduzida na Argentina) apresentaram melhora significativa do andar e do equilíbrio.

Musicoterapia para a Neurologia – Aplicação

A música explora nossas emoções e cria uma atmosfera não-invasiva e não ameaçadora, na qual os indivíduos têm a oportunidade de serem criativos, terem controle sobre o ambiente, socializar e expressar suas emoções. Exemplos de intervenções de musicoterapia podem ser:

  • Composição de músicas com um paciente que sofre de ansiedade, para ajudá-lo a se tornar mais consciente de seus sentimentos e ter uma melhor compreensão de seus medos e emoções.
  • Intervenção de relaxamento assistido pela música, para reduzir a tensão e a ansiedade e melhorar a auto-regulação.
  • Improvisação de fazer música com vários instrumentos para estimular a criatividade, a exploração, a expressão não-verbal e as oportunidades de controlar seu ambiente.

Musicoterapia é uma abordagem terapêutica, motivadora e divertida, cada vez mais reconhecida por sua capacidade de auxiliar no tratamento de indivíduos com distúrbios neurológicos e psiquiátricos. Converse com o seu neurologista de confiança sobre como aproveitar os benefícios dessa prática no seu tratamento.

Dr Diego de Castro – Neurologista

Dr Diego de Castro é Neurologista pela USP e cuida de pacientes com diversas doenças neurológicas.

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Dr. Diego de Castro dos Santos

Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.

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