Estimulação Magnética Transcraniana no Tratamento da Depressão e outras doenças

Estimulação Magnética Transcraniana no Tratamento da Depressão e outras doenças

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A Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) é um tratamento novo e eficaz para depressão. A EMT juntamente com a Estimulação Cerebral Profunda e a Estimulação Elétrica Transcraniana são modalidades terapêuticas para diversas condições neurológicas e psiquiátricas. Essas técnicas de tratamento são denominadas neuromodulação e têm em comum a capacidade de atuar como moduladores das atividades cerebrais melhorando sua função em indivíduos doentes. Abordamos em artigos anteriores a estimulação cerebral profunda (ou deep brain stimulation) nas doenças neurológicas.

Neste artigo, abordaremos a Estimulação Magnética Transcraniana no tratamento da depressão, sua realização e outras indicações.

Princípios da Estimulação Magnética Transcraniana no tratamento da depressão

A Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) ou do inglês Transcranial Magnetic Stimulation (TMS) é um procedimento médico não-invasivo, simples de ser aplicado e capaz de estimular o cérebro de forma indolor. Esta técnica tem demonstrado resultados clínicos satisfatórios, apresentando uma boa eficácia no tratamento da depressão e no controle das crises auditivas da esquizofrenia.

O princípio da Estimulação Magnética Transcraniana consiste no uso de campos magnéticos para estimular as células nervosas cerebrais. Assim a estimulação magnética é uma forma de tratamento de depressão capaz de ativar áreas cerebrais hipofuncionantes.

Durante a sessão, uma bobina eletromagnética é posicionada contra o couro cabeludo. A bobina contém um eletroímã que produz pulsos magnéticos. Esses, por sua vez, são direcionados para uma região cerebral de interesse e estimulam as células nervosas cerebrais, possibilitando a ativação ou a inibição das funções cerebrais.

Diferentemente das técnicas de Estimulação Cerebral Profunda, na Estimulação Magnética Transcraniana não é realizada cirurgia nem implante de eletrodos. Este procedimento não causa convulsões e também não necessita de sedação com anestesia.

Tratamento da Depressão com Estimulação Magnética Transcraniana

Atualmente, está liberado pelo Conselho Federal de Medicina o tratamento com Estimulação Magnética Transcraniana para os casos de depressão e também no controle dos sintomas de alucinação auditiva em pacientes com esquizofrenia.

Para cada condição de saúde, é estabelecido um protocolo diferenciado de aplicação, que inclui parâmetros de estimulação, intensidade do estímulo magnético, direção de posicionamento no crânio, tempo necessário para as sessões e duração do tratamento.

Segundo a Universidade de Harvard nos Estados Unidos, a Estimulação Magnética Transcraniana é um tratamento validado para depressão. Pacientes com depressão refratária, ou seja, que não apresentam resposta satisfatória com as abordagens terapêuticas convencionais, como medicação e psicoterapia, podem experimentar redução ou desaparecimento dos sintomas ao se submeterem à Estimulação Magnética Transcraniana.

Nos pacientes com depressão, a bobina eletromagnética é colocada contra o couro cabeludo, na região próxima à testa onde profundamente está o córtex frontal. O eletroímã produz pulsos magnéticos que atuam sobre as células nervosas cerebrais dessa região. Tais células estão envolvidas no controle do humor e nos pacientes depressivos costumam estar funcionando de maneira inadequada. A estimulação magnética transcraniana atua no tratamento da depressão pois é capaz de ativar essas estruturas modulando e melhorando sua atividade.

Tratamento da Alucinação Auditiva na Esquizofrenia com EMT

Além da depressão, diversos estudos validaram o uso da Estimulação Magnética Transcraniana da tratamento das alucinações auditivas na esquizofrenia. A Esquizofrenia é uma doença mental caracterizada por uma ampla desorganização dos processos mentais, envolvendo sinais e sintomas nas áreas de pensamento, percepção e emoções, em que a pessoa perde o sentido de realidade, tornando-se incapaz de distinguir a experiência real da imaginária.

As alucinações auditivas são sintomas frequentes nos pacientes esquizofrênicos. Estudos mostram que elas são causadas por excessiva sensibilidade do sistema cortical cerebral relacionado à percepção da fala.

Dessa forma, a Estimulação Magnética Transcraniana em baixa frequência na região temporoparietal esquerda pode reduzir a excitabilidade neural nesta região, diminuindo ou mesmo extinguindo estes sintomas.

Estimulação Magnética Transcraniana – Como é Realizada

O procedimento geralmente é realizado em nível ambulatorial, no consultório médico. A estimulação é feita em uma área específica do córtex, de acordo com o objetivo do procedimento. Os estímulos podem aumentar ou reduzir a atividade cerebral, dependendo da frequência dos pulsos.

É necessária uma série de sessões para o tratamento ser eficaz. As sessões duram, em média, 15-20 minutos. Durante a primeira semana do tratamento, as sessões são realizadas diariamente totalizando cerca de 20 sessões. A seguir, passamos a espaçar para uma vez por semana, quinzenalmente e mensalmente, apenas para manutenção.

Durante a sessão, o paciente permanece acordado e pode retornar às suas atividades logo a seguir. A técnica é considerada segura e não apresenta efeitos colaterais, nem causa prejuízos à cognição. Alguns pacientes apenas relatam um leve desconforto no couro cabeludo durante a aplicação.

Se você é portador de depressão e acredita que os seus sintomas podem melhorar com o tratamento de Estimulação Magnética Transcraniana, converse com o seu neurologista de confiança sobre a indicação desta abordagem terapêutica para o seu caso.

Pesquisas Clínicas em Desenvolvimento com Utilização de Estimulação Magnética Transcraniana

Depressão e alucinações auditivas já possuem uma grande evidência de benefício de tratamento com EMT. Pesquisas atuais têm utilizado a técnica para reabilitação após AVC, traumatismo cranioencefálico, tratamento de dor de difícil controle e para doenças degenerativas como as ataxias. Os resultados da maioria desses trabalhos são positivos e animadores. No entanto, nenhuma dessas pesquisas mostrou que a EMT é capaz de curar ou é superior a tratamentos convencionais. Ao presente momento, as pesquisas com EMT apontam que a técnica é uma possível ferramenta para terapia complementar nos processos de reabilitação. O Conselho Federal de Medicina e outras autoridades de assistência à saúde aguardam o resultado de outros estudos em andamento para endossar a indicação de EMT para outras doenças além de depressão.

Dr Diego de Castro Neurologista & Neurofisiologista

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Especialidades Neurologicas – Eletroneuromiografia

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