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Mononeuropatia - Causas e Sintomas

Dr. Diego de Castro dos Santos02/06/2020,
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O termo médico mononeuropatia resulta da união dos termos "mono" que quer dizer "único", "neuro" relativo a "nervo" e "patia" que significa "lesão". Assim, uma mononeuropatia é a lesão de um único nervo periférico.

Mononeuropatia - O que é?

Uma mononeuropatia pode acometer qualquer nervo do corpo incluindo braços, pernas, tronco, região genital e a face. Os locais mais comuns são a mão e a perna.

Neste artigo, Dr Diego de Castro Neurologista pela USP explica a mononeuropatia, suas causas, sintomas e diagnóstico.

O Nervo Periférico e a Mononeuropatia

O Nervo Periférico

Segundo The University of Queensland, o sistema nervoso é dividido em 2 grandes componentes:

  1. Sistema Nervoso Central
  2. Sistema Nervoso Periférico

O sistema nervoso central é nosso cérebro e nossa medula. Essas estruturas estão protegidas pelo ossos do crânio e pelos ossos da coluna. Eles são como uma grande central do pensamento, coordenação e movimentos.

Essa grande central precisa se comunicar com os músculos, pele, articulações e órgãos como coração, rins, intestinos, bexiga etc. Cada "cabo de energia" que conecta a grande central com um órgão ou estrutura é chamado de nervo periférico. O conjunto dos nervos periféricos forma o sistema nervoso periférico.

De acordo com Rice University, um nervo periférico também é o conjunto de prolongamentos de várias células nervosas. Cada prolongamento é denominado individualmente de axônio. Como um fio que transmite a energia, ele é encapado por uma capa de gordura denominada bainha de mielina. Assim, o nervo periférico também é definido como "um conjunto de axônios que comunica um mesmo órgão e estrutura com o sistema nervoso central".

De modo geral, um nervo periférico é classificado de acordo com o tipo de informação que ele transporta:

  • Nervos motores - Relacionados a movimentação e força
  • Nervos sensitivos - Relacionados a sensibilidade, tato e transmissão de dor
  • Nervos mistos - Relacionados tanto a sensibilidade quanto a movimentação
  • Nervos autonômicos - Relacionado ao funcionamento de nossos órgãos internos (intestino, coração, etc)

A Mononeuropatia

Conforme dissemos anteriormente, a lesão de um único nervo periférico é denominada mononeuropatia. Segundo Johns Hopkins Medicine, uma mononeuropatia pode atingir qualquer um dos 41 pares de nervo do corpo humano. De modo geral os locais mais comuns são a mão ou a perna porque são nervos mais longos e mais vulneráveis a lesões.

Os nervos mais atingidos por uma mononeuropatia são:

  • No membro superior:
    • Nervo Mediano
    • Nervo Ulnar
    • Nervo Radial
  • No membro inferior:
    • Nervo Fibular
    • Nervo Ciático

Nervos de qualquer parte do corpo podem ser afetados incluindo no ombro, face, costelas e até na região genital.

Mononeuropatia

Causas

As causas da mononeuropatia são muito variáveis. Segundo Cleveland Clinic, as causas mais comuns são:

  • Traumas (quedas de moto, acidentes automobilísticos)
  • Compressões nervosas
  • Doenças Inflamatórias
  • Efeitos colaterais de medicações
  • Doenças infecciosas ou neoplásicas
  • Lesões por terapia de radiação

É possível que uma mononeuropatia ocorra por uma lesão em um ponto muito específico (lesão focal) ou envolva todo o nervo (lesão difusa).

De modo geral, a lesão focal ocorre em um ponto onde o nervo está muito próximo de um osso ou articulação e há movimentos repetitivos. Com o excesso de movimento, essas estruturas podem "apertar" ou "gerar um atrito" sobre o nervo, lesionando-o. No nosso corpo, os pontos mais comuns de compressão são:

  • Punho - Região chamada Túnel do Carpo - local onde passa o nervo mediano
  • Cotovelo - região chamada Túnel Cubital - local onde passa o nervo ulnar
  • Perna - região chamada Túnel Fibular - local onde passa o nervo fibular
  • Pé - Região chamada Túnel do Tarso - local onde passa o nervo dorsal do pé

Além disso, a mononeuropatia pode ser causada por uma lesão na bainha de mielina (desmielinização) ou uma lesão direta sobre os axônios (lesão axonal).

Mononeuropatia Inflamatória - Mononeurite

Segundo a American Association of Neuromuscular Medicine, quando a mononeuropatia é causada por quadros inflamatórios ou infecciosos, ela recebe o nome de mononeurite. Essa condição atinge o nervo difusamente. Quando múltiplos nervos estão inflamados difusamente, o quadro é denominado mononeurite múltipla. As principais causas de mononeurite são:

  • Hanseníase
  • Síndrome de Sjogren
  • Lúpus
  • Sarcoidose
  • HIV, Hepatite B e Hepatite C
  • Outras doenças inflamatórias

Fatores de Risco

Qualquer pessoa pode apresentar mononeuropatia. No entanto, alguns fatores de risco para o surgimento da condição são:

  • Diabetes
  • Obesidade
  • Hipotireoidismo
  • Esforço repetitivo
  • Indivíduos acamados ou imobilizados
  • Lúpus, Sjogren, Artrite reumatoide
  • Outras doenças sistêmicas

Sintomas da Mononeuropatia

De acordo com US National Library, a mononeuropatia acarreta sintomas de:

  1. Perda de força
  2. Alterações da sensibilidade
  3. Outros sintomas neurológicos

É importante observar que cada nervo tem seu trajeto e caminho específico. Portanto, os sintomas produzidos por uma mononeuropatia obedecem a distribuição do território de cada nervo.

Os sintomas da mononeuropatia também podem ser diferentes a depender de sua gravidade. Formas leves podem apresentar sintomas de alteração de sensibilidade discreta, enquanto lesões acentuadas podem produzir grave perda de força e atrofia.

Além disso, quando o nervo é puramente motor, o único sintoma apresentado pode ser perda de força. Já nos nervos puramente sensitivos, dormências ou formigamentos podem ser a única manifestação.

Veja abaixo os sintomas de mononeuropatia mais comuns, de acordo com o nervo acometido:

  • Neuropatia do nervo mediano - Dormência na mão e / ou fraqueza no polegar, indicador e dedo médio
  • Neuropatia ulnar - Dormência e / ou perda de força que se estende do cotovelo até o dedo anelar e o dedo mínimo
  • Neuropatia radial - Dificuldade em abrir a mão
  • Neuropatia fibular - Dormência e perda de força na perna e dorso do pé

Diagnóstico da Mononeuropatia

Segundo a ScienceDirect, o diagnóstico de uma mononeuropatia baseia-se em:

  • História Clínica e Exame Neurológico
  • Exames Laboratoriais
  • Exame de Eletroneuromiografia
  • Imagem do Nervo (ultrassom ou ressonância)

O neurologista utilizará da história clínica e do exame neurológico para avaliar qual nervo foi acometido. Exames laboratoriais são particularmente úteis nas mononeuropatias difusas e fazem parte da investigação das mononeurites.

De todos os exames, o diagnóstico de mononeuropatia é confirmado pelo exame de eletroneuromiografia (ENMG).

Exame de Eletroneuromiografia

Além de confirmar a presença da mononeuropatia, na eletroneuromiografia podemos avaliar o funcionamento do nervo e determinar:

  • Padrão da lesão (axonal ou desmielinização)
  • Porção do nervo acometido (focal ou difusa)
  • Grau do acometimento (leve, moderado ou acentuado)
  • Tipo (sensitivo, motor ou misto)
  • Prognóstico (Bom ou mau prognóstico)
  • Orientar próximos passos da investigação

Neste vídeo, descrevemos sucintamente o que é o exame de eletroneuromiografia:

Exames de Imagem

Os exames de imagem, como ultrassom ou ressonância, são particularmente úteis nas lesões focais. Eles permitem estudar a anatomia da região do nervo e estruturas vizinhas. Segundo pesquisa publicada na Muscle & Nerve, esses exames permitem ainda:

  • Determinar o ponto exato de compressão nervosa
  • Guiar tratamentos, como infiltrações ou bloqueio anestésicos
  • Planejar procedimentos cirúrgicos, caso necessário

Dr Diego de Castro Neurologista

Dr Diego de Castro é Neurologista e Neurofisiologista pela USP e atua no diagnóstico de mononeuropatias e outras condições que afetam o nervo periférico.

Além de cuidar dessas pessoas, é referência na realização do exame de Eletroneuromiografia.

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Dr Diego de Castro Neurologista
Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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