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Trombolítico - Indicações da Medicação e Efeitos Colaterais

Dr. Diego de Castro dos Santos21/05/2020
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Um trombolítico é um medicamento especial que tem a função de "desmanchar" ou "desfazer" um trombo ou coágulo sanguíneo. Essa classe de medicamentos também é chamada de "fibrinolítico".

O nome trombolítico tem origem na palavra "trombólise" que significa "quebrar" ou "diluir" um trombo. Esse procedimento é realizado visando restaurar o fluxo sanguíneo de uma artéria ou veia.

Historicamente, os medicamentos trombolíticos revolucionaram o tratamento de muitas condições fatais. Eles são empregados em serviços de emergência para salvar vidas de pacientes vítimas de AVC e infarto.

Neste artigo, Dr Diego de Castro Neurologista pela USP explica sobre medicamentos trombolíticos, suas indicações e contraindicações.

Trombolítico - O que é?

Um trombolítico é um medicamento que atua na dissolução de um trombo ou coágulo sanguíneo. Tecnicamente, essa classe de medicamentos é capaz de ativar uma substância no sangue denominada plasminogênio. O plasminogênio, por sua vez, tem o potencial de desmanchar o trombo e restaurar o fluxo sanguíneo normal.

Por esse motivo, o trombolítico é indicado para desobstruir, desfazer entupimentos agudos de vasos sanguíneos. Sua ação é mais eficiente quanto mais rápido ele é iniciado após a emergência.

O primeiro trombolítico utilizado no Brasil foi a Estreptoquinase. Esse medicamento foi empregado para tratamento do infarto agudo do miocárdio. Apesar de efetiva em alguns casos, a medicação estava associada a muitos episódios de sangramento, incluindo sangramentos intracranianos. Com o advento de novas medicações esse tipo de efeito colateral foi minimizado.

Atualmente, os dois principais trombolíticos são:

  1. Alteplase
  2. Tecneteplase

Trombolítico - Indicações

Segundo a National Libray of Medicine, as principais indicações do trombolítico são:

  1. Acidente Vascular Cerebral Isquêmico
  2. Infarto Agudo do Miocárdio
  3. Embolia Pulmonar Maciça

Todas essas condições são causadas pela interrupção de fluxo sanguíneo por um trombo. Sem adequado fluxo, há falta de oxigênio e nutrientes. Essa condição é denominada isquemia e pode ocorrer em qualquer órgão, mas é mais grave e comum no cérebro e coração.

Acidente Vascular Cerebral Isquêmico

No AVC isquêmico, o trombolítico mais utilizado é a alteplase. Essa medicação é de administração endovenosa ("pela veia"). A alteplase diminui a chance de sequelas e potencialmente pode reverter um AVC se utilizada rapidamente.

Segundo a Academia Americana de Neurologia, para utilizar a alteplase são necessários os seguintes cuidados:

  • Estar em hospital ou serviço com experiência no uso do trombolítico
  • Os sintomas de perda de força, alteração da fala ou desequilíbrio devem ter se iniciado rapidamente
  • Uma tomografia de crânio foi realizada e não mostrou nenhum sangramento
  • A pressão arterial está parcialmente controlada
  • O início da infusão da medicação não pode exceder 4 horas e meia da alteração neurológica

O tempo que a medicação é administrada é de cerca de 1h. O termo médico do procedimento de infundir a medicação na veia é trombólise.

Durante a trombólise do AVC, o paciente é monitorizado continuamente e uma série de cuidados médicos e de enfermagem são necessários para prevenir complicações. As primeiras 24-48h são as mais importantes nesse processo.

A trombólise é bem sucedida quando o fluxo cerebral é restaurado e o paciente recupera a força ou desaparece a alteração neurológica.

trombolítico

Infarto Agudo do Miocárdio

O infarto agudo do miocárdio foi uma das primeiras indicações do trombolítico. A estreptoquinase foi a primeira medicação utilizada, mas apresentava muitos inconvenientes como sangramentos e queda de pressão arterial. Posteriormente, trombolíticos de nova geração foram desenvolvidos e mudaram o curso do infarto cardíaco.

O trombolítico mais utilizado no infarto no Brasil é a tenecteplase. Essa medicação pode ser administrada até mesmo na emergência do SAMU. É uma medicação endovenosa de rápido efeito.

Segundo pesquisa do Lancet, para utilizar a tecneteplase são necessários os seguintes cuidados:

  • Realizar eletrocardiograma com evidência de isquemia total da artéria coronária (termo médico "infarto com supra de ST")
  • Os sintomas de dor no peito ou falta de ar começaram no máximo há 12h
  • Garantir que a dor no peito não tem outra causa como dissecção da aorta
  • Administrar a medicação apenas se não for possível realização de cateterismo imediato

Embolia Pulmonar Maciça

A embolia pulmonar é resultado da presença de um trombo na artéria pulmonar. A causa mais comum é a trombose da perna. Quando o trombo da perna se desprende e alcança o pulmão chamamos de embolia.

Segundo The New England Journal of Medicine, há diversos graus de embolia pulmonar. O mais grave é quando um grande ou vários trombos se desprendem da perna e chegam a artéria pulmonar, obstruindo totalmente seu fluxo (embolia pulmonar maciça). Tal fato acarreta 3 problemas:

  1. O sangue não consegue passar pelo pulmão e não capta o oxigênio do ar
  2. A pressão na artéria pulmonar sobe muito (hipertensão pulmonar)
  3. O coração aumenta a força da contração e pode chegar a exaustão (falência cardíaca)

O uso do trombolítico também auxilia muito casos graves de embolia. O trombolítico utilizado é a alteplase ou a tecneteplase. Deve ser iniciado rapidamente, mas poder ser empregado até 48h-72h do início da embolia maciça.

Outras Indicações

Algumas vezes, trombolíticos são empregados em condições não usuais. Segundo a Society of Vascular Surgery, isso pode ocorrer em algumas situações excepcionais:

  • Obstrução de cateter de diálise
  • Obstrução de stents vasculares
  • Outras tromboses agudas

Em todas essas situações, o uso da medicação só compensa o risco caso a trombose tenha ocorrido há poucos minutos.

Trombolítico - Contra-indicações e Efeitos Colaterais

Infelizmente, qualquer trombolítico pode ter um efeito colateral grave e potencialmente fatal: o sangramento. Os sangramentos variam de leve a graves e incluem os seguintes locais:

  • Pele, gengiva e mucosas
  • Urina
  • Pulmão
  • Trato gastrointestinal
  • Sistema nervoso

Após o uso do trombolítico, é comum ocorrer um discreto sangramento na pele e gengiva que não gera nenhum problema para o paciente. De acordo com a American Heart Association, o realmente preocupante são sangramentos volumosos que formam hematomas. De todos os locais de sangramento, o sistema nervoso é o mais grave.

Para minimizar os efeitos colaterais, o mais importante é respeitar as contra-indicações. Segundo US National Libray of Medicine, o trombolítico está contra-indicado nas seguintes situações:

  • Pacientes com pressão descontrolada (maior que 220/110)
  • História de sangramento recente
  • História de úlcera gástrica sangrante
  • Relato de trauma de crânio ou AVC nos últimos 3 meses
  • Câncer em tratamento
  • Problemas sanguíneos nas plaquetas ou em outros fatores de coagulação

A medicação sempre deve ser administrada em hospital, em sala de emergência ou UTI. Após seu uso, o paciente deve ficar sob estrita observação para avaliar sua eficácia e a possibilidade de surgimento de qualquer sangramento.

Dr Diego de Castro Neurologista

Dr Diego de Castro é Neurologista pela USP e cuida de pacientes com AVC e outras condições neurológicas.

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Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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