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Cefaleia em Salvas - Causas, Sintomas e Tratamento

Dr Diego de Castro18/05/2020
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A Cefaleia em Salvas, do inglês "Cluster Headache", é a dor de cabeça mais intensa da espécie humana. Esse tipo de dor de cabeça é de fortíssima intensidade, afeta o olho ou um lado da cabeça e ocorre em forma de ataques ou disparos (como salvas de tiros).

Segundo The Migraine Trust, a cefaleia em salvas é relativamente rara. Ela atinge 2 pessoas em cada 1000 indivíduos e é mais comum em homens.

Neste artigo, Dr Diego de Castro Neurologista pela USP explica a Cefaleia em Salvas, suas causas, sintomas, diagnóstico e tratamento.

Cefaleia em Salvas - O que é?

Segundo a Mayo Clinic, apesar de menos frequente que a enxaqueca ou qualquer outra dor de cabeça, a cefaleia em salvas é extremamente limitante. Ela é caracterizada por uma dor avassaladora. Os pacientes relatam que a dor é tão intensa que têm vontade de "arrancar a cabeça" ou "meter a cabeça na parede".

Ao contrário da enxaqueca, os pacientes com cefaleia em salvas são do sexo masculino e iniciam os sintomas por volta dos 20 anos. Na maioria dos casos, há história na família de alguma dor de cabeça semelhante.

Além disso, o ataque de dor costuma afetar sempre o mesmo lado e se concentrar no fundo do olho. A dor no olho é característica e se assemelha a uma "facada". Juntamente com a dor, o olho apresenta sinais de lacrimejamento, vermelhidão ou queda da pálpebra.

Os ataques da cefaleia em salvas podem ocorrer uma vez no ano, mas tendem a ser recorrentes. Eles se iniciam abruptamente e são intensos já em sua fase inicial. De acordo com a American Migraine Foundation, alguns pacientes possuem a forma de Salvas Crônica e apresentam ataques frequentes desencadeados por gatilhos, como:

  • Álcool
  • Tabagismo
  • Cheiros Fortes
  • Mudança de Estação do Ano
  • Mudança de Clima
  • Estresse
  • Insônia

Os pacientes que apresentam muitas crises devem estar atentos a esses fatores desencadeantes. Idealmente, devem abster-se de ingerir bebida alcoólica e ter bons hábitos de sono.

Causas

As causas da Cefaleia em Salvas ainda não são completamente esclarecidas. No entanto, pesquisa publicada no The Lancet aponta como possível causa a combinação dos seguintes fatores:

  1. Predisposição genética
  2. Disfunção do Nervo Trigêmeo (Nervo responsável pela sensibilidade do olho e face)
  3. Disfunção de Fibras Nervosas do Sistema Nervoso Autônomo
  4. Alteração do Hipotálamo

O hipotálamo é a estrutura que regula os nossos ciclos biológicos. Ele está associado a funções como o sono, sede, apetite e controle de funções metabólicas. Pesquisas com imagem cerebral (PET) demonstram ativação do hipotálamo durante as salvas de dor. Esse envolvimento do hipotálamo explica, por exemplo, a periodicidade dos eventos, a relação com o sono e o surgimento de crises em determinados horários ou épocas do ano.

Mesmo a dor de cabeça sendo muito forte, a Cefaleia em Salvas não é causada por tumor, aneurisma e nenhuma outra condição. Por isso, ela é um tipo de cefaleia primária.

Cefaleia em Salvas - Sintomas

Segundo Cleveland Clinic, os sintomas da cefaleia em Salvas são:

  • Dor de um lado da cabeça ou em volta de um dos olhos
  • A dor ocorre em ataques excruciantes, com sensação de queimação ou perfuração
  • Fenômenos que acompanham a crise:
    • Olho vermelho
    • Lacrimejamento
    • Queda ou inchaço da pálpebra
    • Coriza em uma das narinas
    • Suor na face
    • Sensação de agonia ou agitação
  • Os ataques duram de 15 min a 3 horas
  • Os pacientes podem sofrer cerca de 1 a 8 episódios de dor por dia

Os fenômenos como vermelhidão ocular, lacrimejamento, coriza ocorrem pela ativação de uma parte do sistema nervoso chamado Sistema Nervoso Autônomo. Ele é responsável pela liberação de substâncias como adrenalina e acetilcolina durante a crise de dor sobre o principal nervo que inerva a cabeça (nervo trigêmeo). Por esse motivo, a Cefaleia em Salvas faz parte um grupo especial de dor de cabeça denominado Cefaleias Trigêmino-Autonômicas.

Cefaléia em Salvas

Diagnóstico

Para o diagnóstico da Cefaleia em Salvas são utilizados:

  • História Clínica: Descrição da dor e dos sintomas autonômicos
  • Exame Neurológico: Deve ser normal na ausência da dor
  • Exames Complementares: Ressonância Magnética e Angiorressonância são normais, mas servem para afastar outras doenças.

O neurologista estabelece o diagnóstico por meio das recomendações da International Classification of Headache Disorders (ICHD-3 beta) que define a cefaleia em salvas como:

  • Dor de Cabeça estritamente de um lado
  • Ataques de dor de 15 min a 3 horas de duração
  • Acompanhados de pelo menos um sintoma autonômico

A maioria dos indivíduos apresentam melhora espontânea das crises ao longo de um ano. No entanto, 20% dos pacientes podem apresentar ataques muito frequentes de dor por mais de um ano. Nesses casos o diagnóstico é de Cefaleia em Salvas Crônica.

Tratamento da Cefaleia em Salvas

O tratamento da Cefaleia em Salvas visa melhorar a qualidade de vida dos pacientes e é dividido em duas partes:

  1. Tratamento abortivo: Interrompem a dor no momento dos ataques
  2. Tratamento preventivo: Diminuem a incidência dos ataques

Tratamento Abortivo

Os tratamentos abortivos oferecem alívio da crise de dor. Eles geralmente demoram 15 a 30 minutos para produzirem efeito. De acordo com Cleveland Clinic, os tratamentos mais eficazes de uma crise de cefaleia em salvas são:

  • Oxigênio em máscara
  • Medicações do tipo triptanos (nasal ou subcutâneo)
  • Lidocaína nasal
  • Estimulação Transcutânea do Nervo Vago (TVNS)

É muito frequente os pacientes utilizarem medicações para enxaqueca sem sucesso. Além disso, os analgésicos comuns como paracetamol dificilmente surtem efeito.

A Estimulação Transcutânea do Nervo Vago é uma terapia recém aprovada e muito útil para pacientes com crises frequentes e que não respondem a outros tratamentos. A técnica já está disponível nos Estados Unidos, mas é pouco difundida no Brasil.

Tratamento Preventivo

O tratamento preventivo sempre deve ser realizado na cefaleia em salvas, dada a forte intensidade da dor. O objetivo é evitar o surgimento da crise.

Segundo o NHS, entre as terapias preventivas disponíveis estão:

  • Medicações: Bloqueadores do Canal de Cálcio, Lítio, Valproato e outras medicações
  • Bloqueio Anestésico: Anestesia do Nervo Occipital ou do Nervo Pterigopalatino
  • Intervenções cirúrgicas: Implante de eletrodos para Estimulação do Nervo Occipital ou Estimulação Cerebral Profunda do Hipotálamo

Recentemente, foi liberado o uso dos anticorpos monoclonais (Emgality) para tratamento da Cefaleia em Salvas. Essa terapia auxilia a diminuição do número de eventos e melhora da qualidade de vida dos pacientes.

Em relação às abordagens cirúrgicas, elas são reservadas para casos refratários em que todas as outras modalidades de tratamento falharam. Em geral, são abordagens pouco utilizadas.

Além do tratamento preventivo e do tratamento da crise, é necessário tratar os sintomas associados como depressão, estresse, ansiedade, distúrbios do sono. Igualmente importante para melhora da qualidade de vida é corrigir possíveis gatilhos e interromper consumo de cigarro e álcool.

Dr Diego de Castro Neurologista

Dr Diego de castro é Neurologista pela USP e cuida de pacientes com casos complicados de dor de cabeça. Como você sabe, a cefaleia em salvas é uma condição incapacitante e que exige experiência e inovação para seu tratamento. Por esse motivo, a qualidade do neurologista é especialmente importante no tratamento dessa condição.

Além deste artigo sobre a Cefaleia em Salvas, disponibilizamos conteúdo sobre outras condições neurológicas.

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Dr Diego de Castro Neurologista
Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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