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Distonia Oromandibular - Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Dr. Diego de Castro dos Santos25/05/2020
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Segundo a Neurological Sciense, a distonia oromandibular é uma forma de contração muscular involuntária que atinge os músculos da boca, língua e mandíbula.

Além disso, a distonia oromandibular é um tipo incapacitante de distonia focal que pode afetar a fala, a mastigação e alimentação e impactar muito na auto-estima dos indivíduos.

Neste artigo, Dr Diego de Castro Neurologista pela USP especialista em distonia explica a distonia oromandibular, seus sintomas, diagnóstico e tratamento.

Distonia Oromandibular - O que é?

Segundo a Mayo Clinic, a distonia é um grupo de doenças caracterizadas por contrações musculares involuntárias que resultam em posturas anormais ou tremores. As contrações involuntárias podem ser:

  • Generalizadas: Quando atingem todo corpo
  • Focais: Quando afetam uma musculatura ou parte do corpo
  • Segmentares: Quando afetam regiões musculares vizinhas

A distonia oromandibular é um tipo de distonia complexa que envolve a boca, língua e músculos da mastigação. Ela pode ocorrer:

  1. Isoladamente sob uma forma de distonia focal
  2. Associada a comprometimento do pescoço ou de toda face - distonia segmentar
  3. Associada a comprometimento de todo corpo - como parte da forma generalizada

Em geral, a distonia oromandibular acomete mais mulheres e geralmente se inicia por volta dos 50 anos.

Causas

Segundo pesquisa publicada na Revista Brain, a causa da distonia oromandibular não é completamente esclarecida. No entanto, como em outras formas de quadro distônico, as causas da distonia oromandibular são divididas em 2 grandes grupos:

  • Primária: Quando após extensa investigação todos os exames são normais.
  • Secundária: Quando a distonia está associada a outras doenças como:
    • Medicamentos (antipsicóticos)
    • Doença de Wilson
    • Neuroferritinopatias
    • AVC
    • Traumatismo Craniano
    • Anormalidades Estruturais
    • Parkinsonismos atípicos

Na maioria dos casos, a distonia oromandibular é primária. Em cerca de 50% dos indivíduos ela compõe um quadro segmentar, em que há envolvimento associado da face ou do pescoço, em especial de:

  1. Torcicolo Espasmódico (quadro distônico cervical)
  2. Disfonia Espasmódica (quadro distônico da laringe)
  3. Blefaroespasmo (quadro distônico dos músculos do olho)

Em particular, a distonia oromandibular associada a contração distônica dos olhos compõe um quadro neurológico denominado Síndrome de Meige.

Distonia Oromandibular

Distonia Oromandibular - Sintomas

Os sintomas da Distonia Oromandibular são distintos e podem variar entre os indivíduos a depender de quais músculos são mais envolvidos. Segundo pesquisa do Journal of Movement Disorders, os pacientes podem relatar os seguintes sintomas:

  • Sintoma mandibular
    • Tremor de mandíbula (bater o queixo)
    • Dificuldade de abrir a boca
    • Dificuldade de fechar a boca
    • Dificuldade de mastigar sem derramar alimento
    • Dor na mandíbula
    • Estalidos na mandíbula
    • Ranger de dentes
    • Mordedura involuntária da língua ou bochechas
  • Sintoma bucal
    • Movimentos de torção da boca e lábios
    • Fazer caretas
  • Sintoma Lingual
    • Língua protrusa (língua que sai da boca involuntariamente)
    • Dificuldade de engolir
    • Dificuldade de fala

Comumente, os pacientes procuram auxílio primeiro com o dentista, devido a dificuldade de morder, dor ou estalido da articulação temporomandibular.

Diagnóstico

Segundo pesquisa da National Libray of Medicine, preferencialmente, o diagnóstico da distonia oromandibular é feito por um neurologista especialista em distúrbios do movimento. Para adequado diagnóstico são utilizados:

  • História Clínica e Exame Neurológico
  • Exame de Eletroneuromiografia
  • Exames de Imagem (Resonância Magnética do Crânio)
  • Teste Genético

O diagnóstico se baseia principalmente na história clínica e na identificação das contrações musculares involuntárias. Os exames de imagem são solicitados para avaliar a presença de causas secundárias da distonia oromandibular. Na grande maioria dos casos, esses exames são normais.

O exame de eletroneuromiografia é um exame complementar que pode demonstrar com precisão as contrações distônicas, quantificando-as. Este exame pode orientar quais músculos estão mais ativos, auxiliando bastante no tratamento (ver abaixo).

O teste genético é solicitado em casos selecionados, principalmente em indivíduos jovens e na presença de distonia generalizada.

Tratamento da Distonia Oromandibular

A distonia oromandibular não tem cura e, por isso, o tratamento pode ser complexo e desafiador. Segundo a The Dystonia Society, as principais abordagens de tratamento são:

  • Medicamentos
  • Aplicação de toxina botulínica (Botox)
  • Outras terapias

Medicamentos

Os medicamentos atuam diminuindo a contração muscular involuntária. Além disso, eles podem promover diminuição da dor. A resposta de cada paciente é variável e muitas vezes é necessário combinar vários medicamentos para obter algum benefício.

De acordo com a Dystonia Medical Research Foundation of Canada, entre os remédios empregados estão:

  • Biperideno
  • Baclofeno
  • Triexifenidil
  • Diazepan
  • Clonazepan
  • Tetrabenazina
  • Relaxantes musculares

A maioria dos pacientes apresenta melhora discreta de 20% do quadro distônico. Por esse motivo, o melhor é sempre combinar os medicamentos com a aplicação de toxina botulínica.

Fisioterapia após Aplicação de Toxina Botulínica (Botox)

Aplicação de Toxina Botulínica (Botox)

De acordo com pesquisa da SAGE Journal, a aplicação de botox é o melhor tratamento da distonia oromandibular. A medicação é aplicada em cada músculo hiperativo de maneira específica. O Botox é aplicado por meio de injeções.

A toxina botulínica atua inibindo a liberação de acetilcolina do nervo sobre o músculo, o que reduz a contração muscular involuntária.  Além disso, ela diminui a transmissão de sinais dolorosos, diminuindo a dor.

De acordo com a Academia Americana de Neurologia, em relação à aplicação de botox, é importante saber:

  • A medicação inicia seu efeito em 7-14 dias após a aplicação
  • O pico de ação é em 30 dias
  • A toxina dura no organismo cerca de 3-4 meses, devendo ser reaplicada após esse período
  • Na primeira aplicação, são utilizadas doses menores devido a possíveis efeitos colaterais
  • O resultado da aplicação é melhor quando feita por neurologista especialista em distonia
  • O exame de eletroneuromiografia pode orientar melhor a dose e quais músculos necessitam de mais toxina
  • A aplicação guiada por eletroneuromiografia pode apresentar melhores resultados em casos muito complexos.

É importante lembrar que a toxina não cura a condição. A depender do caso, ela promove diminuição do quadro distônico em cerca de 30-50%. Seu benefício é maior a partir da terceira aplicação.

Além disso, alguns pacientes podem apresentar efeitos colaterais transitórios após aplicação, como: Sensação de fraqueza na boca, alterações da saliva ou da deglutição.

Outras Terapias

Segundo a Dystonia Medical Research Foundation of Canada, outras terapias devem ser sempre associadas a medicamento e aplicação de botox no tratamento da distonia oromandibular. Entre elas:

  • Truques sensitivos
  • Exercícios de relaxamento
  • Exercícios de biofeedback
  • Cuidados com o sono
  • Tratamento de Depressão e Ansiedade

Um fonoaudiólogo com experiência em distonia oromandibular pode ajudar nos exercícios adequados. Esse profissional também auxilia na reabilitação dos pacientes após aplicação de toxina botulínica.

Esteja atento que fatores emocionais e problemas de sono pioram muito a contração involuntária. Não descuide desses cuidados gerais com sua saúde e bem-estar.

Algumas vezes, mesmo após toda combinação de tratamentos, o paciente não atinge uma melhora mínima de 50%. Nesses casos refratários podemos considerar técnicas de neuromodulação:

  1. Cirurgia de Estimulação Cerebral Profunda (DBS)
  2. Estimulação Magnética Transcraniana (TMS)

Essas 2 formas de terapia devem ser avaliadas caso a caso, uma vez que são tratamentos ainda em fase experimental.

Dr Diego de Castro Neurologista

Dr Diego de Castro é Neurologista pela USP especialista em distonia e distúrbios do movimento. Atua na reabilitação da distonia oromandibular e outros quadros distônicos com aplicação de botox guiado por eletroneuromiografia e estimulação cerebral profunda.

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Dr Diego de Castro dos Santos é Neurologista pela USP e responsável pelo Serviço de Especialidades Neurológicas – Eletroneuromiografia. Atua como neurologista em Vitória Espírito Santo ES e em São Paulo no tratamento de Dor de Cabeça, Depressão, Doença de Parkinson, Miastenia gravis e outras doenças. Também se dedica a reabilitação de pacientes com AVC, distonias e crianças com paralisia cerebral, por meio de aplicação de toxina botulínica (Botox) e neuromodulação.
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